Com 60 anos de história e 15 anos de presença em Portugal, a Comma quer deixar para trás um percurso marcado por alguma discrição e acelerar a sua afirmação no aftermarket nacional.
Rui Pereira, Key Account Manager da Moove, explica ao Check-up a estratégia para reforçar a notoriedade da marca, aumentar a presença junto das oficinas e explorar o potencial de uma gama com mais de 300 referências. A ambição é grande.
A aposta passa pela qualidade e pelas aprovações dos fabricantes, mas, também, pela inovação, com destaque para as embalagens Bag in Box. O responsável fala ainda dos objetivos para 2026, da cobertura do parque automóvel e do posicionamento “Made for mechanics”.
A Comma é uma das grandes apostas da Moove em Portugal. Qual foi a razão que esteve na génese da opção por esta marca?
A Comma é uma marca que é propriedade da Moove, com uma história de 60 anos, forte liderança no mercado britânico e uma sólida presença internacional, distribuída por dezenas de mercados na Europa e noutros continentes.
A marca nasceu em 1965, no Reino Unido, e acompanhou toda a transformação da indústria automóvel. Em 1989, foi adquirida pela Esso e, após a fusão com a Mobil, integrou o universo ExxonMobil. Em 2012, a Moove adquiriu a Comma à ExxonMobil, incorporando-a, estrategicamente, no portefólio global do grupo.

Por isso, quando falamos da aposta em Portugal, importa frisar que não estamos a construir uma marca de raiz nem a dar os primeiros passos no mercado. A Comma está presente em Portugal há 15 anos e acreditamos que existe ainda um enorme potencial para aumentar a sua notoriedade e penetração no mercado.
O que estamos a fazer é assumir a ambição de potenciar o crescimento de um ativo próprio com enorme legado técnico e uma identidade forte, dando-lhe, finalmente, a visibilidade, a dimensão e o destaque que a marca já conquistou noutros mercados.
A Comma surgiu há 60 anos no Reino Unido e concorre no segmento médio/alto dos lubrificantes. Podemos assumir que a marca está mais focada no segmento dos veículos ligeiros, ainda que tenha presença, também, nos veículos pesados e industriais?
Sim, a Comma nasceu e evoluiu com um foco muito claro no segmento dos veículos ligeiros e comerciais ligeiros, sendo essa a grande base de especialização da marca e onde apresentamos uma proposta de valor extremamente madura.
No entanto, o segmento de veículos pesados e industriais é uma área estratégica onde realizámos um forte investimento nos últimos anos. A nossa ambição em Portugal é estar cada vez mais presentes e competitivos nestes setores, levando a fiabilidade da Comma às exigências do pós-venda pesado e industrial.
É, também, importante esclarecer que competir no segmento médio/alto significa que a proposta da Comma não assenta numa lógica de preço ou de produto de entrada, mas, sim, excelente custo-benefício.
“A Comma é propriedade da Moove, tem uma história de 60 anos, forte liderança no mercado britânico e uma sólida presença internacional”
O nosso foco em qualquer uma das gamas – ligeiros, pesados ou industriais – está na entrega de qualidade, nas aprovações dos fabricantes, na cobertura do parque e, sobretudo, na confiança que conseguimos transmitir ao profissional.
Considera que a gama diversificada de óleos de motor, óleos de transmissão, produtos auxiliares e aditivos é uma das mais-valias da Comma?
Sem dúvida. Uma das grandes vantagens da Comma é precisamente permitir à oficina encontrar numa única marca uma solução muito abrangente para as suas necessidades.
Falamos de óleos de motor, engrenagens, transmissões manuais e automáticas, direção assistida, óleos de travão, anticongelantes, óleos 2T e 4T, massas lubrificantes, sprays e aditivos, entre outros. Um portefólio com mais de 100 produtos que se desdobram em mais de 300 referências.
Essa extensão de gama ganha ainda mais valor quando combinada com a nossa capacidade de simplificar o dia a dia da oficina. Afinal, uma oferta vasta é mais eficaz se o profissional conseguir gerir e aplicar cada produto de forma rápida e assertiva.
É aí que entram as ferramentas de suporte desenvolvidas pela Comma, como o nosso seletor online de produtos por matrícula e os sistemas de gestão de stock.

Elas complementam a riqueza do nosso catálogo, garantindo que o mecânico identifica, instantaneamente, o fluido correto para cada veículo, eliminando erros de aplicação, otimizando os stocks e acelerando o fluxo de trabalho na oficina.
Num mercado tão concorrido como é o dos lubrificantes, onde faz a Comma a diferença?
Diria que a Comma faz a diferença por conseguir juntar qualidade, cobertura, confiança e uma verdadeira orientação para a oficina. O nosso posicionamento “Made for mechanics” não é apenas um slogan. Materializamo-lo em vantagens comerciais e técnicas tangíveis.
Num mercado saturado, a Comma destaca-se por oferecer uma enorme cobertura do parque automóvel português. Para uma oficina multimarca, isto significa poder assistir quase a totalidade dos veículos que entram nas suas instalações com uma única marca de confiança.
Além disso, diferenciamo-nos pela proximidade e transparência. Não entregamos apenas o produto. Entregamos as garantias de compatibilidade e a formação técnica que protegem o negócio do mecânico. Desenhamos as nossas soluções para responder aos desafios reais da oficina moderna, ajudando-a a ser mais eficiente, produtiva e rentável.
A Comma está presente no mercado português há 15 anos. Que análise faz do percurso da marca no nosso país?
Estes 15 anos deram-nos uma base de clientes sólida e uma reputação de enorme fiabilidade entre os profissionais que já trabalham connosco. No entanto, o diagnóstico que fazemos é claro: a Comma operou em Portugal de forma discreta e existe ainda um número significativo de oficinas que não conhece todo o nosso potencial.





