O preço dos automóveis novos está a levar muitos portugueses a olhar para o mercado de segunda mão. Segundo um estudo do Observador Cetelem, marca do BNP Paribas Personal Finance, “53% dos portugueses planeia adquirir um veículo usado, enquanto 93% considera que os carros novos estão demasiado caros”.
Pressão do preço
O estudo, intitulado “Setor Automóvel: Cinco vias para a retoma”, indica que fatores como preço, políticas públicas, ligação emocional às marcas, design e oferta comercial são determinantes para revitalizar um setor com forte peso económico e social.
Apesar da pressão dos preços, os automóveis continuam a ter uma imagem positiva entre os consumidores portugueses. De acordo com a análise, “94% dos inquiridos afirma ter uma boa imagem dos carros novos, acima da média internacional (92%), enquanto 85% mantém uma opinião favorável sobre os usados, também superior à média global”, revela o Observador Cetelem.
Ainda assim, a perceção de subida dos preços é generalizada: “92% dos portugueses acredita que os preços aumentaram, significativamente, nos últimos anos e 60% considera que essa subida não é justificada”, diz.
Parque envelhecido
Este contexto ajuda a explicar as intenções de compra. “Nos próximos cinco anos, 53% dos portugueses admite comprar um carro usado, acima da média internacional (51%), enquanto 49% pondera adquirir um automóvel novo, valor inferior à média global de 58%”, afirma.
O estudo sublinha, também, o impacto das crises recentes no mercado europeu. “Entre 2015 e 2019, as vendas anuais de automóveis na Europa rondavam os 17 milhões de unidades, mas entre 2020 e 2024 caíram para 11,75 milhões, criando um défice estimado de 20 milhões de veículos e contribuindo para o envelhecimento do parque automóvel”, destaca a mesma fonte.
Menos equipamento
Em Portugal, segundo dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP), a produção atingiu 260 mil veículos em 2024, “mais 8,3% do que em 2023, enquanto as vendas chegaram às 240 mil unidades, um crescimento de 4,4%”. A tendência manteve-se no “primeiro semestre de 2025, com 143 mil viaturas comercializadas, mais 4,2% em termos homólogos”.
Para muitos consumidores, a solução passa por automóveis novos mais simples e acessíveis. O estudo indica que “62% dos portugueses preferiria veículos com menos equipamentos e opções, de forma a reduzir o preço final. Entre as alterações apontadas, estão a simplificação de elementos como jantes e cores (40%), a redução do tamanho do veículo (23%) ou mesmo da potência do motor (20%)”.
E os elétricos?
No campo da mobilidade elétrica, a maioria dos portugueses reconhece a necessidade de reduzir o impacto ambiental do parque automóvel: “92% considera importante essa transição”.
No entanto, persistem obstáculos, como os preços elevados e a falta de clareza nas políticas públicas. “Apenas 18% dos inquiridos considera claras as medidas de apoio à compra de veículos elétricos, abaixo da média europeia”.
Segundo David Correia, diretor de mobilidade do Observador Cetelem, o setor atravessa uma “fase de mudança profunda”. O responsável sublinha que “existe uma procura clara por automóveis novos mais simples e acessíveis ao poder de compra das famílias, acrescentando que, enquanto isso não acontecer, o mercado de usados continuará a ser a escolha natural de muitos portugueses”.
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