Com quantas baterias de smartphone se carrega um veículo elétrico?

A Kia andou a contar o número de baterias de telemóveis que um veículo elétrico necessitaria para conseguir circular. Será apenas uma questão retórica?

As baterias são dos componentes mais indispensáveis num mundo digitalizado, como o atual. São o alimento de uma indústria moderna e a evolução da sua tecnologia tem marcado o ritmo de fabricantes de smartphones, de computadores e de automóveis. Produtos que, de resto, têm um ADN cada vez mais comum. Partilhado.

Os veículos elétricos, em ascensão mundial, beneficiaram, numa fase inicial, com as inovações chegadas da eletrónica de consumo, até que, por fim, os papéis começam a inverter-se aos poucos. Mas os dois universos perseguem objetivos comuns: mais capacidade e mais velocidade de carga, com menor tamanho e peso possíveis.

Impõe-se, portanto, a questão: as baterias de um veículo elétrico e de um smartphone diferem apenas no tamanho e no número de células ou há mais diferenças entre elas? Mais: será possível alimentar um veículo elétrico com as baterias de muitos telemóveis?

Os especialistas da Kia fizeram as contas. “Se quiséssemos desenvolver um veículo elétrico com as mesmas prestações do e-Niro, a partir de baterias convencionais de telefones móveis (de 4.000 mAh e 3,6 V), precisaríamos de agrupar nada menos do que 4.444 baterias!”.

Um número redondo. E avassalador. Mas não bastava. Seria ainda necessário empregar-se a topologia 45p98s. Ou seja, “agrupar 45 baterias em paralelo, com 98 packs em série. E, muito importante, todas compactadas num compartimento blindado e dotado de um sistema de refrigeração eficaz”, esclarecem os responsáveis da Kia.

Check-up Media Kia eNiro white

Álvaro Caballero, professor do Departamento de Química Inorgânica e Engenharia Química e investigador na Universidade de Córdoba, especialista na tecnologia de baterias, explica que “as diferencias entre ambas provém da necessidade de energia tão distinta que requer mover um carro elétrico ou fazer funcionar um telemóvel. Mas a tecnologia da bateria é a mesma: a célula recarregável de iões de lítio baseada num ânodo de grafito e um cátodo principalmente formado por um óxido que contém lítio, cobalto, magnésio e níquel”.

A bateria do Kia e-Niro emprega 294 células de polímero de lítio do tipo “pouch”, com um ciclo de vida mais elevado. Além disso, existem diferenças evidentes no tamanho e na autonomia, condicionadas tanto pelas dimensões do produto como pela utilização que se vai fazer do mesmo.

Uma bateria para um smartphone tem 3 mm de espessura e um peso de apenas 80 g, enquanto a bateria do e-Niro pesa 445 kg na sua versão de 64 kWh. A composição e a densidade energética das suas células interiores são, contudo, semelhantes: 250 Wh/kg no Kia e 246 Wh/kg num telemóvel. Num smartphone, as baterias têm entre 3,7 V e 3,85 V; no e-Niro, a voltagem é de 356 V, cifra que aumenta até aos 800 V no novo Kia EV6, por exemplo.

Mas não só. A potência de carga também é diferente. Um Kia e-Niro pode recarregar até 80% da sua capacidade com um carregador de 100 kW em 42 minutos. Nesse tempo, a bateria do e-Niro é capaz de acumular 51,2 kWh, enquanto um smartphone só tem capacidade de recargar 11,84 Wh, ou seja, 0,01184 kWh.

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