Isto representa uma oportunidade extraordinária de expansão. Os 60 anos de história global dão-nos a chancela de qualidade. Os 15 anos no terreno dão-nos o conhecimento cirúrgico do mercado português.
O nosso percurso até aqui foi de consolidação. Agora, inicia-se o capítulo da aceleração e da conquista de notoriedade em larga escala. É, também por isso, que estamos a aumentar o investimento na marca e a aproximá-la cada vez mais dos profissionais.
Que quota de mercado detém a Comma em Portugal e que planos estão em cima da mesa para o ano de 2026 e seguintes?
A nossa quota de mercado atual reflete essa presença mais discreta do passado e é ainda relativamente baixa, o que apenas reforça a nossa margem de progressão.
Mas mais do que trabalhar com uma determinada quota como objetivo isolado, o nosso foco e ambição é aumentar, de forma significativa, a presença e notoriedade da Comma no aftermarket português.
Temos uma marca com fundamentos muito sólidos, uma gama competitiva e uma proposta de valor muito adequada às oficinas multimarca. O objetivo é transformar esse potencial em maior penetração no mercado e, sobretudo, em maior reconhecimento junto do profissional de oficina.
“O nosso posicionamento ‘Made for mechanics’ não é apenas um slogan. Materializamo-lo em vantagens comerciais e técnicas tangíveis”
O ano de 2026 marca o ponto de viragem nesta estratégia. Estamos a reforçar, significativamente, o investimento na comunicação da marca, no apoio técnico contínuo e na criação de novas oportunidades para que os profissionais possam experimentar e conhecer melhor a Comma.
Em 2025, a Comma apostou nas embalagens Bag in Box. Que balanço faz deste lançamento?
O balanço é francamente positivo, porque esta solução traduz a ecologia em vantagens reais e financeiras para a oficina. A Bag in Box resolve três “dores” operacionais críticas: otimização do espaço físico na oficina, redução drástica do desperdício de produto e gestão de resíduos muito mais económica.
Neste momento, a nossa oferta está focada, exclusivamente, nos óleos de motor e temos vindo a aumentar, progressivamente, o número de referências disponíveis nesta embalagem.
É a nossa forma de demonstrar que a sustentabilidade pode ser uma ferramenta prática e acessível, ajudando a tornar o dia a dia da oficina mais limpo, organizado e eficiente.
É fácil passar às oficinas as vantagens da opção pelas embalagens Bag in Box?
Sim, porque as vantagens são extremamente tangíveis quando demonstradas na prática. Como o conceito da Bag in Box ainda não está totalmente enraizado no quotidiano das oficinas em Portugal, o nosso papel passa por fazer este trabalho pedagógico e detalhar como a solução resolve ineficiências diárias em várias frentes.

Em primeiro lugar, a otimização do espaço físico. Ao contrário dos recipientes plásticos tradicionais de 20 litros ou das caixas de embalagens de 5 litros, que ocupam uma área considerável e geram desorganização visual, a Bag in Box é uma solução compacta e empilhável.
Além disso, disponibilizamos um expositor, que permite organizar as diferentes referências em altura e os respetivos jarros. Isto transforma a zona de lubrificantes num ecossistema limpo, onde o mecânico retira a quantidade exata de óleo sem derrames, mantendo a oficina visualmente profissional perante o cliente.
Em segundo lugar, a vertente económica e a gestão de resíduos. Hoje, as oficinas enfrentam uma pressão financeira e burocrática enorme com as taxas ambientais e os custos de recolha de plásticos contaminados.
Na Bag in Box, o lubrificante está protegido numa bolsa interior impermeável que encolhe à medida que o produto sai, sendo envolvida por uma estrutura exterior de cartão canelado rígido.
Quando o produto termina, o cartão é separado e vai diretamente para o ecoponto comum de reciclagem, reduzindo em cerca de 75% o volume de resíduos plásticos que a oficina tem de armazenar e reportar aos operadores licenciados.

