powered by

Bosch aposta em injeção para motores marítimos

Novo injetor permite utilizar hidrogénio, metanol, etanol e amoníaco em grandes motores, reduzindo emissões no transporte marítimo.
Check-up Media Bosch boat

A Bosch está a desenvolver “novas soluções de injeção destinadas aos grandes motores marítimos, com o objetivo de facilitar a utilização de combustíveis alternativos e contribuir para a redução das emissões no transporte marítimo”, avança o gigante tecnológico, em comunicado.

A tecnologia foi apresentada na SMM 2026, em Hamburgo, onde a Bosch destacou um “novo injetor capaz de funcionar com diferentes combustíveis, incluindo hidrogénio, metanol, etanol e amoníaco, tanto em aplicações com combustíveis líquidos como gasosos”.

Componentes de injeção

“O transporte marítimo representa, atualmente, entre 2 e 3% das emissões globais de carbono de origem humana e assegura cerca de 80% do transporte internacional de mercadorias”, revela.

Ao mesmo tempo, o tráfego marítimo mundial deverá continuar a crescer nos próximos anos, aumentando a pressão para encontrar soluções de propulsão com menor impacto ambiental.

“Os nossos esforços de desenvolvimento estão, agora, focados em componentes de injeção e de insuflação de ar para combustíveis alternativos líquidos e gasosos”, explica Stefan Schenk, responsável pela unidade de negócio de Grandes Motores da divisão Power Solutions da Bosch.

Check-up Media Bosch boat 2
Vários combustíveis

“O novo injetor da Bosch foi concebido para operar com diferentes combustíveis, incluindo hidrogénio, metanol, etanol e amoníaco”, afirma a Bosch. “O seu design pode ser adaptado às exigências específicas de cada aplicação e permite tanto a injeção no coletor de admissão como a injeção direta de baixa pressão”, sublinha a empresa.

A tecnologia está, atualmente, a ser testada por clientes asiáticos. A utilização destes combustíveis coloca, contudo, desafios técnicos específicos. “No caso do metanol, por exemplo, é necessário adaptar os processos de combustão, garantir arranques a frio fiáveis e assegurar a compatibilidade dos materiais. A menor lubricidade do combustível também pode aumentar o desgaste dos componentes”, explica o fabricante germânico.

Por esse motivo, a Bosch salienta que os produtos atualmente existentes “não são adequados para funcionar com metanol ou amoníaco sem as necessárias modificações”, acrescenta a empresa no comunicado, garantindo ainda a disponibilização de “válvulas de injeção específicas para a introdução, no coletor de admissão, de combustíveis gasosos como gás natural, hidrogénio ou amoníaco”.

Transporte marítimo

Os atuais sistemas de injeção da Bosch são utilizados, sobretudo, em “motores de grande dimensão, de média e alta velocidade, incluindo aplicações em ferries, rebocadores, iates e sistemas de geração de energia a bordo de grandes navios porta-contentores e cargueiros”.

A Bosch já dispõe de “componentes compatíveis com combustíveis drop-in, como o biodiesel e o Diesel parafínico”, diz. “Quando utilizados com os combustíveis adequados, estes componentes podem contribuir para a redução das emissões de carbono sem exigir uma mudança completa da tecnologia de propulsão”.

Check-up Media Bosch

A experiência adquirida no desenvolvimento de sistemas para combustíveis alternativos poderá, também, ser aplicada a outros setores que recorrem a grandes motores, como maquinaria de construção, locomotivas e motores estacionários.

Investimento em metanol

Para acelerar o desenvolvimento destas tecnologias, a Bosch colocou recentemente em funcionamento uma infraestrutura dedicada ao metanol no seu centro de engenharia em Hallein, na Áustria.

“O projeto envolveu um investimento de dezenas de milhões de euros e reforça o papel da unidade como centro mundial de competência da Bosch para sistemas de injeção destinados a grandes motores”, assegura.

Segundo a Bosch, a “descarbonização destes motores exige uma combinação de diferentes tecnologias, sobretudo em aplicações onde a eletrificação apresenta limitações e os combustíveis sintéticos renováveis poderão assumir um papel relevante”, acrescenta a empresa.

Com o desenvolvimento de sistemas de injeção adaptados a combustíveis como hidrogénio, metanol e amoníaco, a Bosch pretende preparar esta tecnologia para futura produção em série e utilização pelos seus clientes.

Mais sobre a Bosch aqui.

artigos relacionados

Últimas

Internacional

Pneus

Internacional