Quando surgem vibrações ligeiras no espelho retrovisor interior ou exterior, muitos condutores associam-nas de imediato ao estado da estrada ou a pequenas irregularidades da carroçaria.
No entanto, este tipo de vibração localizada, especialmente quando aparece a determinados regimes do motor, pode ser um dos primeiros indícios de desgaste nos apoios do motor ou da transmissão.
Amplificador de vibrações
Os apoios do motor têm a função de isolar vibrações e movimentos do conjunto motopropulsor, impedindo que sejam transmitidos à estrutura do veículo. Com o tempo, a borracha perde elasticidade, os elementos hidráulicos internos degradam-se ou os apoios ativos deixam de compensar corretamente as oscilações.
Antes de surgirem ruídos metálicos ou vibrações evidentes no volante, estas alterações manifestam-se, muitas vezes, em componentes mais sensíveis, como os espelhos.
O espelho retrovisor funciona quase como um “amplificador” de vibrações de alta frequência. Pequenos desequilíbrios que passam despercebidos noutras zonas tornam-se visíveis sob a forma de tremores ligeiros ou imagens desfocadas, sobretudo ao ralenti, em aceleração suave ou em regimes muito específicos.
O facto de a vibração desaparecer ao subir ou descer ligeiramente o regime é uma pista importante.
A gestão eletrónica do ralenti consegue mascarar grande parte das irregularidades, mantendo rotações estáveis mesmo com apoios já cansados. O condutor não sente desconforto significativo, mas a vibração continua a propagar-se pela estrutura, afetando, gradualmente, outros componentes, como tubos, cablagens e até sensores sensíveis.
Esforços adicionais
Ignorar estes sinais pode acelerar o desgaste de outros apoios, provocar esforços adicionais na transmissão e aumentar o risco de ruídos parasitas difíceis de localizar mais tarde.
Uma inspeção visual e funcional dos apoios, aliada à observação do comportamento do motor em diferentes regimes e cargas, permite confirmar o diagnóstico numa fase precoce.
Um espelho que vibra não é apenas um detalhe incómodo. Muitas vezes, é o primeiro aviso de que o isolamento do motor já não está a cumprir totalmente a sua função e de que vale a pena intervir antes que o problema se torne mais evidente e dispendioso.