Por fim, o combate ao desperdício de produto. O design da embalagem foi pensado ao milímetro: a gravidade e o sistema de vácuo da bolsa interior, combinados com uma torneira integrada de corte rápido e não-gotejante, garantem que o óleo é aproveitado até à última gota.
Nos bidões de plástico convencionais, para além do lubrificante que fica sempre retido nos cantos e nas paredes da embalagem, existe, também, o risco de contaminação depois da embalagem ser aberta. A Bag in Box elimina ainda essas perdas.
O nosso grande desafio é, por isso, quebrar a barreira do hábito. Quando explicamos estes detalhes e os profissionais experimentam o sistema, percebem, rapidamente, que não mudámos apenas o formato da embalagem. Introduzimos um método de trabalho muito mais rentável, limpo e eficiente para o dia a dia da oficina.
Os cerca de 58% do mercado de aprovações dos fabricantes de veículos e a cobertura do parque automóvel português, que ronda os 96%, são outros argumentos da Comma?
Sem dúvida. São argumentos muito importantes porque dão ao profissional aquilo que ele mais procura: confiança na escolha do produto. Na gama Performance Motor Oils (PMO), 58% das referências têm aprovações dos fabricantes, o que demonstra a forte componente técnica da oferta da Comma.
Significa isto que não estamos, simplesmente, a falar de produtos que “recomendam” cumprir determinados requisitos: em muitos casos, estamos perante produtos efetivamente aprovados pelos fabricantes dos veículos.
“Com a solução Bag in Box, introduzimos um método de trabalho muito mais rentável, limpo e eficiente para o dia a dia da oficina”
Aliando esta chancela técnica a uma cobertura de 96% do parque automóvel nacional, entregamos a combinação perfeita para uma oficina multimarca: a máxima segurança mecânica e a capacidade de assistir quase a totalidade dos veículos que entram nas suas instalações com um portefólio otimizado.
A disponibilização ao público das cartas de aprovação, que podem ser descarregadas no website da Comma, vem dar uma “dose extra” de credibilidade, transparência e confiança?
Exatamente. Num mercado onde a informação técnica é, tantas vezes, opaca, a Comma optou por uma política de total transparência. Disponibilizar as cartas oficiais de homologação dos construtores para download direto no nosso website retira o argumento comercial do campo da opinião e coloca-o no campo do facto.
Para nós, disponibilizar esta informação é, também, mais uma garantia de confiança, qualidade e uma forma de respeitar o profissional. Isto confere uma enorme autoridade ao mecânico, que pode comprovar, documentalmente, que o fluido utilizado cumpre escrupulosamente as exigências do construtor. É uma ferramenta de valorização profissional e de proteção legal para o próprio negócio da oficina.
A expoMECÂNICA 2026 foi a primeira feira em que a Comma participou em Portugal. Qual foi a intenção e que balanço faz?
A intenção foi muito clara: dar visibilidade à Comma e aproximar a marca dos profissionais que queremos conquistar. A expoMECÂNICA reúne precisamente o público que nos interessa – oficinas, mecânicos, distribuidores e principais players do aftermarket.
Por isso, entendemos que era o palco ideal para apresentar a Comma de uma forma diferente, não apenas através de um catálogo ou de uma referência de produto, mas permitindo aos profissionais conhecerem a marca, a sua filosofia “Made for mechanics” e as soluções que temos para as oficinas.

O grande destaque do nosso espaço foi a Bag in Box. Tivemos a oportunidade de colocar esta solução inovadora diretamente nas mãos dos profissionais, permitindo-lhes comprovar, em tempo real, os ganhos práticos de manuseamento.
Foi, também, o momento perfeito para celebrar os 60 anos da marca e os seus 15 anos em Portugal, demonstrando que combinamos um longo legado com uma visão muito orientada para o futuro.
O balanço que fazemos é, por isso, muito positivo. Mais do que medir o sucesso apenas pelo número de visitantes, valorizamos a qualidade dos contactos, o interesse demonstrado pelas oficinas e as oportunidades que conseguimos gerar.
A feira funcionou como a rampa de lançamento perfeita para a estratégia de notoriedade que desenhámos para este ano. Mostrámos ao mercado que a Comma está em Portugal com uma estrutura sólida, proximidade comercial e soluções prontas para modernizar a operação diária das oficinas.
Que conselhos daria a quem ainda não conhece a marca e queira começar a trabalhar com ela?
O meu primeiro conselho seria muito simples e óbvio: experimente! Quem ainda não está familiarizado com a Comma deve começar por conhecer a gama, utilizar as nossas ferramentas de seleção de produto e falar connosco. Rapidamente perceberá que existe uma combinação muito forte entre qualidade, cobertura do parque, aprovações OEM e facilidade de trabalho.

O passo seguinte é olhar para a marca não apenas como mais um produto no armazém, mas como um parceiro de rentabilidade. O mercado atual exige eficiência, controlo de custos e diferenciação ecológica. Nós entregamos exatamente isso.
A Comma tem 60 anos de história, mas continua a pensar no futuro. A assinatura “Made for mechanics” resume na perfeição o nosso ADN: fomos e continuamos a ser desenvolvidos a pensar no dia a dia de quem está na linha da frente da reparação automóvel.
O convite que deixo aos profissionais é que conheçam a Comma e permitam-nos que mostremos por que razão esta é uma marca feita para os mecânicos. Experimentem o nosso serviço e comprovem como podemos ajudar a tornar o vosso negócio mais eficiente, seguro e lucrativo.
