O mercado global de veículos elétricos está a atravessar uma mudança estrutural profunda. De acordo com um estudo divulgado pela XTB, a “BYD ultrapassou a Tesla em volume de vendas e expansão internacional, assumindo a liderança industrial num setor que, durante anos, foi dominado pela marca norte-americana”.
No entanto, “quando a análise passa do número de unidades para a rentabilidade e para a valorização em bolsa, o equilíbrio de forças altera-se de forma significativa”, adianta.
Unidades vendidas
Segundo a XTB, “em 2025 a BYD vendeu cerca de 4,6 milhões de veículos, dos quais 2,26 milhões totalmente elétricos, enquanto a Tesla entregou, aproximadamente, 1,64 milhões de veículos 100% elétricos aos clientes”.
A vantagem da BYD em volume “resulta de uma estratégia agressiva de expansão fora da China, com mais de 417 mil veículos vendidos em mercados internacionais (só mais de seis mil foram em Portugal em 2025), um crescimento de 72% face a 2023, reforçando a sua presença na Ásia, Europa e América Latina”, explica o estudo.
A Tesla, por sua vez, “enfrenta um período de estagnação nas entregas, sobretudo nos segmentos médios e de entrada, mais expostos à forte concorrência no mercado chinês”. Após vários anos de crescimento contínuo, a marca registou uma “quebra próxima de 1% em 2024, com nova descida estimada para 2025, refletindo a perda de quota para fabricantes locais e a pressão sobre os preços”.
Liderança financeira
O estudo da XTB sublinha ainda que esta transição tem sido gradual, mas consistente. “Em 2023, a BYD vendeu 3,0 milhões de veículos, contra 1,81 milhões da Tesla. Em 2024, subiu para 4,27 milhões, enquanto a Tesla ficou nos 1,79 milhões. Em 2025, a diferença voltou a acentuar-se, confirmando a liderança da marca chinesa em volume global”, explica a XTB, em comunicado.
No entanto, o domínio industrial da BYD não se traduz, automaticamente, em liderança financeira. “Em 2024, o construtor chinês ultrapassou a Tesla em receita total, alcançando 107 mil milhões de dólares, face aos 97,7 mil milhões da marca norte-americana”, refere. Ainda assim, em termos de lucro líquido, a “Tesla manteve uma vantagem expressiva, com 12,6 mil milhões de dólares, mais do dobro dos 5,56 mil milhões registados pela BYD”.
A diferença torna-se ainda mais evidente quando analisado o lucro por veículo, um dos indicadores destacados pela XTB. “No primeiro semestre de 2025, a Tesla gerou cerca de 8.250 dólares por automóvel, enquanto a BYD ficou próxima dos 1.250 dólares. Estes números refletem duas estratégias distintas: a BYD aposta no volume e na conquista de quota de mercado; a Tesla privilegia margens, eficiência operacional e diferenciação tecnológica”, acrescenta o mesmo estudo.
Duas frentes
Essa divergência explica, também, o comportamento dos mercados financeiros. “A Tesla mantém uma capitalização bolsista próxima de 1,5 mil milhões de dólares, suportada pelas expectativas em torno de áreas como Inteligência Artificial, condução autónoma e robotáxis”, diz.
“A BYD, avaliada em cerca de 130 mil milhões de dólares, continua a ser percecionada, sobretudo, como um construtor automóvel tradicional, apesar da sua liderança em vendas e da forte integração vertical”, sublinha a mesma fonte.
A conclusão do estudo da XTB é clara: a “BYD venceu a corrida do volume e da expansão global, mas a Tesla continua, para já, a liderar na rentabilidade e na narrativa tecnológica”, afirma. O verdadeiro desfecho desta rivalidade dependerá de qual destas visões acabará por moldar o futuro do automóvel elétrico.
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