Com o novo IONIQ 3, a Hyundai parece voltar a encontrar o caminho do consenso estético. Depois do sucesso do IONIQ 5, a marca sul-coreana apresentou propostas que dividiram opiniões, como aconteceu com as gerações mais recentes de Kauai e IONIQ 6.
Afinal, o design é uma questão de gosto, mas não deixa de ter consequências comerciais. E, embora as vendas não dependam, exclusivamente, da aparência, são um barómetro importante para perceber a forma como o mercado recebe as opções de cada fabricante.
Castanheira do Ribatejo, terra ligada às tradições tauromáticas e à equitação, foi o cenário escolhido para a apresentação nacional do novo Hyundai IONIQ 3.
Com 4,16 metros de comprimento, cinco portas e uma distância entre eixos de 2,68 metros, este elétrico procura conciliar dimensões exteriores compactas com um aproveitamento do espaço interior que promete surpreender.

O preço de entrada, de €33.500, coloca-o perante concorrentes de diferentes filosofias e dimensões. Mas é a combinação entre eficiência aerodinâmica, rapidez de resposta e funcionalidade que poderá definir a sua posição neste mercado.
Desenho convence
A Hyundai chama-lhe “Art of Steel”. A nova linguagem de design explora a forma como o aço é moldado, recorrendo a superfícies depuradas, vincos bem definidos e assinatura luminosa em pixels, característica da família IONIQ.
A silhueta “Aero Hatch” é um dos elementos centrais do projeto. O coeficiente aerodinâmico anunciado é de 0,263, valor particularmente interessante num automóvel desta categoria, onde a resistência ao ar influencia, diretamente, o consumo e a autonomia, sobretudo em autoestrada.
A cor encarnada mate da unidade que conhecemos na apresentação nacional reforçava a personalidade do conjunto e contribuiu para destacar as linhas da carroçaria.

A reação maioritariamente positiva ao desenho confirma que a Hyundai encontrou uma fórmula visual capaz de despertar interesse sem recorrer a soluções excessivamente elaboradas.
A frente, a linha do tejadilho e a secção traseira foram desenhadas para conciliar eficiência e habitabilidade. O resultado distingue-se dos compactos convencionais e procura encontrar um equilíbrio próprio entre hatchback e uma carroçaria de perfil aerodinâmico.
Primeiros quilómetros
No curto ensaio dinâmico realizado, o IONIQ 3 revelou uma agilidade que merece destaque. Nas curvas, a carroçaria transmite uma sensação de controlo e o conjunto parece beneficiar do trabalho aerodinâmico e da arquitetura concebida para este modelo.
A resposta ao acelerador é rápida, como habitualmente acontece nos automóveis elétricos, com a disponibilidade imediata de binário a facilitar as acelerações e as recuperações de velocidade.

A tração dianteira e a plataforma K3 constituem a base técnica de um modelo que procura equilibrar facilidade de condução, eficiência e utilização quotidiana.
Interior funcional
O habitáculo segue uma filosofia funcional, com atenção à organização dos comandos e ao aproveitamento do espaço. A Hyundai recorre ao conceito “Furnished Space”, inspirado no mobiliário contemporâneo, e combina superfícies de desenho simples com soluções destinadas a facilitar a vida a bordo.
O piso plano na zona traseira é uma vantagem para os passageiros, embora não resolva todas as limitações de um automóvel compacto. Em nossa opinião, os lugares posteriores serão mais confortáveis para dois adultos.
Até porque, quem viajar ao centro terá menos conforto, pelo que a existência de um piso sem túnel central não basta para garantir o mesmo espaço a três ocupantes.

