Confesso que o ensaio ao MG ZS Hybrid+ provocou aquela mistura de sentimentos a que costumo chamar mixed feelings quando não consigo descrever muito bem a reação que determinada situação desencadeia.
Não porque duvidasse dos argumentos apresentados por este SUV híbrido, longe disso, mas porque a MG faz-me viajar no tempo e recuar a uma época em que a eletrificação ainda era uma palavra desconhecida e onde os descapotáveis de dois lugares a gasolina faziam parte do meu imaginário.
Só que o mundo mudou (o automóvel também) e a SAIC Motor (Shanghai Automobile Industry Corporation) é, hoje, a “empresa mãe” da MG, marca criada, recorde-se, nos Morris Garages, em 1924.
A SAIC Motor afirma ser o sétimo maior fabricante de automóveis do mundo e anuncia ter sido o primeiro grupo automóvel na China com vendas anuais superiores a sete milhões de unidades.
Trajeto de crescimento
Por cá, a escala é outra. Mas digna de registo. Em 2025, a MG ultrapassou as quatro mil unidades vendidas (na Europa e no Reino Unido superaram as 300 mil), consolidando a sua presença em Portugal e confirmando a evolução sustentada da marca desde o seu relançamento no nosso país.
No ano passado, os modelos eletrificados representaram uma parte significativa das matrículas da MG (que tem uma oferta maior em híbridos do que em modelos 100% elétricos), “refletindo a mudança de comportamento dos consumidores portugueses, que valorizam eficiência, autonomia e custo total de utilização”, refere a MG Motor Portugal.
Para 2026, a MG prevê continuar a crescer em Portugal, com foco no reforço da gama eletrificada, no alargamento da rede de concessionários e numa aproximação ainda maior aos clientes.
A marca já fez saber que mantém, de resto, o compromisso de oferecer soluções de mobilidade adaptadas às necessidades reais do mercado português, contribuindo para a transição rumo a uma mobilidade mais sustentável e eficiente.
Habitáculo bem pensado
Mas voltemos ao MG ZS Hybrid+. Começando pelas linhas exteriores, que apresentam proporções equilibradas e exibem, na versão Luxury, a mais equipada, jantes de 18” com pneus de medida 215/50. A grelha escura, os faróis alongados e os vincos das portas são elementos que resultam bem. Eu, pelo menos, gosto.
Por dentro, o ambiente, totalmente preto, é agradável. “A utilização de materiais suaves e uma montagem precisa conferem um elevado nível de qualidade percebida”. Neste ponto, discordo da MG. Alguns materiais não são assim tão macios ao toque. Nada de grave, é certo, mas podiam ser melhores.
Alguns detalhes, como a alavanca da caixa de velocidades e o volante de três raios, resultam bem, tal como o layout do painel de instrumentos, estendido e em várias camadas, que parece tornar o tablier mais amplo e proporciona a cada função principal uma localização clara e de fácil identificação.
Não houve nenhuma configuração neste SUV híbrido que não tivesse conseguido executar rapidamente. Desde o emparelhamento do telemóvel até ao acerto do sistema de som em função das minhas preferências musicais, achei o menu intuitivo e muito completo.
Funcionalidade elevada
Na versão Luxury, o MG ZS Hybrid+ dispõe de um nível de equipamento recheado. Inclui tudo o que faz falta mais algumas “mordomias” que, hoje, se tornaram imprescindíveis: acesso sem chave, câmara 360°, dois ecrãs de 12,3” e vários dispositivos de assistência à condução.
Mas há mais: aquecimento para o volante e bancos dianteiros, estofos em pele sintética, cruise control adaptativo, sensores de estacionamento traseiros, banco do condutor elétrico com seis posições, faróis de LED, vidros escurecidos, ar condicionado automático e sistema de conectividade MG iSmart.
No MG ZS Hybrid+, gostei ainda do espaço disponível quando tive de transportar quatro adultos, dos 30 locais de arrumação existentes e da bagageira, onde os 443 litros chegam aos 1.457 litros com o rebatimento dos bancos traseiros.
A zona de carga inclui um compartimento de arrumação sob o piso, ganchos para segurar sacos de compras e pontos de ancoragem para acessórios, como, por exemplo, uma rede.
Condução eficiente
Com uma potência combinada de 197 cv, o MG ZS Hybrid+ permite acelerações e recuperações dignas de registo. O arranque dos 0 aos 100 km/h faz-se em 8,7 segundos e a recuperação dos 80 aos 120 km/h demora não mais do que 7,2 segundos (valores anunciados). A velocidade máxima situa-se nuns modestos 168 km/h.
O chassis aperfeiçoado na Europa permite a este SUV oferecer um nível de conforto acima da média, ainda que o desempenho dinâmico não prime propriamente pela precisão. A direção devia ser mais comunicativa e a suspensão podia controlar melhor o rolamento da carroçaria em curva. Dos travões, não tenho críticas a fazer.
Equipado com a nova caixa automática de três velocidades, o MG ZS Hybrid+ proporciona uma experiência serena a bordo, ajustando-se, automaticamente, para oferecer a melhor combinação entre potência e eficiência, gerindo diferentes fases de condução.
Sete anos de garantia
No modo híbrido em paralelo, os motores elétrico (100 kW/136 cv) e térmico (quatro cilindros de 1,5 litros, com 102 cv) trabalham em conjunto para impulsionar o veículo, proporcionando uma condução mais dinâmica e um desempenho otimizado.
No modo propulsão direta, o motor térmico aciona as rodas dianteiras, reduzindo o consumo de combustível (que é de 5,1 l/100 km em ciclo WLTP, sendo as emissões de CO2 de 115 g/km), especialmente em velocidades mais elevadas.
Já no modo de regeneração, o sistema KERS recupera a energia da travagem, convertendo-a em eletricidade para recarregar a bateria (tem 1,83 kWh de capacidade total), aumentando, assim, a eficiência global deste SUV.
Terminamos com mais um trunfo do MG ZS Hybrid+: a garantia. A marca oferece nada menos do que sete anos ou 150 mil km para a mecânica, sistema elétrico de alta tensão, fonte de alimentação e anti-corrosão, sendo que esta última não tem limite de quilómetros.
Quanto à assistência em viagem, está incluída no primeiro ano. Do segundo ao sétimo ano, é oferecida apenas para clientes que realizem uma revisão completa num concessionário oficial MG.