Quarenta anos cabem numa data, mas não se explicam por ela. Na Japopeças, quatro décadas contam-se, antes, pela “estrada percorrida”: pelos obstáculos vencidos, pelas escolhas feitas com critério e pelas relações construídas com parceiros e clientes.
Luís Costa, fundador e administrador, olha para a empresa a partir da memória de quem abriu caminho, consolidou uma identidade e transformou um pequeno negócio regional numa referência nacional no aftermarket.
Luís Almeida, diretor-geral, representa a geração que recebe esse legado e o projeta para um mercado mais abrangente, onde a especialização convive já com uma oferta global.
Entre pai e filho, a conversa é sobre continuidade sem imobilismo, sobre rigor sem perder capacidade de adaptação e sobre os princípios que permanecem quando tudo o resto muda.
Aos 40 anos, a Japopeças olha para trás com orgulho — e para a frente com a mesma determinação que a trouxe até aqui.

Se pudesse resumir os 40 anos da Japopeças numa única imagem, qual seria e porquê?
Luís Costa: 40 anos implica, necessariamente, um longo caminho com muitos desafios que foram surgindo, mas que, com empenho e determinação, foram sempre ultrapassados. Numa imagem, seria uma longa estrada com obstáculos.
Quando olha para a empresa de hoje, em que momento percebeu que a Japopeças já tinha deixado de ser apenas um projeto para se tornar numa referência no mercado?
Luís Costa: O início do negócio da Japopeças foi a venda a retalho circunscrita à região onde nos encontramos. Pouco tempo depois, fruto de alguns contactos externos, verificamos que havia potencial para o desenvolvimento de marcas asiáticas no mercado.
Paulatinamente, fomos expandindo para todo o Portugal continental e ilhas, convertendo a nossa atividade para o segmento grossista. O momento em que isso acontece dá-se por volta de 1996.
Houve alguma decisão tomada contra a corrente que, olhando para trás, acabou por definir o futuro da empresa?
Luís Costa: A Japopeças sempre estudou e ouviu o mercado. Fruto desse conhecimento, tentou desenvolver os seus projetos de forma sustentada, mais do que por impulso ou “contra a corrente”.

Naturalmente, como em tudo, houve decisões difíceis e ainda existem, destacando a nossa manutenção exclusivamente no segmento grossista, respeitando a cadeia tradicional de valor, o que pode, à data de hoje, ser considerado um rumo em “contra a corrente”.
Ao longo destas quatro décadas, o aftermarket alterou-se radicalmente. O que nunca mudou na forma como encara este negócio?
Luís Costa: Nunca mudou a existência de uma política comercial clara e transparente, que garante igualdade de condições a todos os clientes que encaramos como parceiros.
Todos têm o mesmo tratamento. Naturalmente, tiram maior proveito da nossa política comercial aqueles que apostam, de uma forma consistente, nas marcas e produtos que comercializamos.
Muitas empresas chegam aos 40 anos. Poucas mantêm uma identidade tão vincada. Como se protege uma cultura empresarial sem deixar de evoluir?
Luís Costa: A administração de qualquer empresa tem de ter sempre adjacente rigor nos seus critérios. Isto permite não ser confrontado no dia a dia com situações dúbias.
“A Japopeças começou num patamar muito pequeno. Gostaria que fosse recordada com os princípios fundadores: trabalho, honestidade e lealdade” (Luís Costa)
A existência de um rumo claro e critérios bem estabelecidos sem desvios, permitem proteger a cultura empresarial. A evolução acontece em simultâneo na persecução de fazer mais e melhor, o que é um trabalho diário e nunca acabado.
Se pudesse voltar a 1986, durante apenas cinco minutos, que conselho daria ao Luís Costa que estava a iniciar esta aventura?
Luís Costa: Dir-lhe-ia que tinha pela frente uma montanha com muitas dificuldades, mas que, com determinação e persistência, os resultados apareceriam, dando alento e realização, ao mesmo tempo que alimentariam a motivação de continuar.
Qual foi o momento mais difícil destes 40 anos e o que aprendeu com ele que ainda hoje aplica diariamente?
Luís Costa: Ao longo de 40 anos, muitas coisas acontecem (boas e menos boas). Quando não acertamos, por muito boa-fé que exista, tiram-se ilações e corrige-se o caminho.
Há parceiros que acompanham a Japopeças praticamente desde o primeiro dia, como é o caso da AISIN. O que sente quando percebe que essas relações atravessaram gerações?
Luís Costa: Trabalhar com a AISIN impõe a cultura do rigor oriental. Ao longo dos anos, fomo-nos ajustando a essa cultura e forma de trabalhar que, com o tempo, trouxe enriquecimento, não só profissional, como de índole intelectual.




