A Galp e os acionistas da Moeve decidiram terminar as negociações sobre uma potencial combinação das respetivas atividades de downstream, depois de um período de conversações aprofundadas sem que fosse possível alcançar um entendimento comercial.
“O desfecho põe fim a uma operação que ambicionava criar um dos grandes operadores europeus do setor, mas que não chegou a reunir as condições necessárias para avançar”, avança a Galp, em comunicado.
O processo teve origem no acordo não vinculativo anunciado a 8 de janeiro de 2026. Apesar do empenho das partes em explorar os benefícios estratégicos de uma eventual integração dos negócios, as divergências impediram a construção de uma parceria considerada “sustentável e geradora de valor a longo prazo”.
Oportunidade perdida
Em reação ao desfecho, Paula Amorim, presidente do Conselho de Administração da Galp, lamenta a “oportunidade perdida”, sublinhando que “não foi possível alcançar um acordo que permitisse concretizar uma oportunidade de elevado potencial para a criação de um grande operador europeu de downstream”.

A responsável considera, contudo, que “o racional estratégico subjacente à operação proposta continua a fazer sentido”, apesar da ausência do alinhamento comercial necessário.
A Galp garante que o “fim das negociações não terá qualquer impacto nas operações em curso nem altera a confiança no potencial de criação de valor autónomo do seu negócio de downstream”.
Em Portugal, a empresa mantém uma posição de destaque, sustentada por uma rede de retalho líder e por investimentos relevantes na transformação energética do complexo industrial de Sines.
“Entre os projetos em desenvolvimento, estão um dos maiores empreendimentos europeus de produção de hidrogénio verde por eletrólise e uma unidade de produção de biocombustíveis avançados, iniciativas que integram a estratégia de transformação industrial e de descarbonização da energética portuguesa”, revela.

Consolidação do setor
A empresa mantém, também, a convicção de que a “consolidação do setor poderá abrir oportunidades para reforçar a competitividade, ganhar escala e aumentar a capacidade de investimento”, sublinha a Galp. Ainda assim, qualquer futura parceria terá de assentar num alinhamento estratégico e comercial sólido.
No plano financeiro, a Galp assegura que os “fundamentos da sua atratividade enquanto investimento permanecem intactos”. A estratégia continua ancorada num portefólio de upstream com perspetivas de crescimento da produção, numa posição financeira sólida e em negócios industriais e comerciais robustos, complementados pelas atividades de energias renováveis e trading.
Paula Amorim salienta que a “disciplina na alocação de capital e a criação de valor a longo prazo continuarão a orientar as decisões do grupo”. A responsável destaca ainda a “capacidade de geração de caixa e a solidez do balanço como fatores que permitem à empresa prosseguir os seus planos de crescimento e investimento”.
Apesar do fracasso das negociações com a Moeve, a Galp mantém, assim, o “rumo estratégico definido: transformar os seus negócios, otimizar o portefólio e explorar parcerias que contribuam para reforçar a competitividade e assegurar um crescimento sustentável”.
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