Há ralis que vivem da memória. E outros que se reinventam a cada edição. O bilstein group Rallye das Camélias parece reunir ambas as dimensões e tudo indica que 2026 poderá marcar um novo patamar da prova.
A expectativa é elevada, a ambição é clara e as novidades são várias, como ficou bem evidente na conferência de imprensa realizada ontem, ao final da tarde, nas instalações do bilstein group, patrocinador principal e naming sponsor da lendária competição.
“Sal e pimenta”
Agendado para os dias 6 e 7 de fevereiro, o Rallye das Camélias 2026 apresenta-se com um figurino renovado, tanto ao nível do percurso como do enquadramento territorial.
Aos “habituais” concelhos de Cascais, Sintra e Mafra junta-se, agora, Torres Vedras, passando a prova a atravessar quatro municípios — todos representados por responsáveis na apresentação oficial desta edição.
No plano desportivo, as alterações são profundas e assumidas. Joaquim Capelo, diretor de prova, explicou que esta edição traz uma abordagem diferente ao desenho das classificativas. “Este ano, tivemos de colocar um bocadinho de sal e pimenta na prova. Há muitas novidades em termos de classificativas. Vamos passar em sítios conhecidos, mas, por vezes, ao contrário”, afirmou.
Almargem do Bispo é novidade
O programa arrancará na sexta-feira, dia 6, com as verificações administrativas e técnicas a decorrerem durante a manhã nas instalações do bilstein group. A partida oficial mantém-se nos Jardins do Casino do Estoril, com os concorrentes a entrarem em competição a partir das 18 horas.
A primeira classificativa será repetida, recuperando o traçado inicial de 2025, agora com a designação Sintra–Cascais. Entre as duas passagens, está previsto um reagrupamento no Parque do Palácio de Sintra.
A grande novidade da sexta-feira surge com a estreia de Almargem do Bispo como classificativa. Com cerca de 7,5 km, o troço percorre o interior das aldeias da freguesia e promete um ambiente muito especial. “É quase uma super especial, apesar de ser uma classificativa normal”, sublinhou Joaquim Capelo. O dia terminará em Mafra.
No sábado, a prova recomeçará em Mafra, com assistência no parque e passagem por Casal Barbas, seguida de uma classificativa em Mafra e de um reagrupamento no Palácio de Mafra. Após nova assistência, os concorrentes seguem para a Quinta da Abelheira, em Torres Vedras, sendo a cerimónia de entrega de prémios novamente realizada em Mafra.
Prova internacional
Para Fernando Matias, presidente do Clube de Motorismo de Setúbal, o Rallye das Camélias continua a destacar-se, também, fora da estrada. “Fico sempre espantado quando chega o dia da conferência de imprensa e a casa está cheia desta forma”, disse.
“Ando pelo país inteiro a assistir a conferências e o Rallye das Camélias apresenta sempre uma casa extraordinária”, frisou. Um sinal claro de que o trabalho de bastidores compensa: “Só assim fazem sentido os seis meses de preparação, as reuniões, as visitas técnicas, centenas de emails e milhares de telefonemas”, revelou.
O dirigente deixou ainda um agradecimento especial às cerca de 180 pessoas que estarão no terreno nos dois dias de prova e lançou o desafio para 2026. “Esperamos que este seja o melhor rali desta nova era. É com este rali que iniciamos a internacionalização da prova. Nunca em campeonato nenhum, mas sempre em festa”.
Categoria Revival
Do lado do patrocinador principal, Joaquim Candeias, managing director do bilstein group, assumiu o orgulho no envolvimento da empresa. “Desde miúdo que me lembro de ver o Rallye das Camélias. Poder contribuir para que este rali continue de pé é um enorme prazer”, referiu.
E destacou, também, a dimensão humana da prova. “Aqui, tive oportunidade de conhecer pilotos e perceber que são pessoas de bem e de bom trato. Muitos vêm agradecer, mas o meu bem-haja é para todos os que acompanham esta prova”, sublinhou o responsável.
No plano do espetáculo, a edição de 2026 reserva ainda um regresso muito aguardado. O Audi Sport Quattro S1 E2 volta ao Rallye das Camélias para disputar a categoria Revival, que substitui a Legends e é dedicada a clássicos até 1985.
Trata-se de uma réplica do modelo que participou no Rali de Portugal de 1986, há precisamente 40 anos, e que será pilotada pelo espanhol Alberto Fraga, que assinalou este regresso através de um vídeo enviado para a conferência de imprensa.
Velocidade e números
Além da vertente desportiva, a organização sublinha o impacto económico direto da prova nas regiões por onde passa. Alojamento para mais de 600 pessoas, forte movimento em restaurantes e cafés, logística, abastecimento e fornecedores locais são alguns dos efeitos imediatos, a par da promoção nacional e internacional dos concelhos envolvidos. Tudo isto sem descurar a sustentabilidade, a dinamização turística e a segurança do público.
Os números da edição de 2025 ajudam a enquadrar a dimensão do evento: milhares de espetadores ao longo do percurso, grande afluência nas zonas urbanas e classificativas noturnas, mais de 300 mil pessoas alcançadas nas redes sociais e um retorno mediático nacional estimado em 1,8 milhões de euros.
Com um percurso mais alargado, novas classificativas, um cartaz histórico reforçado e uma ambição assumida de crescimento, o bilstein group Rallye das Camélias 2026 prepara-se para confirmar o estatuto de prova de referência, à margem de campeonatos, mas unindo tradição, espetáculo e uma forte ligação ao território.
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