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“A Hellonext quer liderar carregamento DC e baterias C&I na Europa até 2030”, afirma Manuel Sande e Castro

Presente em mais de 15 países, a Hellonext aposta em carregamento DC, baterias C&I e soluções integradas de eletrificação. Sales director assume ambição europeia.
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Check-up Media Manuel Sande e Castro

Em cinco anos, a Hellonext passou de uma empresa focada, sobretudo, no mercado português para se assumir como um player presente em mais de 15 países espalhados por três continentes, com a faturação proveniente dos mercados internacionais a ultrapassar já os 65%.

A empresa alargou a sua oferta, desde o carregamento elétrico às baterias, passando pela gestão energética, flexibilidade e hidrogénio.

Ao Check-up, Manuel Sande e Castro, sales director da Hellonext, fala sobre a transformação do negócio, a importância crescente da fiabilidade, a pressão da concorrência global e a ambição de a empresa liderar, até 2030, as soluções de carregamento DC e baterias C&I na Europa.

Se olharmos para a Hellonext hoje, qual foi a maior transformação: no produto, no perfil dos clientes ou no próprio mercado?

Diria que, na verdade, foram nas três dimensões. A nível do produto, desde 2021 (ano de início da Hellonext) que o nosso portefólio cresceu e transformou-se muito, ao ponto de termos lançado, este ano, o GUARDiON, considerado a revolução de 2026 no setor.

O perfil do cliente também evoluiu, porque o veículo elétrico entrou em setores que, antes, eram vistos como “impensáveis”, seja camiões, autocarros e equipamentos de construção. Por isso, tivemos de nos adaptar a esses clientes.

Check-up Media Manuel Sande e Castro Hellonext

O mercado também mudou muito e está, agora, bastante mais exigente, seja porque o cliente conhece melhor o produto e o negócio, seja porque a concorrência aumentou e temos, hoje, de lutar com vários players de escala mundial.

A internacionalização já é uma realidade consolidada. Em que mercados estão a crescer mais? Houve algum em que as expectativas tenham saído goradas?

Sem dúvida. A Hellonext de 2021 era uma empresa em desenvolvimento, sobretudo com presença no mercado nacional. Hoje, estamos em mais de 15 países, somos líderes em carga DC em Portugal e temos uma posição de destaque na Europa. Recentemente, ganhámos concursos importantes em vários países europeus.

Os mercados internacionais já representam mais de 65% da faturação da Hellonext. Mas nem tudo foi fácil. Houve mercados onde investimos e o retorno não foi o esperado. Felizmente, no cômputo geral, o saldo é muito positivo.

Se tivesse de escolher três números para explicar a dimensão atual da Hellonext, quais seriam?

Presente em três continentes e mais de 15 países; mais de 60 pessoas diariamente envolvidas no desenvolvimento e crescimento da mobilidade elétrica no Grupo Petrotec/Hellonext; até 850 kW de potência máxima de carregamento em carga DC.

Check-up Media Manuel Sande e Castro container
A Hellonext começou por ser associada ao carregamento elétrico. Hoje, dispõe de soluções BESS, EMS, flexibilidade e hidrogénio. É já uma empresa de energia?

Desde o início que a Hellonext tinha como estratégia posicionar-se como um player de soluções integradas, mas o mercado ditou que o primeiro “braço” a crescer fosse o carregamento elétrico, seguido do hidrogénio e, mais recentemente, das soluções BESS.

Acreditamos que, no futuro, estas tecnologias vão conviver de forma coordenada. Nós estamos preparados para isso.

O setor continua muito focado na potência dos carregadores. Para os operadores, a disponibilidade e a fiabilidade estão a tornar-se mais importantes?

De facto, comercialmente fala-se muito em potência e nós também damos resposta a esse requisito.

Mas, na verdade, ao falar com os operadores, sobretudo preocupados com a rentabilidade do negócio e a experiência do cliente final, cada vez mais a fiabilidade e a disponibilidade são os critérios mais importantes.

A prova disso foi o sucesso recente do nosso GUARDiON, que criou um grande impacto no setor.

Um carregador parado representa uma perda direta para o operador. Quanto está o mercado disposto a pagar para garantir disponibilidade?

Felizmente, diria que alguns operadores já estão dispostos a investir até cerca de 20% mais em Capex para melhorar a fiabilidade e reduzir os custos operacionais.

"Alguns operadores já estão dispostos a investir até cerca de 20% mais em Capex para melhorar a fiabilidade e reduzir os custos operacionais"

Acredito que este número irá crescer ainda mais quando o mercado ganhar maturidade e as soluções de qualidade marcarem a diferença face aos que competem apenas em preço.

Mas, infelizmente, sobretudo a nível de entidades públicas, o preço ainda continua a ser, erradamente, o principal fator de escolha.

À medida que os carregadores ficam mais inteligentes, onde está, hoje, a maior parte do valor: no hardware, no software ou na gestão energética?

A resposta certa é uma combinação das três. Porque um não funciona sem o outro: hardware e software. Mas nós continuamos a acreditar que tudo começa no hardware.

Se tivermos um bom equipamento em termos de fiabilidade e experiência de utilização, o resto também terá de acompanhar. Mas se o hardware não convencer, o software e a gestão energética, sozinhos, não vão resolver o problema.

A aposta no BESS está a responder a necessidades económicas concretas ou também há projetos a avançar simplesmente porque as baterias estão na “moda”?

