O Douro segue tranquilo junto às instalações da Kikai Eventos, quase indiferente ao movimento constante que antecede a abertura de portas da expoMECÂNICA 2026, entre os dias 29 e 31 de maio, na Exponor, em Matosinhos.
Entre telefonemas, reuniões, decisões técnicas e os inevitáveis detalhes de bastidores, vive-se um ambiente de concentração absoluta em torno daquela que será a 10.ª e maior edição de sempre da feira.
Foi neste cenário, entre a serenidade do rio e a intensidade própria dos dias que antecedem um grande evento, que José Manuel Costa recebeu a equipa do Check-up.
Sem formalismos, sem necessidade de exibir cargos ou estatutos, o responsável da Kikai e da expoMECÂNICA mantém uma postura discreta e próxima, mais focada no trabalho e na equipa do que em protagonismos pessoais.
Ao longo da conversa, percebe-se, rapidamente, que a edição de 2026 da expoMECÂNICA representa muito mais do que um marco simbólico. Representa a afirmação de um aftermarket português mais moderno, tecnológico e preparado para enfrentar uma transformação que já está em curso.
Hoje, fala-se de Inteligência Artificial, eletrificação, conectividade, diagnóstico avançado e gestão digital de oficinas com a mesma naturalidade com que, há uns anos, se falava apenas de mecânica tradicional.
A feira cresceu com o setor e acompanha a velocidade a que o mercado evolui. Mais internacional, mais tecnológica e mais especializada, a expoMECÂNICA procura posicionar-se como um verdadeiro ponto de encontro para empresas, oficinas, técnicos e decisores que pretendem perceber para onde caminha a mobilidade e o pós-venda automóvel.
Sempre por perto, Sónia Rodrigues acompanha cada movimento de uma organização que funciona em permanência. Entre validações, coordenação de equipas e contactos constantes, surge como uma presença discreta, mas essencial, numa engrenagem que se prepara para receber milhares de profissionais.
Há, também, um detalhe que marca esta conversa: José Manuel Costa raramente fala da feira como uma conquista individual. Prefere destacar o setor, os parceiros, os expositores e as equipas.
Talvez porque saiba que o verdadeiro crescimento da feira acompanha a própria expansão de todo o aftermarket português. E enquanto o Douro continua o seu percurso silencioso ali ao lado, dentro da Kikai prepara-se uma edição que pretende confirmar algo maior do que o sucesso de uma feira: a maturidade de um setor que continua a evoluir sem perder a proximidade que sempre o definiu.
Quando os leitores estiverem a ler esta entrevista, a expoMECÂNICA 2026 estará prestes a abrir portas. O que ainda está a ser afinado nos bastidores?
Estamos naquela fase decisiva em que tudo ganha forma. Nos bastidores da expoMECÂNICA, cada detalhe está a ser afinado com rigor e sentido de responsabilidade para com o setor da reparação e do pós-venda automóvel.
Da logística de montagem aos fluxos de visitantes, das plataformas digitais às demonstrações técnicas, tudo está a ser preparado para garantir uma experiência fluida, tecnológica e próxima.
As equipas trabalham de forma coordenada, validando stands e artes finais, testando soluções digitais, acompanhando equipamentos vindos de vários mercados e garantindo que cada demonstração decorra com rigor.
Acima de tudo, queremos que cada profissional que entre na Exponor sinta de imediato que está num espaço de encontro, conhecimento e confiança, onde o setor reconhece o caminho feito e se prepara para os desafios que aí vêm.
Com os objetivos comerciais superados, houve necessidade de ajustar o conceito?
Mais do que ajustar, sentimos necessidade de ampliar o conceito. O forte desempenho comercial confirmou aquilo em que sempre acreditámos: o setor precisava de uma plataforma mais robusta, dinâmica e preparada para responder às mudanças da mobilidade e da reparação automóvel.
“Hoje, a expoMECÂNICA vai além da exposição tradicional. É um espaço onde negócio, tecnologia, formação, networking e visão estratégica se cruzam”
Mantivemos o ADN da expoMECÂNICA enquanto principal ponto de encontro do aftermarket português, mas demos um passo em frente na ambição. Reforçámos áreas temáticas, criámos novas experiências, aumentámos os conteúdos técnicos e transformámos a feira num espaço ainda mais orientado para a inovação e o conhecimento.
Hoje, a expoMECÂNICA vai além da exposição tradicional. É um espaço onde negócio, tecnologia, formação, networking e visão estratégica se cruzam de forma natural, sempre com atenção ao futuro que o setor está a construir.
Onde é que o visitante vai sentir a evolução de forma mais clara?
Logo à entrada da feira. O visitante vai sentir a evolução na dimensão do evento, na energia, na presença internacional e, sobretudo, no reforço da componente tecnológica desta edição.
A fronteira entre a mecânica tradicional e a tecnologia avançada praticamente desapareceu. Hoje, o aftermarket é um setor mais especializado, digitalizado e preparado para os desafios da nova mobilidade.
