O mercado global de veículos elétricos entra em 2026 com sinais claros de “ajustamento regional”, segundo a mais recente análise da equipa Markets 360 do BNP Paribas, dedicada à evolução das vendas de veículos ligeiros elétricos de passageiros.
O relatório, que faz o balanço de 2025, “evidencia dinâmicas distintas entre os principais blocos económicos, refletindo fatores como maturidade de mercado, enquadramento regulatório e políticas de incentivo”, pode ler-se no comunicado da empresa.
Europa verde
Na União Europeia, o “desempenho positivo registado em dezembro deverá prolongar-se ao longo de 2026”, preconiza o estudo. “A procura por veículos elétricos e híbridos plug-in mantém-se sólida, sustentada pela oferta cada vez mais diversificada das marcas, por uma maior aceitação dos consumidores e pela continuidade de políticas de transição energética em vários mercados europeus”, avança. Para o BNP Paribas, este contexto “contribui para uma trajetória de crescimento mais estável e previsível no espaço europeu”.
Pressão chinesa
Em sentido contrário, a China “apresenta sinais de maior pressão”, diz. “As vendas fracas de veículos elétricos em dezembro sugerem um mercado mais desafiante nos próximos meses, refletindo não só a maturidade já atingida pelo setor, mas, também, dificuldades associadas às políticas de apoio”, nota.
O estudo do banco considera que este enquadramento poderá traduzir-se num “ritmo de crescimento mais moderado no maior mercado mundial de veículos elétricos”.
EUA em baixo
Nos EUA, a expectativa é de “normalização do mercado em níveis mais baixos”. Após a revogação de políticas de apoio em 2025, o BNP Paribas antecipa um “ajustamento da procura, num contexto em que os incentivos desempenhavam um papel relevante na dinamização das vendas”, afirma. Ainda assim, o mercado norte-americano “deverá manter-se ativo, embora com menor intensidade face aos anos anteriores”.
A análise aborda ainda a intenção do governo dos EUA de criar reservas estratégicas de minerais críticos. Para o BNP Paribas, esta medida “deverá ter um impacto mais significativo no sentimento do mercado do que nos fundamentos económicos, sendo improvável que produza efeitos concretos sem maior clareza sobre a sua implementação”, explica a mesma fonte.
No seu conjunto, o relatório traça um cenário de transição para o mercado global de veículos elétricos, marcado por uma maior diferenciação regional e por uma “evolução mais seletiva, à medida que o setor entra numa nova fase de maturidade”, conclui o estudo.