Num mercado onde cada cêntimo conta, diria que já nenhum operador investe apenas por “moda”. As soluções BESS são, hoje, a única opção para os projetos continuarem a avançar ao ritmo que o mercado pede.

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Por um lado, porque viabilizam projetos que, de outra forma, seriam financeiramente inviáveis. Por outro, porque permitem avançar com projetos que a rede elétrica não consegue ainda dar resposta a curto/médio prazo.

Sem baterias, a infraestrutura de rede atual ia ser o estrangulador final do crescimento. Com baterias, podemos não só ser mais eficientes nos investimentos, como antecipar crescimento através de projetos que, antes, eram operacionalmente inviáveis.

Quando apresentam um BESS a um cliente, qual é, hoje, o argumento que mais facilmente convence: reduzir picos, aproveitar energia solar, evitar reforços da rede ou aumentar a potência de carregamento?

Todos fazem sentido, mas, ao dia de hoje, o principal é, efetivamente, reduzir picos, porque a poupança na potência contratada é direta. Liga-se a bateria e no próprio mês já se consegue poupança, independentemente da taxa de utilização dos equipamentos.

Os restantes até podem dar uma poupança superior, mas o seu ganho económico depende de fatores externos. A potência contratada é a forma mais direta.

Um fator que ainda não está totalmente disseminado, mas pode ser, também, muito interessante são os serviços de rede. Estas infraestruturas distribuídas podem ter um papel fundamental na eletrificação da economia. E pode ser mesmo muito rentável para os investidores.

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A flexibilidade energética já está a criar receitas concretas para os clientes ou ainda estamos a construir a infraestrutura para um mercado que está a nascer?

Já dá receita/poupança direta, seja em que aplicação for. O mercado que está a nascer, só vai potenciar ainda mais a rentabilização destes ativos. Mas os investimentos já são economicamente justificáveis só com o mercado que já temos.

Com as limitações da rede elétrica, a oportunidade da Hellonext está cada vez menos em vender carregadores e mais em permitir aos clientes instalar potência onde a rede não consegue responder?

Acreditamos em soluções integradas que realmente funcionam. Porque é fácil dizer que tudo se conjuga, mas, na prática, é preciso saber juntar bem as peças para o sistema funcionar e ser rentável. Os carregadores são uma parte muito importante desse processo, mas não são o único.

Os fabricantes chineses têm escala, preço e tecnologia. Onde pode uma empresa portuguesa construir uma vantagem competitiva?

Felizmente, há cada vez mais clientes que, fruto de (más) experiências anteriores e posicionamento diferenciador, estão dispostos a pagar um pouco mais por produto superior e um apoio pós-venda próximo.

“Em conjunto com a ThinkDigital, desenvolvemos uma solução 360°, que garante proteção mecânica, alarmística e monitorização”

Na Hellonext, apostámos nisso desde o primeiro dia. E além de equipamentos com performance muito acima da média, temos, hoje, um serviço de apoio pós-venda único no mercado.

A ligação à Petrotec dá à Hellonext uma experiência e uma infraestrutura difíceis de replicar. É, sobretudo, uma vantagem competitiva ou pode também dificultar o posicionamento como empresa tecnológica?

Na verdade, acho que só ajuda, desde que a Hellonext continue a ser capaz de demonstrar a sua própria capacidade de desenvolvimento tecnológico. Uma vez mais, o GUARDiON resulta da combinação disso: a experiência da Petrotec com a capacidade de desenvolvimento tecnológico da Hellonext.

O hidrogénio continua a ser uma aposta estratégica para a Hellonext ou o mercado elétrico alterou essa prioridade?

Acho que seria inocente acharmos que os recentes desenvolvimentos tecnológicos dos veículos elétricos não tiveram impacto no hidrogénio. Tiveram. Sobretudo, no segmento de pesados.

Mas continuamos a acreditar que o futuro é híbrido. Não será apenas elétrico, nem será apenas hidrogénio.

Até porque as vantagens e potenciais aplicações de cada um, embora se cruzem em alguns setores, podem, também, ser muito diferentes.

Check-up Media Manuel Sande e Castro up

Não será fácil eletrificar navios e aviões, entre outros. Por isso, estamos atentos ao mercado e vamos evoluindo com ele também.

A ambição é ter uma posição central no mercado europeu até 2030. O que terá de acontecer para poderem dizer, nessa altura, que cumpriram esse objetivo?

Queremos, claramente, ser líderes de soluções de carregamento DC e baterias C&I na Europa. Para isso acontecer, temos de continuar a desenvolver os nossos produtos e investir, estrategicamente, na nossa capacidade de produção.

A Hellonext e a ThinkDigital lançaram a X-Connect, uma nova solução integrada de proteção e monitorização de cabos de carregamento para veículos elétricos. Quais as vantagens deste desenvolvimento?

Este é um excelente exemplo de como uma boa parceria pode ser muito benéfica para a empresa e para o mercado. Sozinhos, teríamos, provavelmente, desenvolvido apenas mais um sistema de proteção mecânica de cabos.

Em conjunto com a ThinkDigital, desenvolvemos uma solução 360°, que garante não só a proteção mecânica, mas, também, a alarmística e a monitorização. Uma vez mais, sabemos pelo feedback que recolhemos dos nossos clientes, que só uma solução destas interessa realmente aos operadores.

Isoladamente, cada um dos elementos não resolve totalmente o problema, mas, em conjunto, torna-se numa solução incrível.

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