A Bosch terminou o exercício de 2025 em Portugal com um volume de negócios de 2,2 mil milhões de euros, num ano marcado por mudanças estruturais no portefólio da empresa e por um “contexto internacional desafiante”, avança o fabricante.
“Apesar da venda do negócio de tecnologias de segurança e comunicações da divisão Building Technologies, com operações em Ovar”, a tecnológica alemã conseguiu “consolidar a sua atividade no mercado nacional e reforçar a aposta em áreas estratégicas para o futuro”, adianta a empresa.
Desempenho sólido
O resultado representa uma redução de 2,6% face ao ano anterior, já ajustado ao impacto da alienação daquele negócio à Triton, concluída em meados de 2025. Ainda assim, a Bosch considera que o “desempenho confirma a solidez da estratégia de longo prazo implementada em Portugal”, pode ler-se no mesmo documento.
“Apesar de um ambiente global desafiante, de constrangimentos na cadeia de abastecimento de semicondutores e de alterações estratégicas ao portefólio da empresa, a Bosch manteve um desempenho sólido em Portugal”, afirma Javier González Pareja, presidente da Bosch em Portugal e Espanha.
O responsável destaca ainda “o papel das equipas portuguesas na atração de novos projetos internacionais e no reforço das competências tecnológicas da empresa”.
Área de mobilidade
A Bosch empregava, no final de 2025, mais de 5.900 colaboradores em Portugal, o que representa um crescimento de 3% face ao período homólogo, excluindo os trabalhadores afetos ao negócio entretanto vendido em Ovar.
Para a empresa, “este crescimento demonstra confiança no talento nacional e reforça o papel estratégico das operações portuguesas no contexto global do grupo”.
Na área da mobilidade, a unidade de Braga “continua a assumir uma posição central no desenvolvimento de soluções ligadas ao automóvel conectado e autónomo”, afirma.
“A fábrica e centro de engenharia têm vindo a reforçar competências em software, sensores, câmaras, sistemas de comunicação V2X e tecnologias de monitorização dos ocupantes”, diz.
“Apesar de uma ligeira quebra nas vendas em 2025 devido às condições de mercado, a Bosch antecipa um regresso ao crescimento já em 2026”, destaca a mesma fonte.
Em Aveiro, a divisão de Energia e Tecnologia de Edifícios registou um crescimento de dois dígitos, impulsionado, sobretudo, pela produção de bombas de calor.
“A unidade continua a reforçar a sua posição como referência mundial da divisão Home Comfort, estando previstos novos investimentos na expansão da capacidade produtiva e no desenvolvimento de novos produtos”, sublinha a Bosch.
Também a operação de Lisboa manteve um crescimento sólido, sobretudo através da divisão Service Solutions, que tem vindo a expandir serviços globais e capacidades ligadas à Inteligência Artificial.
A equipa integra ainda cerca de 150 engenheiros do centro de I&D de Ovar, envolvidos no desenvolvimento de soluções para várias divisões internacionais da Bosch.
Investimentos em 2026
No setor de bens de consumo, que inclui eletrodomésticos e ferramentas elétricas, a empresa voltou, igualmente, ao crescimento em 2025, acompanhando a recuperação da procura no mercado.
“Para 2026, a Bosch prevê uma evolução positiva da atividade em Portugal, apesar das incertezas associadas ao contexto geopolítico internacional e aos efeitos da guerra no Médio Oriente”, revela.
A empresa pretende “continuar a apostar na mobilidade, na tecnologia de aquecimento de água, nos serviços globais e na integração da Inteligência Artificial nos seus processos e produtos”.
“A nível global, o Grupo Bosch registou receitas de 91 mil milhões de euros em 2025 e prevê um crescimento entre 2 e 5% em 2026”. A empresa “investiu cerca de 12 mil milhões de euros em investigação, desenvolvimento e investimentos de capital, mantendo a inovação como um dos pilares centrais da sua estratégia internacional”, conclui.
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