A substituição da embraiagem é das operações mais comuns nas oficinas. No entanto, quando o veículo está equipado com volante bimassa, o trabalho exige cuidados redobrados.
Ignorar o estado do volante bimassa ou cometer erros na montagem deste pode traduzir-se em ruídos metálicos, vibrações ao ralenti e, pior ainda, regresso do cliente pouco tempo depois da reparação.
O volante bimassa foi desenvolvido para absorver vibrações torsionais do motor e melhorar o conforto de condução. Tem um funcionamento complexo, com molas internas e um sistema de amortecimento entre os dois discos que o compõem. Com o tempo e o uso, este mecanismo sofre desgaste — e esse desgaste nem sempre é visível a olho nu.
Estado do volante
Por isso, sempre que se substitui a embraiagem, é fundamental avaliar o estado do volante bimassa. Se houver folgas axiais ou radiais fora de tolerância, movimentos bruscos ao rodar ou marcas de sobreaquecimento, o componente deve ser substituído. Caso contrário, o novo kit de embraiagem pode durar muito menos do que o previsto.

Outro ponto essencial é o alinhamento correto da embraiagem durante a montagem. Usar um centrador adequado evita desequilíbrios que podem sobrecarregar o volante e provocar desgaste precoce. Além disso, todos os parafusos devem ser apertados com o binário de aperto recomendado pelo fabricante — nem mais, nem menos.
Funcionar em conjunto
Há, também, que respeitar as recomendações de limpeza: nunca usar lubrificantes na zona do disco, evitar contaminações com massa consistente ou óleo e verificar sempre se o rolamento de encosto e a forquilha estão em boas condições. Uma peça nova montada num sistema danificado não resolve o problema.
Por fim, é essencial explicar ao cliente que o kit de embraiagem e o volante bimassa funcionam como um conjunto. Trocar apenas a embraiagem num carro com muitos quilómetros, só para reduzir custos, é um erro que pode sair caro mais tarde.