Há concepts que servem para sonhar. E outros que já antecipam episódios de um futuro próximo. O Peugeot Polygon Concept pertence, claramente, ao segundo grupo.
É uma espécie de trailer alargado do futuro da marca do leão, um “previously on Peugeot” que antecipa soluções reais, algumas delas com estreia já marcada, a começar pelo “novo 208, que será o primeiro modelo de produção a beneficiar desta nova filosofia de condução e de um volante que desafia tudo o que conhecemos”, segundo adiantou Jorge Magalhães, diretor de comunicação da Stellantis, durante a apresentação do Polygon Concept.
15 minutos às voltas
Foi neste espírito de pré-estreia que a Peugeot trouxe o Polygon Concept a Lisboa e permitiu a um grupo restrito de meios de comunicação, entre os quais o Check-up, uma curta experiência dinâmica.
O cenário não podia ser mais improvável: dentro do Loft de Marvila, entre pilares estruturais de betão, um percurso desenhado à medida e um instrutor sempre ao lado.
Não fosse alguém esquecer-se do valor incalculável de um concept e estragar a vida à marca numa manobra mais entusiasmada ou num estacionamento mal calculado. Em 15 minutos, convenhamos, não havia tempo para grandes estragos. Mas deu para perceber muito do protótipo.
O centro de tudo é o Hypersquare. Um volante que já não é volante, pelo menos no sentido clássico do termo. De formato quase quadrado, inspirado no mundo dos videojogos e da aeronáutica, está ligado a um sistema de direção totalmente eletrónico: steer-by-wire.
Aqui, não existe qualquer ligação mecânica entre o comando e as rodas. Tudo é feito por sinais elétricos, tecnologia já amplamente testada noutros setores e que a Peugeot prevê introduzir num modelo de série a partir de 2027.
A grande vantagem sente-se logo nos primeiros metros. A baixa velocidade, como em manobras de estacionamento ou inversão de marcha, o Hypersquare permite virar as rodas com um simples movimento dos pulsos, sem cruzar braços nem dar voltas infinitas ao volante.
A rotação máxima é de apenas 170° para cada lado, contra as três voltas completas de um sistema tradicional. A alta velocidade, basta um leve impulso para ajustar a trajetória, com uma precisão quase cirúrgica.
A sensação é de hiperagilidade, mas, também, de confiança: o sistema filtra vibrações indesejadas e devolve ao condutor apenas a informação útil da estrada.
Três opções de volante
Durante a experiência, em Marvila, o instrutor foi ainda mais longe e… tirou o volante. Literalmente. É que existem três configurações possíveis do Hypersquare, reforçando a ideia de personalização total e de um posto de condução que se adapta ao condutor e não o contrário. Uma demonstração clara de que este é um laboratório em movimento. Quase apetecia levar o volante para casa…
Tudo isto está integrado na nova geração do Peugeot i-Cockpit. No Polygon Concept, desaparece o tradicional painel de instrumentos: o para-brisas transforma-se num enorme ecrã de 31” (24 cm de largura por 74 cm de altura), graças a um sistema de projeção com vários Micro-LED posicionados atrás do volante.
A informação surge, diretamente, no campo de visão do condutor, reforçando a segurança e a imersão. Existem diferentes modos de condução (Cruise, Fun e Hyper) que alteram gráficos, animações e ambiente visual, dentro e fora do automóvel. Quando parado, os Micro-LED são visíveis do exterior, criando animações que ligam o interior ao mundo em redor..
Revolução tecnológica
O design exterior acompanha esta revolução tecnológica. Com menos de quatro metros de comprimento, o Polygon Concept apresenta formas puras, geométricas e uma postura felina bem vincada.
A assinatura luminosa das três garras é reinventada numa disposição horizontal, totalmente em Micro-LED, animada à frente e atrás em sincronização. Um ecrã adicional no pilar C mostra o nível de carga da bateria, reforçando a lógica de comunicação constante entre veículo e utilizador.
No interior, tudo foi pensado para libertar espaço e reduzir complexidade. Os bancos recorrem a uma estrutura impressa em 3D, com espuma moldada numa única peça. São apenas três componentes principais, em vez das dezenas habituais.
As duas portas XXL, com abertura em borboleta, substituem as quatro tradicionais, simplificando construção e melhorando acessibilidade. Muitos elementos são modulares e facilmente substituíveis: do volante aos embelezadores das rodas, passando pela espuma dos bancos, permitindo que o carro evolua ao longo do tempo com o seu proprietário.
Poucas peças
A sustentabilidade não é um capítulo à parte, é uma linha condutora. O Polygon Concept utiliza materiais reciclados em larga escala: tecidos forjados a partir de bancos de antigos Peugeot, tinta interior com componentes de pneus reciclados, plásticos R-PET impressos em 3D e menos peças no conjunto final, o que significa menos peso, maior eficiência e processos de fabrico mais simples.
Até os pneus Goodyear, gravados a laser a cores, incorporam tecnologia inteligente SightLine, fornecendo dados, em tempo real, sobre o estado do piso e das estradas.
Urban, Player ou Explorer. São três personalidades e três formas de encarar o mesmo automóvel. Daí o nome Polygon. Trata-se de um concept que não aponta apenas uma direção, mas várias, sempre com o condutor no centro da experiência.
Antes de sair do Loft de Marvila, ainda houve tempo para espreitar outra novidade. O novo Peugeot 408 marcou presença, permitindo aos jornalistas um primeiro contacto visual com um modelo que, embora bem mais real, também faz parte dos próximos episódios da marca.
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