Super íman da Eni abre as portas à energia nuclear italiana

Sucesso no teste do super íman da Eni, que controlará o plasma da fusão nuclear, indica que a energia limpa em grande escala está cada vez mais próxima.

Foi um sucesso o primeiro teste do super íman da Eni, necessário para controlar a fusão nuclear. Foi a própria marca a anunciá-lo, a qual participa neste ambicioso projeto através da Commonwealth Fusion Systems (CFS – empresa na qual os italianos são os acionistas maioritários), junto do prestigiado Massachusetts Institute of Tecnology (MIT) de Boston.

O teste ocorreu no dia 5 de setembro de 2021, mas foi validado pelos dados recolhidos no dia 7 e confirmaram o desempenho do super íman que deverá conter a fusão nos reatores e controlar o “plasma” do deutério e do trítio. O CFS planeia construir o primeiro reator experimental até 2025 e produzir energia para a rede já na próxima década.

Confirmou-se, assim, o êxito de três anos de trabalho na investigação e desenvolvimento: pela primeira vez, um grande eletroíman supercondutor de alta temperatura foi elevado a uma intensidade de campo de 20 tesla, o campo magnético mais poderoso deste tipo já criado no planeta.

O teste ajuda a resolver a maior incerteza na pesquisa necessária para construir a primeira central elétrica de fusão nuclear no mundo. Num momento histórico, em que existe pressão na pesquisa por eletricidade de baixo custo e sem emissões nocivas, depois de o ministro italiano para a Transição Ecológica, Roberto Cingolani, durante o Fórum de Cernobbio, ter voltado a voltado a falar em energia nuclear de nova geração, este resultado abre caminho para a criação de centrais elétricas de baixo custo e sem emissões de carbono, que poderiam dar uma contribuição importante para limitar os efeitos das alterações climáticas.

“Para entender a diferença com a fissão nuclear, banida da Itália após o desastre de Chernobyl, convém relembrar que estamos a falar sobre a replicação do processo que alimenta o sol de forma controlada. A fusão de dois átomos para fazer um maior, libertando grandes quantidades de energia”, refere o comunicado da Eni.

“Mas o processo requer temperaturas muito para além do que qualquer material sólido poderia suportar. Para captar a fonte de energia do sol no nosso planeta, é preciso uma forma de capturar e conter algo tão quente (100 milhões de graus e mais), suspendendo-o no limite que o impede de entrar em contacto com qualquer coisa sólida, fundido instantaneamente”, acrescenta.

Mais: “É possível fazê-lo utilizando campos magnéticos intensos que formam uma espécie de ‘garrafa invisível’ para conter o plasma de protões e eletrões. Como essas partículas têm carga elétrica, são fortemente influenciadas por campos magnéticos e a configuração mais usada para contê-las é um dispositivo em forma de donut chamado Tokamak”, explica a Eni.

No mesmo documento, pode ler-se que os “eletroímans de cobre convencionais sempre foram usados para criar campos magnéticos, mas a versão mais recente e melhor deles, que está em construção em França e é chamada de Iter, usa os chamados supercondutores de baixa temperatura”.

No projeto de fusão MIT-CFS, a inovação está na utilização de supercondutores de alta temperatura, que permitem um campo magnético muito mais forte num espaço reduzido em 40 vezes comparativamente ao que seria necessário com tecnologias mais antigas.

O próximo passo para a realização da fusão nuclear será a construção de um modelo em escala reduzida da central planeada e, se bem-sucedida, demonstrará que uma central elétrica de fusão nuclear é possível, abrindo caminho para a sua construção com a certeza de ter toda a energia disponível que a humanidade precisa para manter o planeta habitável.

Esta notícia chega após a abertura feita pelo Ministro para a Transição Ecológica, Cingolani, que afirmou estar pronto para estudar o benefício de projetos relacionados com a energia nuclear de quarta geração, como está a acontecer em outros países (na Europa e não só). Afirmações que têm, de resto, suscitado profunda polémica, principalmente entre aqueles totalmente contrários a qualquer hipótese de utilização deste tipo de tecnologia.

Mais sobre a Eni aqui.

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