O somatório desta parceria com a AISIN deixa-me satisfeito e contamos com o reconhecimento expresso nas menções honrosas com que temos sido galardoados no continente europeu repetidamente.
Ver o seu filho à frente da gestão representa continuidade, mas, também, mudança. Qual é a maior diferença entre a forma como o fundador e a nova geração olham para o negócio?
Luís Costa: O ser humano não é imenso nem eterno. Quero com isto dizer, que fiz a minha parte no percurso da empresa com algum sucesso.
O dia de amanhã teremos de esperar para, depois, se fazer o balanço. Mas desejo-lhe, desde já, todo o sucesso no seu caminho.
Quando daqui a mais 40 anos alguém contar a história da Japopeças, qual gostaria que fosse a primeira frase dessa história?
Luís Costa: Que a Japopeças começou num patamar muito pequeno e que fosse recordada com os princípios fundadores de trabalho, honestidade e lealdade.

Os 40 anos da Japopeças são muito mais do que uma data redonda. Que mensagem quiseram transmitir ao transformar o stand da expoMECÂNICA 2026 numa viagem pela história da empresa?
Luís Almeida: Quisemos transmitir que, chegados aqui, 40 anos depois, a Japopeças é o resultado do seu passado que muito nos orgulha e que oferece, hoje, ao cliente o aporte da experiência e know-how acumulado, que tem uma expressão muito clara na qualidade dos produtos, marcas e serviço que prestamos aos clientes.
A Japopeças continua a ser reconhecida pela especialização em marcas japonesas e coreanas. Como se mantém essa identidade num mercado cada vez mais global?
Luís Almeida: Na verdade, com zero esforço, uma vez que o “rótulo” de especialista em marcas japonesas e coreanas está-nos “colado à pele”.
Curiosamente, agora que a expansão da nossa oferta também inclui aplicações para veículos europeus e outros, é muito mais desafiante mostrar ao mercado que somos, cada vez mais, um fornecedor global.
A AISIN evoluiu de uma marca associada a poucas famílias de produto para um fornecedor global. Como acompanhou a Japopeças essa transformação e que oportunidades abriu aos clientes?
Luís Almeida: A Japopeças continua a incorporar na sua oferta todas as linhas de produto da AISIN, pelo que, as novidades têm sido constantes e continuarão a surgir nos próximos meses.
“A Japopeças continua a incorporar na sua oferta todas as linhas de produto da AISIN, pelo que as novidades têm sido constantes e continuarão a surgir nos próximos meses” (Luís Almeida)
Podemos afirmar que, hoje, a AISIN oferece uma solução global para as mais diversas famílias de produto e a maior oportunidade que os clientes têm é de beneficiar da qualidade que um fabricante OE nipónico assegura nas mais diversas soluções.
Existem marcas no vosso portefólio que continuam a oferecer referências praticamente exclusivas no mercado. Até que ponto essa diferenciação continua a ser uma vantagem competitiva?
Luís Almeida: A procura incessante de referências praticamente exclusivas e algumas, mesmo exclusivas, pauta uma parte significativa da nossa atividade.
Entendemos que essa diferenciação é, por si só, uma vantagem competitiva e que resulta em benefício de todo o aftermarket. Hoje, escolher um fornecedor já não depende apenas do preço.

Que características procura a Japopeças quando decide representar uma nova marca?
Luís Almeida: Há 40 anos que, para a Japopeças, escolher uma marca/fornecedor nunca dependeu apenas do preço, sendo que a qualidade do produto sempre foi determinante, a que se somam, naturalmente, a qualidade do serviço e disponibilidade de stock, sem esquecer o pilar primordial: a credibilidade.
Se tivesse de explicar a um cliente, em apenas um minuto, porque vale a pena trabalhar com a Japopeças em 2026, quais seriam os três argumentos que não poderiam faltar?
Luís Almeida: A qualidade e prestígio das marcas que representamos, aliada a uma disponibilidade de stock ímpar e preços altamente competitivos.
A qualidade do serviço prestado assente em 40 anos de experiência e know-how, com o profissionalismo que faz parte do nosso ADN nipónico. Clareza, transparência, integridade e atratividade da nossa política comercial.

