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“Peças sem fronteiras”

Nem sempre o todo é maior do que a soma das partes. Na indústria portuguesa de componentes para automóveis, são, por vezes, as partes que explicam a dimensão do todo.

Cada empresa, cada fábrica, cada profissional e cada componente ajudam a construir uma indústria que encontrou nas exportações uma das suas principais forças.

Num país com um mercado interno limitado, olhar para fora não é apenas uma opção de crescimento. É uma necessidade. Exportar permite ganhar escala, diversificar clientes e mercados e, sobretudo, reduzir a dependência da economia nacional.

Mas significa, também, competir num palco mais exigente, onde qualidade, inovação, produtividade e capacidade de resposta fazem a diferença. A indústria nacional de componentes construiu, assim, uma posição relevante nas cadeias internacionais de valor.

A sua presença em diferentes mercados resulta de décadas de investimento, especialização e capacidade de adaptação. É, também, a prova de que o tamanho de um país não determina a dimensão da sua indústria.

Há, contudo, outras oportunidades a explorar. O aftermarket é uma delas. Como explica o presidente da AFIA, José Couto, em entrevista ao Check-up, o mercado de reposição representa uma parcela relevante da atividade das empresas portuguesas, existindo operadores que trabalham, exclusivamente, para este segmento e têm alcançado resultados expressivos.

"Os componentes portugueses já atravessam fronteiras. O desafio é garantir que continuam a fazê-lo com mais valor acrescentado, em mais mercados e com ambição renovada"

Num contexto de envelhecimento do parque automóvel europeu e de maior longevidade dos veículos, este mercado ganha importância. Para as empresas, o aftermarket pode significar diversificação, novos clientes e novas geografias.

E uma oportunidade para reduzir a exposição a ciclos específicos e construir modelos de negócio mais equilibrados. Não se trata de escolher entre equipamento de origem e mercado de reposição, mas de aproveitar as oportunidades existentes em ambos.

Neste contexto, a internacionalização continua a ser decisiva. Não apenas para vender mais, mas para construir empresas mais resilientes e menos dependentes de um único mercado.

Num momento em que a Europa procura reforçar a sua capacidade industrial, Portugal dispõe de uma base empresarial, conhecimento e experiência que não pode desperdiçar.

As peças portuguesas já atravessam fronteiras. O desafio é garantir que continuam a fazê-lo com mais valor acrescentado, em mais mercados e com ambição renovada.

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