Nesta edição, os profissionais vão encontrar soluções de diagnóstico inteligente, tecnologias ADAS, plataformas digitais de gestão, eletrificação, realidade aumentada, economia circular e novas abordagens à eficiência e à sustentabilidade.
Mais do que percorrer corredores de expositores, o visitante terá a perceção de estar em contacto direto com o futuro da reparação automóvel. E, isso, reforça algo essencial: o orgulho num setor resiliente, inovador e determinante para a mobilidade atual.
Que argumentos darias a quem já visitou a feira antes para regressar este ano?
Diria, com convicção, que o setor mudou muito nos últimos dois anos, talvez mais do que em toda a década anterior. Quem visitou a feira em 2024, encontrará, agora, uma realidade mais inteligente, conectada, tecnológica e exigente.
Esta edição não é apenas maior. É mais madura, mais imersiva e mais orientada para soluções concretas. Os visitantes vão encontrar ferramentas ligadas à Inteligência Artificial, à eletrificação, à manutenção preditiva, à conectividade, ao software de gestão e a novas soluções para aumentar a eficiência e a rentabilidade das oficinas.
Regressar à expoMECÂNICA é investir no futuro do próprio negócio. É perceber, de forma prática, como será o aftermarket nos próximos anos e garantir que a oficina, a empresa ou a equipa estão preparadas para acompanhar essa evolução.
Que impacto tem a presença internacional para as empresas portuguesas?
A presença internacional tem um impacto muito positivo e estratégico para o setor nacional. É uma oportunidade para as empresas portuguesas se posicionarem lado a lado com outros protagonistas internacionais do aftermarket.
Trazer marcas, fabricantes e profissionais internacionais à expoMECÂNICA é colocar Portugal no radar global da reparação e do pós-venda automóvel. Para muitas empresas nacionais, esta é uma oportunidade de criar parcerias, abrir portas à exportação e à importação, acompanhar tendências e comparar-se com o que de mais avançado se faz no mundo.
É uma forma de competir num palco internacional sem sair do país. Isso gera confiança, competitividade e crescimento. O conhecimento circula, as oportunidades multiplicam-se e o setor português ganha projeção, preparação e reconhecimento internacional.
Qual foi o momento mais exigente na preparação desta 10.ª edição?
O maior desafio foi gerir o crescimento sem perder a essência da expoMECÂNICA. Esta 10.ª edição traz uma responsabilidade acrescida, porque representa um marco simbólico para todos nós e para o próprio setor.
Tivemos de reorganizar espaços, reforçar equipas, ajustar fluxos logísticos e acomodar um crescimento muito significativo de expositores e visitantes, garantindo, ao mesmo tempo, qualidade, proximidade e uma experiência consistente.
Foi um exercício intenso de planeamento, equilíbrio e dedicação. Mas, também, muito gratificante, porque este crescimento reflete a vitalidade do setor e a confiança depositada na expoMECÂNICA e no futuro do aftermarket português.
Que “retrato” do aftermarket esperas ver refletido?
Esperamos ver o retrato de um setor moderno, resiliente, qualificado e em transformação. O aftermarket atual já não vive apenas da mecânica tradicional. Combina conhecimento técnico, digitalização, eletrificação, conectividade e sustentabilidade.
Hoje, as oficinas transformaram-se em verdadeiros centros tecnológicos. Há menos improviso e mais especialização, menos reação e mais diagnóstico inteligente, menos processos isolados e mais integração digital.
A expoMECÂNICA 2026 será o reflexo dessa evolução: um setor que mantém a paixão pelo automóvel e o orgulho no trabalho técnico, mas que soube reinventar-se e preparar-se para os desafios da mobilidade do futuro.
Que ferramentas digitais vão fazer a diferença na experiência da feira?
A digitalização terá um papel central nesta edição. A aplicação oficial da expoMECÂNICA foi reforçada para funcionar como um verdadeiro guia de visita, tornando a experiência mais inteligente, eficiente e produtiva.
Com um scan no Guia do Visitante ou numa das plantas, os visitantes poderão consultar planta interativa, criar agendas personalizadas, agendar reuniões, identificar expositores relevantes e produtos, guardar contactos e aceder a informação técnica em tempo real, a captação de contactos através do sistema de smart badge.
"Regressar à expoMECÂNICA é investir no futuro do próprio negócio. É perceber, de forma prática, como será o aftermarket nos próximos anos”
Além disso, a plataforma de matchmaking vai facilitar ligações entre empresas e profissionais com interesses comuns, através da criação de marketplaces de cada expositor, potenciando oportunidades concretas de negócio.
O nosso objetivo é simples: maximizar o valor de cada minuto passado na Exponor e tornar a experiência física da feira mais intuitiva, útil e eficaz com o apoio do digital.
Como está estruturada a feira para o visitante exigente e informado?
A feira foi pensada com funcionalidade e respeito pelo tempo do profissional. Sabemos que o visitante atual é informado e procura objetividade, experiência prática e soluções concretas.
