Um consumo de óleo estável é, muitas vezes, interpretado como sinal de bom estado mecânico, mas esta leitura pode ser enganadora. Em motores modernos, o desgaste interno pode evoluir de forma silenciosa, sem provocar variações visíveis no nível de óleo entre manutenções.
Em muitos casos, o desgaste ocorre de forma equilibrada. Segmentos, camisas e guias de válvulas podem perder eficiência de vedação de forma homogénea, mantendo um consumo aparentemente constante. O problema não está na quantidade de óleo consumida, mas na sua função cada vez mais comprometida dentro do motor.
Diluição do óleo
Outro fator relevante é a diluição do óleo, sobretudo em motores com regenerações frequentes do filtro de partículas. Parte do combustível pode contaminar o óleo, aumentando artificialmente o nível e mascarando o consumo real. O resultado é um óleo mais fluido, com menor capacidade de proteção, sem que o nível desça de forma evidente.
O sistema de ventilação do cárter também pode compensar desgaste interno. Uma válvula PCV cansada ou parcialmente obstruída altera o controlo dos vapores de óleo, mantendo o consumo estável enquanto aumenta a pressão interna e o stress sobre vedantes e segmentos.
Atrito interno
Além disso, sensores e estratégias de gestão do motor ajustam misturas e tempos de injeção para compensar perdas de eficiência mecânica. O motor continua a funcionar de forma aparentemente regular, mas com mais atrito interno, temperaturas locais mais elevadas e maior esforço dos componentes.
Por isso, um consumo de óleo estável deve ser analisado em conjunto com outros indicadores, como estado do óleo usado, odores a combustível, aumento de ruído mecânico, consumo de combustível e histórico de regenerações. Nem sempre o problema está no que o motor consome, mas no que já deixou de proteger.