A relva estava impecavelmente cortada, o aroma a gasolina misturava-se com o dos pneus quentes e, acima de tudo, havia um céu limpo que fazia o termómetro disparar para valores pouco habituais em Inglaterra.
Foi debaixo de um calor sufocante que o Check-up acompanhou, no passado dia 10 de julho, um dos momentos mais aguardados do Goodwood Festival of Speed: a estreia mundial dos novos MG GO! e MG Cyber Concept.
Dois protótipos muito diferentes entre si, mas unidos pela mesma missão: mostrar como a marca pretende escrever o próximo capítulo da sua história.
MG GO!… ou 2
A apresentação pública aconteceu no festival criado em 1993 pelo Duque de Richmond para devolver vida à mítica colina de Goodwood e celebrar o automóvel em todas as suas formas.
Mas, na véspera, a MG já tinha reunido um pequeno grupo de jornalistas internacionais no evento MG Tech, onde o Check-up marcou presença, para levantar discretamente o véu sobre as suas mais recentes propostas tecnológicas.
Os dois concept cars eram as grandes estrelas da sessão, embora ainda protegidos por embargo até ao início oficial do festival.
O primeiro a captar atenções foi o MG GO!, um hatchback elétrico do segmento B que antecipa o futuro MG2, previsto para chegar ao mercado em 2027.
Será um dos principais rivais do Renault 5 E-Tech Electric e deixa perceber que a marca pretende entrar num dos segmentos mais disputados da Europa sem abdicar da emoção.
Desenhado no MG Design Centre, em Londres, pela equipa liderada por Carl Gotham, o MG GO! procura fugir ao caminho fácil da nostalgia. Há referências evidentes aos MGB GT, MG Metro Turbo, MG ZR e até ao irreverente MG EX4, mas reinterpretadas através de uma linguagem contemporânea, de inspiração retrofuturista.
As superfícies limpas, as proporções compactas e uma imagem simultaneamente elegante e irreverente procuram devolver personalidade a um segmento onde muitos modelos acabam por parecer demasiado semelhantes.
Não se trata de um simples exercício de estilo. O MG GO! pretende provar que um automóvel compacto pode continuar a despertar emoções, criando uma ligação com o condutor sem comprometer a funcionalidade do dia a dia.
E as suas linhas, apesar de se tratar de um protótipo, não deverão andar muito longe das que vierem a sair das linhas de produção. Mas, acima de tudo, trata-se de uma declaração de intenções sobre o caminho que a MG pretende seguir na mobilidade elétrica acessível.
MG Cyber: futuro ousado
Se o GO! olha para o grande público, o MG Cyber Concept representa o lado mais ambicioso da marca. Este SUV elétrico de elevadas prestações antecipa um futuro modelo do segmento D e demonstra que a filosofia desportiva da MG pode assumir novas formas.
A inspiração vem diretamente do lendário EX181, protagonista de recordes de velocidade em terra, mas o resultado é tudo menos um exercício saudosista.
O Cyber Concept apresenta uma silhueta musculada, superfícies esculpidas e uma postura muito afirmativa, procurando transmitir movimento mesmo quando está imóvel.
A proposta combina a versatilidade de um grande SUV com uma experiência de condução que a MG promete continuar a colocar no centro das suas prioridades.
A ideia passa por oferecer um automóvel capaz de responder ao quotidiano, às viagens longas e, ao mesmo tempo, proporcionar o prazer de condução que sempre fez parte da identidade da marca.
Robots a dançar
Além dos dois concept cars, a MG aproveitou Goodwood para mostrar o Future Motion Show, onde robots demonstraram algumas das tecnologias (e competências como dançarinos, numa coreografia digna de registo) que a marca está a desenvolver nas áreas da Inteligência Artificial, condução inteligente, sensores, câmaras, LiDAR e conectividade.
No espaço da MG, em pleno recinto do festival, estiveram igualmente expostos os mais recentes modelos da gama eletrificada, enquanto os MGS9 PHEV, MGS6 EV e Cyberster enfrentaram a icónica subida da Hill Climb.
Num festival onde a história do automóvel se encontra todos os anos com aquilo que ainda está para chegar, a MG ergueu o palco perfeito para mostrar que o futuro da marca britânica será elétrico, tecnológico e, acima de tudo, continuará a procurar conquistar quem gosta de conduzir.
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