AFIA junta-se à CLEPA pela concorrência justa na Europa

Associação portuguesa apoia apelo à Comissão Europeia para proteger inovação, emprego e cadeias de valor do setor automóvel.
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A Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA) manifestou apoio à carta aberta da Associação Europeia de Fornecedores Automóveis (CLEPA) dirigida à Comissão Europeia, na qual é defendida a “adoção urgente de medidas para garantir uma concorrência mais justa e salvaguardar a capacidade de inovação e as cadeias de valor da indústria automóvel europeia”.

Pilar estratégico

Enquanto membro da direção da CLEPA, a “AFIA subscreve a posição de que os fornecedores do setor automóvel, responsáveis por cerca de 75% do valor total de um veículo, constituem um pilar estratégico da prosperidade industrial europeia, sustentando o investimento em investigação e desenvolvimento, o emprego qualificado e o rendimento de milhões de famílias em todo o continente”, avança a associação, em comunicado.

Segundo a associação europeia, o setor enfrenta, atualmente, “fricções sem precedentes”, num contexto global marcado por práticas de “subsidiação distorciva, dumping de preços, sobrecapacidades apoiadas pelo Estado e tarifas unilaterais, que colocam os produtores europeus numa desvantagem estrutural face à concorrência internacional”.

Empregos ameaçados

A AFIA sublinha que a Europa deve manter-se “aberta ao comércio e à cooperação internacional, mas alerta que o comércio só é sustentável quando assenta em regras equivalentes e numa concorrência efetivamente leal”.

A carta da CLEPA aponta sinais claros dessa assimetria em 2025, com as “importações de componentes para automóveis provenientes da China a atingirem 8,2 mil milhões de euros, enquanto o saldo comercial europeu passou de um excedente próximo de 7 mil milhões de euros, há cinco anos, para um défice de 0,7 mil milhões de euros”, revela.

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O documento refere ainda um estudo da Roland Berger, que alerta para o” risco de perda significativa de emprego na Europa até 2030, caso não sejam adotadas medidas atempadas”, alerta. A CLEPA avisa que a” importação de tecnologia mais barata a curto prazo pode comprometer, a médio prazo, a autonomia estratégica europeia e a capacidade de inovação industrial”.

No âmbito do Industrial Accelerator Act, a AFIA acompanha a posição da CLEPA de que a “contratação pública, os subsídios e outros incentivos devem estar cada vez mais associados à criação de valor na Europa”. Nesse contexto, ganha relevância a proposta de definição de um “veículo europeu”, com incentivos orientados para modelos que integrem, pelo menos, “75% de conteúdo local ao nível do veículo, excluindo baterias”, sugere.

Investimento e previsibilidade

Para José Couto, presidente da AFIA e membro da direção da CLEPA, “a transição para a mobilidade de baixas emissões e a digitalização exigem investimento, escala e previsibilidade”, defendendo que a “Europa só poderá liderar essa transformação se assegurar condições de concorrência justas e enquadramentos que mantenham o valor, a inovação e o emprego no espaço europeu”.

A AFIA reafirma, por fim, a sua disponibilidade para “colaborar com decisores e parceiros europeus na construção de um quadro ambicioso e credível que alinhe competitividade, inovação e transição climática, garantindo que a transformação da mobilidade cria valor e emprego de qualidade na Europa”.

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