Após um percurso curto, especialmente em condução urbana ou mista, a maioria dos condutores não pensa em verificar os pneus. No entanto, a temperatura que cada pneu atinge nesse curto espaço de tempo pode revelar mais sobre o alinhamento e a geometria do veículo do que uma inspeção visual ao desgaste.
Consumos elevados
Quando o alinhamento não está correto, seja convergência, divergência ou ângulo de camber fora do valor ideal, o pneu começa a trabalhar em esforço lateral. Esse esforço traduz-se em fricção adicional com o asfalto e, consequentemente, em aumento de temperatura. O desgaste visível demora a aparecer, mas o aquecimento surge quase de imediato.
Diferenças térmicas entre pneus do mesmo eixo, após um percurso semelhante, são um sinal claro de que algo não está equilibrado. Um pneu mais quente indica que está a “arrastar” mais, mesmo que o piso ainda pareça uniforme. Em muitos casos, o condutor apenas nota consumos ligeiramente mais elevados ou uma direção menos solta, sem associar o problema à geometria.
Sintomas clássicos
Este fenómeno é particularmente relevante em veículos modernos, onde a suspensão e a direção são suficientemente filtradas para mascarar sintomas clássicos, como puxar para um lado ou vibrações no volante. A eletrónica e os sistemas de assistência compensam, mas não eliminam o esforço extra imposto aos pneus.
Também pressões incorretas podem influenciar a leitura térmica, mas tendem a afetar ambos os pneus de forma semelhante. Quando a diferença é localizada e consistente, o alinhamento deve ser o primeiro suspeito. O mesmo se aplica a componentes de suspensão com folgas ou deformações que alteram a geometria apenas em carga ou em movimento.
Avaliar a temperatura dos pneus logo após um percurso curto, mesmo de forma comparativa ao toque ou com termómetro infravermelho, é uma ferramenta simples e eficaz. Antes de o desgaste se tornar visível e irreversível, o calor já está a contar a história de um alinhamento que deixou de estar certo.