A Galp e os acionistas da Moeve (Mubadala Investment Company e The Carlyle Group) anunciaram ter alcançado um acordo “não vinculativo” para avançar com negociações detalhadas com vista à potencial junção dos respetivos portefólios de downstream.
“O objetivo passa pela criação de duas plataformas líderes de energia e mobilidade na Península Ibérica, designadas, provisoriamente, por RetailCo e IndustrialCo”, avança a Galp, em comunicado.
Eficiência operacional
A operação em estudo pretende consolidar ativos, competências e equipas complementares em Portugal e Espanha, reforçando a escala, a eficiência operacional e a capacidade de investimento, num contexto marcado pela transição energética e pela necessidade de aumentar a resiliência e a competitividade do sistema energético ibérico.
Caso se concretize, esta junção “permitirá criar uma plataforma de retalho com uma das maiores redes de estações de serviço da Península Ibérica, oferecendo maior diversidade de serviços, soluções de conveniência reforçadas e mais valor para os clientes finais”, pode ler-se no mesmo documento.
Em paralelo, está prevista a criação de uma plataforma industrial escalável, integrando atividades de refinação, trading, petroquímica e desenvolvimento de moléculas verdes, como biocombustíveis e hidrogénio.
“Esta estrutura terá como foco o mercado B2B, procurando ganhar eficiência operacional, competitividade global e capacidade de resposta aos desafios da descarbonização em setores de difícil abatimento”, sublinha.
Motor de crescimento
Apesar desta potencial reorganização do downstream, a Galp reforça que manterá o seu “foco estratégico na criação de valor para os acionistas, alavancando posições-chave no segmento de upstream, que continuará a ser o principal motor de crescimento da empresa, em conjunto com os negócios de renováveis e de aprovisionamento e trading de gás e eletricidade”, afirma. A empresa deverá manter-se como acionista relevante nas duas novas plataformas, beneficiando da sua reconhecida excelência operacional.
As negociações em curso avaliam a criação de duas plataformas energéticas ibéricas distintas. A RetailCo será orientada para a mobilidade e para o retalho de combustíveis, incluindo soluções de carregamento de veículos elétricos e serviços de conveniência, servindo clientes B2C e promovendo soluções de mobilidade de proximidade.
Esta plataforma será controlada pela Galp e pelos acionistas da Moeve, com participações equilibradas, garantindo alinhamento estratégico e nas decisões de investimento. “A RetailCo poderá tornar-se num dos maiores operadores de mobilidade da Península Ibérica, com uma rede estimada de cerca de 3.500 estações de serviço, maioritariamente em Portugal e Espanha”, explica a Galp.
Dimensão estratégica
Já a IndustrialCo, será dedicada às atividades industriais, como refinação, petroquímica, trading e combustíveis de baixo carbono. A Galp deverá manter uma participação minoritária significativa, superior a 20%, assegurando o alinhamento estratégico de longo prazo, enquanto a nova plataforma ganha autonomia, escala e foco para acelerar a transformação industrial.
“Esta estrutura deverá desempenhar um papel central na atração de talento e investimento de longo prazo para a região, promovendo a conversão de ativos existentes em hubs multienergia integrados e apoiando a reindustrialização da Península Ibérica, a segurança energética e os objetivos de descarbonização”, acrescenta a mesma fonte.
Durante todo o processo de negociação, a Galp e a Moeve continuarão a operar como entidades independentes, garantindo a continuidade das operações, do abastecimento e do serviço aos clientes em todas as geografias e atividades.
Qualquer transação permanece dependente da negociação de acordos finais e vinculativos, das aprovações societárias necessárias e das autorizações regulatórias aplicáveis, não existindo, nesta fase, impactos nas operações, nos colaboradores ou nas relações comerciais existentes.
Oportunidade única
Paula Amorim, presidente do conselho de administração da Galp, sublinha a dimensão estratégica do entendimento alcançado: “Estou extremamente confiante por termos chegado a este acordo preliminar e iniciado uma discussão de enorme relevância estratégica europeia. A visão de crescimento da Galp sempre se pautou por parcerias com operadores altamente credíveis, que demonstraram consistentemente capacidade na criação de valor”, diz.
A responsável acrescenta que “ao agregar as capacidades e a experiência complementares da Galp e da Moeve nas operações de downstream, temos a oportunidade de criar grandes grupos europeus na Península Ibérica, cada um beneficiando de maior foco, alocação de capital ajustada e flexibilidade essencial para impulsionar um crescimento sustentável e gerador de valor”.
Do lado da Moeve, o CEO, Maarten Wetselaar, destaca o potencial transformador da iniciativa. “Esta potencial junção representa uma oportunidade única para reforçar o papel da Península Ibérica na transição energética, através da criação de plataformas com a escala, resiliência e capacidade de investimento necessárias para concretizar a mudança com rapidez”, afirma.
Segundo o gestor, a combinação de excelência industrial, alcance no downstream e um pipeline sólido de projetos de baixo carbono permitirá “atrair capital sustentado e acelerar a implementação de soluções que apoiem a competitividade, a descarbonização e o crescimento económico”.
A Galp e a Moeve comprometem-se a manter o mercado, os colaboradores e os restantes stakeholders informados, em conformidade com as respetivas obrigações legais e de divulgação de informação, à medida que o processo evolui.