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Passado, presente e futuro da cortiça na produção da Mazda

A Mazda voltou a recorrer à cortiça para fabricar o seu primeiro modelo 100% elétrico: o MX-30. Esta matéria-prima foi utilizada no passado, continua a ser, hoje, e sê-lo-á no futuro.

Inspiração no passado, pés (ou rodas…) no presente e foco no futuro. A utilização da cortiça como matéria-prima dos seus modelos está enraizada nos primeiros 100 anos da Mazda, que se completam a 30 de janeiro de 2021.

Agora, por ocasião do lançamento do seu primeiro automóvel 100% elétrico, o MX-30, a marca voltou a recorrer a este produto de cunho tipicamente nacional. Um processo que envolve, claro está, a Mazda Motor Corporation, mas, também, as empresas nipónicas Uchiyama Manufactoring Corporation e Daikyo Nishikawa Corporation.

Mas a verdadeira fornecedora deste material sustentável é a portuguesa Corticeira Amorim SGPS, S.A, reputada holding portuguesa na área da transformação de produtos de cortiça e líder mundial do setor.

Primórdios do século XX

Para compreender o início de tudo, teremos de recuar 100 anos e visitar a empresa Toyo Cork Kogyo, na qual a aposta na cortiça como pilares do seu negócio assentou em duas razões principais. Havia muitos sobreiros na região em redor de Hiroshima e a indústria naval local estava em alta, recorrendo-se à cortiça para produzir materiais para embarcações em madeira. A aposta era óbvia.

De regresso a Hiroshima, sua cidade natal, Jujiro Matsuda, o fundador da empresa que, hoje, conhecemos como Mazda, viria a integrar a Toyo Cork Kogyo como membro do Conselho de Administração. Após uma carreira de sucesso em Osaka, na área da engenharia e da mecânica, rapidamente progrediu como aprendiz numa ferraria para deter a sua própria empresa de transformação de metais.

Sabia que…

como matéria-prima natural, a cortiça regista enormes níveis de resistência? E que antes da existência de isolantes com base em borracha sintética ou resina, peças como juntas de cabeça para motores e selagens, entre outras, recorriam à cortiça?

Embora experiente em maquinaria, Matsuda rapidamente provou o seu valor em novas áreas, através de um conjunto de grandes ideias. Uma das quais teve como base a produção de placas de cortiça, sob pressão.

Já em 1927, Matsuda decidia-se pela aposta na produção de maquinaria, facto que levou a que a empresa deixasse cair a referência “Cork” da sua denominação inicial, assumindo-se como Toyo Kogyo, para, pouco tempo depois, iniciar a produção de pequenos camiões de três rodas, alicerçando a vertente automóvel da Mazda do presente.

https://www.youtube.com/watch?v=D9CFWlm_lls&ab_channel=MazdaEurope

À medida que esta nova área de intervenção crescia, Matsuda via-se obrigado a passar o negócio da cortiça para as mãos de outro fabricante, a Uchiyama Kogyo, em Okayama, a leste de Hiroshima. A transição aconteceria em 1944, assumindo esta o controlo das fábricas e da maquinaria de transformação de cortiça, obrigando a Toyo Kogyo a investir no negócio da nova entidade Toyo Cork.

Atualidade: Mazda MX-30

Os engenheiros da Mazda arrancaram para o fabrico do novo MX-30 com o passado a servir de inspiração. E decidiram integrar a cortiça no interior no modelo. Youichi Matsuda, designer chefe do Mazda MX-30, explicou a decisão: “Quando a Toyo Cork Kogyo foi criada, as tecnologias assentes nos plásticos e nas borrachas não estavam desenvolvidas como hoje, pelo que se recorreu, então, à cortiça como material alternativo na produção de peças como juntas e isolamentos”.

E acrescentou: “Já após a 2.ª Guerra Mundial, iniciou-se uma rápida evolução nas áreas das borrachas e dos plásticos numa escala industrial, deixando gradualmente para trás o papel até então desempenhado pela cortiça”.

Passadas décadas, a opção foi óbvia, mas o processo complexo. “Foi todo um novo desafio que se nos deparou”, recordou Matsuda. “Tivemos de cumprir com todos os requisitos, como a durabilidade, a textura e o aspeto visual, para que pudéssemos usar a cortiça no interior do novo Mazda MX-30”, disse.

E frisou. “Porque a sustentabilidade da cortiça encontra-se perfeitamente alinhada com um modelo com as particularidades do MX-30, recorremos, também, a um material obtido a partir da reciclagem de garrafas de plástico na composição do revestimento das guarnições das portas, para além de usarmos plástico projetado biologicamente em elementos das portas dianteiras e traseiras”.

Sabia que…

a primeira vez que a Mazda recorreu à cortiça para a produção dos seus modelos foi em 1920? E que ainda hoje é o único fabricante a optar por esta matéria-prima?

Quando o projeto MX-30 arrancou, a Mazda focou-se na elevada consciência ambiental dos clientes deste modelo de zero emissões. O recurso à cortiça foi uma das maiores prioridades desse target, sublinhando a génese da sustentabilidade.

Material de elevado teor ecológico, como produto único gerado pela natureza, a cortiça tem, hoje, inúmeras aplicações, gerando diferentes sobras, como a inerente à produção de rolhas de garrafas, nomeadamente na indústria vinícola. Além disso, é uma matéria-prima de características quentes, de toque suave e visual encantador, sendo um produto familiar para o comum dos mortais, entre eles os potenciais clientes portugueses.

A cortiça presente no habitáculo do novo Mazda MX-30 provém do excedente resultante da indústria da produção de rolhas (também chamadas “sobras”), sendo, na sua grande maioria, de origem portuguesa, mas, também, obtida em sobreiros japoneses, contribuindo para um substancial menor desperdício e, por consequência, uma diminuição dos níveis de CO2 emitidos para a atmosfera, caso as mesmas transitassem para processamento e posterior destruição.

Mantendo a qualidade intrínseca à das mais comuns rolhas de cortiça, esse excedente é, depois, alvo de transformação segundo um conjunto das mais evoluídas técnicas, de modo a tornar-se num elemento decorativo de excelência no interior do MX-30, visualmente diferenciador e muito agradável ao toque, ao mesmo tempo que garante a mesma durabilidade dos demais elementos que compõem os habitáculos dos restantes modelos da Mazda em comercialização.

Mais sobre a Mazda aqui.

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