Pode uma atualização de software alterar o comportamento do motor?

Atualizações de software podem mudar resposta, consumos e até ruídos do motor do veículo, mesmo sem qualquer intervenção mecânica.
Check-up Media mechanic with tablet

À primeira vista, uma atualização de software parece uma operação invisível, sem impacto físico no veículo. No entanto, nos automóveis modernos, o software é um dos principais responsáveis pelo comportamento do motor. Pequenas alterações no código da unidade de controlo podem traduzir-se em diferenças claras na condução e no funcionamento diário.

Unidade de controlo

A unidade de controlo do motor gere praticamente tudo: tempos de injeção, avanço da ignição, controlo do ralenti, gestão do turbo, funcionamento da EGR, regenerações do DPF e estratégias de proteção térmica.

Quando o fabricante lança uma atualização, esta pode ter como objetivo melhorar emissões, reduzir consumos, corrigir falhas detetadas em campo ou proteger componentes que apresentaram desgaste prematuro em determinados cenários de utilização.

É por isso que, após uma atualização, alguns condutores notam alterações na resposta ao acelerador, um ralenti diferente ou mudanças na forma como o motor reage a frio e a quente.

Em certos casos, o motor pode parecer mais “suave” ou, pelo contrário, menos imediato. Não se trata de defeito, mas de uma recalibração de prioridades feita pelo fabricante, muitas vezes para cumprir normas ambientais mais exigentes ou aumentar a durabilidade do conjunto mecânico.

Período de reaprendizagem

Outro ponto sensível é a adaptação dos sistemas após a atualização. Muitos motores recorrem a valores aprendidos ao longo do tempo, ajustando-se ao desgaste dos componentes e ao estilo de condução.

Quando o software é atualizado, esses parâmetros podem ser reiniciados ou alterados, levando o motor a passar por um período de reaprendizagem. Durante essa fase, podem surgir comportamentos irregulares temporários, como oscilações ao ralenti ou consumos ligeiramente superiores.

Também os sistemas associados não ficam imunes. Uma atualização pode modificar a estratégia de regeneração do DPF, a atuação do sistema start&stop ou a forma como a caixa automática gere as passagens. Tudo isto influencia a perceção global do veículo, mesmo que mecanicamente nada tenha sido substituído.

Por isso, uma simples atualização de software pode, de facto, alterar o comportamento do motor e do automóvel como um todo. Para a oficina, é essencial explicar este impacto ao cliente, verificar se existem procedimentos de reaprendizagem a realizar e confirmar se o comportamento observado corresponde ao esperado pelo fabricante. O software tornou-se numa peça-chave do diagnóstico moderno: invisível, mas determinante.

artigos relacionados

Últimas

Atualidade

Atualidade