As exportações portuguesas de componentes para automóveis “recuaram 7,8% entre janeiro e agosto de 2026, face ao período homólogo, para cerca de 7,6 mil milhões de euros”, segundo dados divulgados pela Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA). “Em agosto, as vendas ao exterior diminuíram 7,2%, para, aproximadamente, 650 milhões de euros”.
Apesar da quebra, o setor mantém um peso relevante na economia nacional, “representando, atualmente, 14% das exportações portuguesas de bens transacionáveis”, revela a AFIA. “A Europa continua a ser o principal destino dos componentes produzidos em Portugal, absorvendo 87,3% do total exportado nos primeiros oito meses do ano. Neste mercado, contudo, as vendas diminuíram 8,7%”, destaca.
Espanha como destino
“Espanha mantém-se como o maior destino das exportações portuguesas do setor, com uma quota de 28%, seguida da Alemanha, com 20%, e de França, com 9,4%. Entre janeiro e agosto, as vendas para Espanha caíram 10,3% e para a Alemanha 15,2%. França registou uma evolução positiva, com um crescimento de 2,4%”, sublinha a associação, em comunicado.
“Fora da Europa, as exportações aumentaram 19,7% para África e Médio Oriente e 9,9% para Ásia e Oceânia. Já no continente americano, registou-se uma descida de 20,8%”, acrescenta a AFIA.
Perante este cenário, a AFIA alerta para a “pressão competitiva sobre os fabricantes nacionais” e defende a “criação de condições que permitam reforçar o investimento, a produtividade e a capacidade tecnológica da indústria”.

A associação considera que estes fatores são essenciais para responder às transformações do mercado automóvel e preservar a posição dos fornecedores portugueses nas cadeias de valor internacionais.
“Num setor predominantemente exportador, é fundamental assegurar condições de enquadramento que favoreçam o investimento, a produtividade e a capacidade de competir a partir de Portugal”, afirma José Couto, presidente da AFIA.
Preços competitivos
No contexto da discussão do Orçamento do Estado para 2027, o responsável destaca a “importância de garantir energia a preços competitivos, previsibilidade económica, fiscalidade favorável ao investimento, acesso a financiamento, inovação e qualificação profissional”, afirma.
Segundo a associação, estas condições são determinantes para preservar e reforçar a capacidade industrial e o emprego qualificado em Portugal. Os dados utilizados pela AFIA têm por base as Estatísticas do Comércio Internacional de Bens divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a 9 de outubro.
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