“No desporto como nas empresas, ou damos tudo ou não chegamos longe”, afirma Matthias Bleicher

Responsável ibérico da LIQUI MOLY acredita que a ligação ao desporto nasce da paixão pelos motores e de valores como autenticidade e proximidade
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Check-up Media Matthias Bleicher

Entre carros de competição, memórias de corridas e o ambiente muito particular que se respira no LIQUI MOLY Experience Center, no Cacém, percebe-se, rapidamente, que este espaço vai muito para além de uma simples infraestrutura técnica.

Mais do que uma academia de formação ou um local de demonstração de produtos, o centro funciona como um verdadeiro ponto de encontro para quem vive o automóvel com emoção: técnicos, clientes, equipas de competição e entusiastas.

Há motores, histórias, cheiro a mecânica e conversas que começam num detalhe técnico e acabam, inevitavelmente, em corridas, carros clássicos ou viagens de estrada. No fundo, é quase uma “cave” moderna para petrolheads, um refúgio onde a paixão pelos motores se sente em cada canto.

Foi neste ambiente descontraído, entre carros e histórias de competição, que o Check-up conversou com Matthias Bleicher, responsável da LIQUI MOLY para a Península Ibérica e o grande impulsionador deste projeto. Falou-se de motores, de viagens de juventude e de ralis disputados na Argentina.

Check-up Media Matthias Bleicher smile

E de grandes competições internacionais. Afinal, o desporto tornou-se numa das linguagens mais visíveis da marca alemã, presente em campeonatos como a Fórmula 1 e o MotoGP, mas, também, em modalidades tão distintas como o andebol, o esqui alpino ou o rugby internacional.

Para Matthias Bleicher, porém, esta diversidade vai para além de uma estratégia de visibilidade global. É, sobretudo, uma forma de expressar valores que fazem parte da cultura da LIQUI MOLY desde a sua origem: desempenho, autenticidade, proximidade e paixão pelos motores.

Quando é que o desporto deixou de ser um hobby para ti e passou a ser uma paixão para toda a vida?

Curiosamente, essa ligação ganhou uma dimensão ainda maior quando entrei para a LIQUI MOLY, em 2009. Sempre gostei de carros, algo que vem muito da família. O meu pai e o meu avô eram apaixonados por automóveis.

Cresci numa pequena aldeia alemã onde praticamente nada acontecia. Ter um veículo representava liberdade. Comecei muito cedo a poupar dinheiro para comprar a minha primeira moto e, aos 16 anos, consegui, finalmente, adquirir uma Zündapp de 80 cc.

“O sucesso competitivo não chega. Podemos estar perante um piloto vitorioso, mas se faltar respeito pelos outros ou se houver arrogância, deixa de fazer sentido qualquer parceria"

Em apenas dois anos, fiz quase 70 mil km com essa moto. Atravessei grande parte da Europa com amigos, fomos a Itália, Espanha… eram pequenas motos, mas grandes aventuras.

Mais tarde, vivi em Espanha e, também, na América do Sul, onde participei em ralis na Argentina. A partir daí, essa ligação aos motores foi-se consolidando de forma muito natural.

Na LIQUI MOLY, o desporto surgiu como estratégia ou como expressão natural dessa paixão?

O verdadeiro sucesso acontece quando conseguimos ligar aquilo que realmente gostamos à nossa atividade diária. Quando existe essa harmonia, tudo ganha mais sentido. Quando entrei na empresa senti precisamente isso: que podia viver diariamente algo que sempre me apaixonou: carros, motos e motores.

Que valores do desporto refletem melhor o ADN da LIQUI MOLY?

O desporto tem algo de muito autêntico. Fala de desempenho, de compromisso e de trabalho em equipa. São exatamente os mesmos princípios que procuramos aplicar no nosso trabalho diário.

No desporto, se não damos tudo, dificilmente chegamos longe. Numa empresa acontece exatamente o mesmo. É preciso dedicação, consistência e uma equipa que trabalhe com um objetivo comum. Para mim, os valores são essenciais no desporto.

O sucesso competitivo, por si só, não chega. Podemos estar perante um piloto extremamente vitorioso, mas se faltar respeito pelos outros ou se houver arrogância, então deixa de fazer sentido qualquer parceria. Preferimos trabalhar com pessoas que representem não apenas desempenho, mas, também, carácter.

A LIQUI MOLY está, hoje, presente em muitas modalidades, com e sem motores. O que te atrai nessa diversidade?

Existem duas dimensões. Por um lado, temos plataformas globais como a Fórmula 1 ou o MotoGP, que são ferramentas muito fortes de visibilidade internacional.

Mas, depois, existe algo igualmente importante: a ligação local. Competições de ralis, equipas próximas das pessoas, carros que os fãs reconhecem e com os quais se identificam.

“Queremos que quem vem aqui (ao LIQUI MOLY Experience Center) possa tocar nos produtos, ver os carros, falar com as equipas e perceber melhor a cultura que está por detrás da marca"

Quando alguém vê um carro de rali baseado num modelo que pode conduzir no dia a dia, cria-se uma ligação direta. A marca deixa de parecer distante e passa a fazer parte da realidade das pessoas.

Quando participas em eventos, como o Estoril Classics, estás lá mais como empresário ou como fã?

Diria que sou 100% fã (risos). Claro que a Fórmula 1 é muito importante para a visibilidade global da marca, mas, muitas vezes, é um ambiente muito exclusivo.

Está-se numa sala VIP, com janelas fechadas, a ver a corrida num ecrã. Para mim, o desporto motorizado também significa sentir os motores, estar perto das pessoas, conversar com quem constrói e conduz os carros.

O que torna o desporto motorizado tão especial?

É a autenticidade. As pessoas podem ver os carros de perto, falar com os pilotos, discutir detalhes técnicos. É algo muito real. Nunca comprarei um Fórmula 1 (risos). Um bom carro de rali clássico? Isso já é algo que podemos imaginar conduzir e viver.

Check-up Media Matthias Bleicher center
Qual foi a ideia original que presidiu à criação do LIQUI MOLY Experience Center, onde nos encontramos?

Durante muitos anos, pensei que seria interessante criar um espaço onde pudéssemos realmente viver aquilo que fazemos. Não apenas andar com um catálogo na mão e mostrar produtos.

A ideia era criar um lugar onde clientes, técnicos e fãs da marca pudessem ver, experimentar e sentir aquilo que representa a LIQUI MOLY.

O Experience Center é mais comunicação de marca ou partilha de paixão?

Diria que é, sobretudo, partilha de paixão. Naturalmente ajuda a comunicar a marca, mas a ideia principal é aproximar as pessoas daquilo que fazemos. Queremos que quem vem aqui possa tocar nos produtos, ver os carros, falar com as equipas e perceber melhor a cultura que está por detrás da marca.

O que gostarias que os visitantes sentissem quando entram neste espaço?

Gostaria que sentissem paixão. Que percebam que este espaço foi criado por pessoas que gostam verdadeiramente de carros, motores e competição. Se alguém entra aqui e sente vontade de ficar mais tempo, conversar ou aprender mais, então o objetivo está cumprido.

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