Folgas na distribuição podem causar microvibrações invisíveis ao ralenti?

Mesmo sem ruídos ou erros, pequenas folgas na distribuição podem gerar vibrações subtis que só surgem em carga.
Check-up Media mechanic engine bay

Em muitos motores modernos, o ralenti é fortemente estabilizado pela gestão eletrónica, o que pode mascarar problemas mecânicos numa fase inicial. Pequenas folgas na distribuição, seja em correntes, engrenagens, tensores ou mesmo no comando de válvulas, podem existir sem provocar ruídos evidentes ou oscilações percetíveis a baixa rotação.

Estas folgas manifestam-se, sobretudo, quando o motor sai da zona de controlo apertado do ralenti e entra em regimes de carga parcial. Nestas condições, as variações de esforço na distribuição aumentam e a sincronização deixa de ser totalmente uniforme, originando microvibrações difíceis de identificar em testes estáticos.

“Motor preso”

A ECU tende a compensar estas irregularidades ajustando a injeção e o avanço de forma contínua. O motor mantém um funcionamento aparentemente suave, mas o condutor pode notar uma aspereza ligeira em aceleração, transições menos limpas entre regimes ou uma sensação difusa de “motor preso”, sem que exista qualquer falha registada.

Com o tempo, estas microvibrações aceleram o desgaste de componentes adjacentes, como polias, sensores de fase e até suportes do motor. Em alguns casos, só se tornam audíveis ou detetáveis quando a folga já evoluiu para um problema mais sério.

Dados de sincronização

A ausência de sintomas ao ralenti não deve excluir a distribuição do diagnóstico. Análise de dados de sincronização, observação de desvios entre sensores de cambota e árvore de cames, bem como testes dinâmicos em estrada, ajudam a detetar estes problemas precoces.

As microvibrações causadas por folgas na distribuição são silenciosas, progressivas e fáceis de ignorar. Justamente por isso, são uma das causas mais comuns de desgaste avançado em motores que “pareciam estar bons”.

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