À frente, a montagem dos elementos que observámos pareceu cuidada. Ainda assim, alguns plásticos mais rígidos nos painéis das portas destoam ligeiramente de uma apresentação interior que, no restante, procura transmitir modernidade e qualidade percebida. É uma opção de materiais que merece ser avaliada tendo em conta o posicionamento de preço do modelo.
Mas o ponto alto é a bagageira. A Hyundai anuncia uma capacidade de 441 litros, incluindo uma solução complementar denominada “Megabox”, com 119 litros. Na prática, o compartimento inferior, escondido sob o piso principal, representa uma vantagem para arrumar objetos que, de outra forma, ficariam soltos ou ocupariam espaço útil.
A ausência de roda suplente permite aproveitar esse volume adicional, embora implique recorrer à solução de reparação prevista para um eventual furo. A utilidade do compartimento depende, naturalmente, da forma como cada utilizador organiza a bagagem, mas é uma das soluções mais interessantes do IONIQ 3.
Mais do que um ecrã
O IONIQ 3 estreia na Europa o sistema de infoentretenimento “Pleos Connect”, baseado no Android Automotive OS. Consoante a versão, o ecrã central tem 12,9” ou 14,6”, integrando navegação conectada, planeamento de rotas para automóveis elétricos e atualizações remotas de software.

O assistente de voz Gleo AI permite interagir com determinadas funções através de linguagem natural. A conectividade inclui Apple CarPlay e Android Auto sem fios, serviços Bluelink e Plug & Charge em postos compatíveis.
No domínio da segurança, o conjunto Hyundai SmartSense reúne sistemas de assistência à condução e estacionamento. Entre os equipamentos disponíveis, conforme a versão, encontram-se assistência à condução em autoestrada HDA2, cruise control inteligente baseado na navegação NSCC2, câmara de visão de 360°, monitorização do ângulo morto e assistência remota inteligente ao estacionamento.
A presença de sete airbags de série é outro dado relevante. A disponibilidade de cada sistema deve, no entanto, ser confirmada no equipamento específico de cada versão, porque nem todas as funcionalidades são necessariamente comuns à gama completa.
A garantia anunciada para Portugal é de sete anos, sem limite de quilómetros, acompanhada por sete anos de assistência em viagem.

Quatro versões
A gama portuguesa do Hyundai IONIQ 3 apresenta quatro configurações, distribuídas por três níveis de equipamento: Trend, Select e N Line. A oferta combina duas capacidades de bateria, permitindo escolher entre uma versão de entrada com uma proposta de preço mais acessível e configurações de maior autonomia e equipamento.
A versão Trend Standard Range, equipada com bateria de 42 kWh e motor de 147 cv, custa €33.500. É a porta de entrada na gama e poderá responder às necessidades de quem privilegia a utilização urbana e os percursos diários.
Por mais €2.850, a Select Long Range, com bateria de 61 kWh e 135 cv, custa €36.350. A maior capacidade da bateria traduz-se numa autonomia combinada anunciada superior a 497 km, de acordo com dados da marca.
A Trend Long Range, também com bateria de 61 kWh e motor de 135 cv, tem um preço de €38.350. A diferença de €2.000 face à Select torna particularmente importante comparar o equipamento incluído em cada configuração antes de tomar uma decisão.

No topo da gama encontra-se a N Line Long Range, por €41.900. Esta versão distingue-se pelos elementos exteriores específicos, pelas jantes de 18” e pelos acabamentos próprios no habitáculo, conferindo ao compacto elétrico uma imagem de carácter mais desportivo.
A diferença entre a versão de entrada e a N Line é de €8.400. A escolha deverá depender não apenas do orçamento, mas, também, dos quilómetros percorridos habitualmente, da facilidade de carregamento e da importância atribuída ao equipamento e à autonomia.
Duas baterias, duas estratégias
O Hyundai IONIQ 3 utiliza a plataforma K3, com arquitetura elétrica de 400 Volt e tração dianteira. A gama inclui uma bateria de 42,2 kWh, associada a um motor de 147 cv, e uma bateria de 61 kWh, combinada com um motor de 135 cv.
A Hyundai anuncia mais de 344 km de autonomia combinada WLTP para a versão Standard Range e mais de 497 km para a Long Range. Nesta última, a autonomia pode atingir 687 km em ciclo urbano (valores a confirmar pelo Check-up em teste mais prolongado).

Em carregamento rápido de corrente contínua, a marca indica cerca de 29 minutos para a bateria de 42 kWh passar dos 10 aos 80% e, aproximadamente, 30 minutos na bateria de 61 kWh, em condições ideais. Em corrente alternada, a potência de carregamento pode atingir 11 kW.
Principais rivais do Hyundai IONIQ 3? Renault Mégane E-Tech (100% elétrico), CUPRA Born, Peugeot E-308, Volkswagen ID.3, BYD Dolphin e Kia EV3.
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