O mercado português de automóveis usados registou um aumento da procura em agosto, com um “crescimento de 9% face ao mesmo mês de 2025”. A oferta evoluiu a um ritmo ainda superior, “aumentando 11% em termos homólogos, num cenário que torna o mercado mais competitivo e atribui maior importância à capacidade de rotação do stock”, adianta o Standvirtual.
Os dados são do Standvirtual, que analisou os principais indicadores de compra e venda de veículos disponíveis na plataforma durante o mês de agosto. Apesar da evolução positiva da procura, a “dinâmica global do mercado manteve-se negativa face ao ano anterior, com uma variação de -2%, embora tenha registado uma ligeira melhoria em relação a julho”, sublinha a empresa.
Abaixo dos €15.000
Por segmentos de preço, os “veículos abaixo dos €15.000 continuam a concentrar o maior interesse dos consumidores”. É, também, nesta categoria que o crescimento da procura supera o da oferta, refletindo a importância do preço num contexto em que o orçamento continua a ser determinante na decisão de compra.
Neste segmento, o Market Days Supply, indicador que estima o “tempo necessário para escoar o stock disponível, baixou de 40 para 36 dias face a agosto de 2025”.
Já nos “veículos entre €15.000 e €30.000, este indicador aumentou”, revela. “Nos automóveis acima dos €30.000, o Market Days Supply diminuiu apesar do crescimento da oferta, uma evolução que poderá estar relacionada com a crescente presença e rotação dos veículos elétricos nesta faixa de preços”, sublinha.

Composição do stock
Os preços médios anunciados dos usados “continuam a subir”, mas a análise dos dados revela uma realidade mais complexa. “Quando se compara um conjunto equivalente de veículos ao longo do tempo e se elimina o efeito provocado pela composição do stock, verifica-se uma ligeira pressão descendente sobre os preços”, dá conta.
Ou seja, a “subida do preço médio anunciado não significa, necessariamente, uma inflação generalizada dos automóveis usados, podendo resultar, sobretudo, da alteração do tipo de veículos disponíveis no mercado”, pode ler-se no mesmo documento.
Também o mercado de veículos importados continua a ter um peso significativo. “Em agosto, foram importados cerca de 10.163 ligeiros de passageiros, mais 2,4% do que no mesmo mês de 2025”, frisa.
“No acumulado dos primeiros oito meses deste ano, o número de automóveis matriculados aumentou 12,6% face ao período homólogo”. Apesar de o crescimento mensal ter abrandado, as importações permanecem em níveis elevados e continuam a representar uma importante fonte de stock para o mercado português de usados.
Transferências de propriedade
Em sentido contrário, as transferências de propriedade de ligeiros de passageiros registaram uma “queda de 23% em julho face ao mesmo mês de 2025”. No acumulado até julho, a “diminuição foi de 8,2%, mantendo a tendência de descida observada desde o início do ano”, adianta.

Para o Standvirtual, a “conjugação entre o elevado número de veículos importados e a redução das transferências de propriedade revela uma pressão crescente sobre o mercado de usados e atribui maior relevância aos automóveis provenientes de fabricantes internacionais”.
Enquanto os usados enfrentam este contexto mais competitivo, o mercado de veículos novos mantém uma trajetória positiva. “Em agosto, foram matriculados 14.086 ligeiros de passageiros novos, mais 8,4% do que no mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, o crescimento atingiu 9,5%”, afirma a empresa.
Eletrificação cresce
A eletrificação continua a destacar-se neste segmento. “Os veículos 100% elétricos representaram 36,1% das matrículas de ligeiros de passageiros novos em agosto, uma quota recorde que elevou para 26,8% a sua participação acumulada no mercado nos primeiros oito meses do ano”, salienta. Assim, “mais de um em cada três automóveis novos matriculados em agosto era totalmente elétrico”, acrescenta a mesma fonte.
Para Pedro Soares, Head of Sales do Standvirtual, o mercado aproxima-se do final de 2026 com desafios distintos entre veículos novos e usados. “Enquanto os primeiros mantêm um crescimento sólido, impulsionado em particular pela eletrificação, os usados enfrentam maior pressão entre oferta e procura”, afirma.
O responsável considera ainda que a “evolução dos preços deve ser analisada tendo em conta a composição do stock”. Para os profissionais do setor, defende, o desafio passa cada vez menos por garantir, simplesmente, inventário e mais por assegurar “o inventário certo, ao preço certo e com capacidade de rotação adequada”.
Mais sobre o Standvirtual aqui.

