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ShadowCAM promete acabar com o perigo escondido entre as sombras

Protótipo aumenta a segurança dos veículos autónomos em situações de perigo iminente, antecipando a existência de objetos em rota de colisão ao virar da esquina.

A falta de visibilidade é um dos maiores perigos para os condutores. Na estrada, ver e ser visto é essencial. Com os veículos autónomos, os riscos não são menores e obriga a indústria a procurar soluções tecnológicas para evitá-los.

A mais recente criação, neste sentido responde pelo nome de ShadowCAM e foi desenvolvida por uma equipa de engenheiros do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), nos EUA. Tal como sugere o nome, trata-se de um sistema composto por uma câmara que deteta e interpreta as variações das sombras no solo em redor dos obstáculos no raio de visão, permitindo, deste modo, adivinhar aquilo que não se consegue ver.

Ainda em fase de protótipo, o sistema será utilizado como uma ferramenta a juntar ao conjunto de sensores e radares instalados com o intuito de prevenir acidentes com outros veículos ou peões e que possam surgir dos chamados ângulos cegos ou sem visibilidade.

O ShadowCAM capta sequências de fotogramas de vídeo em pontos chave, em torno de um pilar ou no solo, à saída de um cruzamento sem visibilidade, por exemplo. E analisa cada frame mediante a sua odometria visual, interpretando variações na intensidade da luz. Ameaças escondidas entre as sombras.

Testes reais

O sistema foi apresentado, pela primeira vez, no International Conference on Intelligent Robots and Systems (IROS), depois de os primeiros testes terem sido bem sucedidos, em condições reais de utilização, com modelos auto-pilotados.

Contudo, a experiência foi, por enquanto, circunscrita a parques de estacionamento, devidamente fechados ao trânsito e com condições de luz mais consistentes. Mas o passo seguinte será aperfeiçoar a tecnologia para operar com competência semelhante fora de portas, onde a interpretação das sombras coloque maiores desafios.

“Para aplicações em que robots circulam no mesmo ambiente com outros veículos e humanos, o nosso método permite avisar o robot de que alguém se aproxima ao virar da próxima esquina, com alguma antecedência, para que este possa abrandar, adaptar a sua circulação e antecipar todos os procedimentos para evitar a colisão”

Daniela Rus
Diretora do Laboratório de Ciências e Inteligência Artificial do Instituto Tecnológico de Massachusetts

Segundo o relatório dos responsáveis, o ShadowCAM provou níveis de eficiência superiores aos congéneres equipados com tecnologia LIDAR (que deteta apenas obstáculos visíveis), sendo quase meio segundo mais rápido a imobilizar a marcha, uma vez detetada a aproximação de um veículo.

“Para aplicações em que robots circulam no mesmo ambiente com outros veículos e humanos, o nosso método permite avisar o robot de que alguém se aproxima ao virar da próxima esquina, com alguma antecedência, para que este possa abrandar, adaptar a sua circulação e antecipar todos os procedimentos para evitar a colisão”, explicou Daniela Rus, diretora do Laboratório de Ciências e Inteligência Artificial do do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT).

NASA atenta a sistema

A tecnologia patenteada pelo protótipo ShadowCAM despertou já a atenção da própria NASA. “As zonas permanentemente na sombra têm sido um mistério porque os interiores escuros são difíceis de imaginar e as pesquisas existentes oferecem interpretações variadas sobre a distribuição de voláteis dentro dessas regiões frias”, disse Jason Crusan, diretor da Divisão de Sistemas de Exploração Avançada da NASA na sede da agência espacial, em Washington.

“As missões futuras no espaço profundo serão mais seguras e acessíveis se tivermos a capacidade de colher recursos lunares e o ShadowCam tem o potencial de aumentar muito o nosso entendimento da qualidade e abundância desses recursos nessas regiões”, acrescentou o mesmo responsável.

“As zonas permanentemente na sombra têm sido um mistério, porque os interiores escuros são difíceis de imaginar e as pesquisas existentes oferecem interpretações variadas sobre a distribuição de voláteis dentro dessas regiões frias”

Jason Crusan
Diretor da Divisão de Sistemas de Exploração Avançada da NASA
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