Por isso, cada pavilhão da expoMECÂNICA integra áreas temáticas e zonas de especialização dedicadas a equipamentos oficinais, peças, pintura e carroçaria, eletrificação, tecnologia, gestão e mobilidade.
Reforçámos, também, as demonstrações ao vivo, os workshops e os conteúdos técnicos, porque o profissional de hoje não procura apenas informação: procura validação prática, contacto direto com a tecnologia e respostas aplicáveis ao seu negócio. Queremos que cada visitante saia da feira com ideias novas, ferramentas úteis e decisões mais sólidas para o futuro.
Que perfil de visitante consideras mais estratégico?
O visitante mais estratégico é aquele que olha para o futuro com ambição e vontade de evoluir. Falamos de donos de oficinas, gestores de frota, distribuidores, responsáveis de compras, técnicos especializados e empresários que procuram modernizar os seus negócios e adaptar-se às novas exigências da mobilidade.
Há, também, uma atenção especial às novas gerações. Os jovens técnicos e estudantes representam o futuro do aftermarket e terão um papel decisivo na transformação tecnológica do setor.
Queremos atrair profissionais com curiosidade, espírito empreendedor e vontade de aprender. Pessoas que transformam conhecimento em ação, contactos em oportunidades e inovação em crescimento.
Que áreas vão assumir maior protagonismo nesta edição?
A eletrificação e os veículos híbridos continuarão a ter grande destaque, mas esta edição será, também, marcada pelo crescimento das soluções digitais, do diagnóstico avançado e da gestão inteligente de oficinas.
A conectividade, a telemática, a economia circular, a regeneração de componentes e as soluções sustentáveis estarão, igualmente, em evidência, refletindo a transformação que o setor atravessa.
Estamos perante um aftermarket cada vez mais tecnológico, eficiente e preparado para responder às novas exigências da mobilidade contemporânea. E a expoMECÂNICA será palco dessa transformação.
O que define o verdadeiro sucesso desta edição?
O verdadeiro sucesso mede-se pelo impacto que a feira gera depois de terminar. Mais do que os números, interessa-nos saber que os expositores concretizaram bons negócios, que os visitantes regressaram às suas empresas com novas ideias e que o setor saiu mais forte, mais preparado e mais unido.
Se, daqui a alguns meses, uma oficina disser que modernizou processos, investiu em tecnologia ou encontrou novas oportunidades graças ao que viveu na expoMECÂNICA, então teremos cumprido a nossa missão. Queremos ser mais do que um evento. Queremos ser um motor de transformação positiva para o aftermarket português.
O que continua a distinguir a expoMECÂNICA?
A sua autenticidade e a ligação ao setor. É uma feira tecnológica, internacional e profissional, feita por pessoas, expositores, associações e media partners que conhecem, de perto, a realidade das oficinas, dos distribuidores e dos profissionais do pós-venda automóvel.
Aqui, fala-se de Inteligência Artificial, eletrificação e conectividade, sem perder a proximidade humana, o conhecimento do terreno e a ligação genuína ao automóvel. O negócio faz-se com profissionalismo, mas, também, com confiança, relação e espírito de comunidade.
É essa combinação entre inovação, competência técnica e proximidade que torna a expoMECÂNICA num ponto de encontro tão relevante para o setor.
Ainda há espaço para surpreender ou o desafio é consolidar?
Há espaço e vontade para fazer as duas coisas. Consolidar a credibilidade construída ao longo de 10 edições é fundamental, mas surpreender continua a ser uma parte importante da nossa identidade.
Num setor em permanente transformação, deixar de inovar seria deixar de evoluir. Por isso, esta edição aposta em experiências mais imersivas, demonstrações técnicas fortes, novas áreas de networking e ativações pensadas para tornar a visita ainda mais memorável.
Queremos que o visitante sinta a energia de um grande evento internacional, comparável aos principais encontros europeus do aftermarket, sem perder a proximidade e a autenticidade que fazem parte do ADN da expoMECÂNICA.
Qual será o teu primeiro pensamento quando as portas abrirem?
Quando as portas abrirem, o meu primeiro pensamento será: “Conseguimos”. Será um momento de orgulho, gratidão e emoção. Ver os corredores cheios de profissionais, empresas, técnicos, estudantes e empresários confirmará que todo o esforço valeu a pena.
“Queremos ser mais do que um evento. Queremos ser um motor de transformação positiva para o aftermarket português”
Nesse momento, sente-se algo muito especial: a confirmação de que o trabalho da nossa equipa valeu a pena e a certeza de que o setor da reparação e do pós-venda automóvel continua vivo, forte, resiliente e preparado para o futuro.
Cada conversa, cada demonstração, cada aperto de mão e cada negócio concretizado representam mais do que uma feira. Representam uma indústria inteira em movimento.
Haverá, também, uma profunda gratidão por podermos ser o palco onde o aftermarket português se encontra, se inspira e continua a avançar rumo ao futuro.