Ralenti estável pode esconder desequilíbrios de combustão?

Mesmo sem oscilações visíveis, o ralenti pode mascarar cilindros a trabalhar de forma desigual. Eis tudo o que precisa de saber para evitar problemas.
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Um ralenti regular é, para muitos condutores e até para alguns diagnósticos rápidos, sinónimo de motor saudável. No entanto, nos motores modernos, essa estabilidade pode ser enganadora. A eletrónica atual é suficientemente avançada para compensar pequenas irregularidades de combustão e manter o regime aparentemente perfeito, mesmo quando internamente existem desequilíbrios relevantes.

Diferenças entre cilindros

A ECU monitoriza, continuamente, a velocidade de rotação do motor, analisando microvariações entre explosões. Sempre que deteta diferenças entre cilindros, ajusta tempos de injeção, correções de mistura e avanço de ignição para suavizar o funcionamento. O resultado é um ralenti limpo e estável, mas conseguido à custa de correções constantes que o condutor não vê nem sente.

Esses desequilíbrios podem ter várias origens: injetores com débito desigual, velas ou bobinas em estados diferentes, compressões ligeiramente desiguais ou até entradas de ar muito pequenas que não geram falhas evidentes. Isoladamente, cada um destes fatores pode ser insuficiente para provocar um erro ou um engasgamento, mas em conjunto obrigam o sistema a trabalhar fora do ideal.

Com o tempo, esta compensação permanente tem custos. O consumo aumenta de forma discreta, as emissões sobem em determinadas condições e componentes como catalisadores ou filtros de partículas são mais solicitados. Em alguns casos, o motor comporta-se de forma irrepreensível ao ralenti, mas revela vibrações, hesitações ou falta de suavidade assim que sai dessa zona de funcionamento protegido.

Cuidado com aparências

Para a oficina, o desafio está em não se deixar enganar pela aparência. Um ralenti estável deve ser analisado com dados de correção por cilindro, tempos de injeção individuais, equilíbrio de massas e resposta dinâmica em pequenas acelerações. É aí que surgem as diferenças que o ouvido e o conta-rotações não mostram.

Em motores atuais, o ralenti deixou de ser um diagnóstico simples. Pode ser o ponto onde tudo parece perfeito, precisamente porque o sistema está a trabalhar no limite para esconder problemas que, mais cedo ou mais tarde, acabarão por manifestar-se.

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