A Ferrari apresentou o seu primeiro automóvel 100% elétrico, denominado Luce, num lançamento que representa um “momento histórico” para o fabricante italiano e uma nova aposta estratégica no “segmento dos desportivos elétricos de ultra-luxo”.
Com um preço de entrada estimado em cerca de €550.000, o Ferrari Luce posiciona-se num patamar bastante acima da média da gama da marca.
Segundo estimativas do setor, “cada unidade poderá gerar entre três e cinco vezes mais receita do que um Ferrari convencional, sobretudo graças às opções de personalização disponíveis através do programa Tailor Made”, adianta a XTB, em comunicado.
Produção limitada
“A produção será limitada a poucas centenas de unidades anuais, mas o impacto financeiro poderá ser significativo, contribuindo para aumentar o preço médio de venda da marca e reforçar as margens de rentabilidade”, refere.
O lançamento surge numa altura em que a Ferrari apresentou resultados sólidos no primeiro trimestre do ano, com receitas de €1,85 mil milhões e um EBITDA de €722 milhões, correspondente a uma margem de 39,1%, acima das previsões do mercado.
Além do impacto comercial, o Luce assume, também, importância estratégica a nível tecnológico.
“A Ferrari registou mais de 60 patentes relacionadas com a arquitetura do motor e sistemas associados ao novo modelo elétrico, reforçando a proteção da sua propriedade intelectual e criando potenciais oportunidades futuras de licenciamento tecnológico”, sublinha.
Universo elétrico
A entrada da Ferrari no universo elétrico poderá ainda contribuir para “elevar o posicionamento premium de toda a gama da marca, incluindo os modelos com motor de combustão”, acrescenta a mesma fonte.
Apesar das perspetivas positivas, existem alguns fatores de risco que poderão influenciar o desempenho comercial do Luce.
“Entre eles, destacam-se as tarifas de 25% aplicadas pelos EUA sobre automóveis europeus, num mercado considerado estratégico para a Ferrari, bem como a volatilidade cambial e as dúvidas sobre a procura efetiva por desportivos elétricos de luxo”, explica a XTB, no mesmo documento.
Elevada rentabilidade
A decisão da Lamborghini de adiar os seus planos para um superdesportivo elétrico até depois de 2030 demonstra precisamente a cautela que ainda existe neste segmento.
Ainda assim, a Ferrari continua a destacar-se pela “robustez financeira e elevada rentabilidade”.
A marca mantém uma dívida líquida relativamente reduzida, estimada em cerca de €1,30 mil milhões, preservando uma posição sólida mesmo num cenário de taxas de juro elevadas e maior pressão económica global.
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