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A força feminina do aftermarket powered by RPL Clima

São competentes, profissionais e conhecem o mercado de pós-venda como ninguém. No Dia Internacional da Mulher, ouvimos oito testemunhos da força feminina do aftermarket.

Ocupam posições de liderança e têm um profundo conhecimento do mercado do pós-venda. São líderes de grandes grupos, de empresas de relevo e de redes de oficinas de cobertura nacional e ibérica. São ainda responsáveis por departamentos de marketing ou comerciais e jornalistas de publicações de prestígio. Grandes profissionais, de grandes empresas.

Em comum, têm todas a imensa força feminina, num meio (ainda) maioritariamente composto por homens. Uma conquista conseguida pelo mérito das próprias. No Dia Internacional da Mulher, comemorado neste dia 8 de março, o Check-up foi ouvir oito testemunhos sobre o que é ser mulher no pós-venda ibérico. Quais os prós? E quais os contras? Ou será que, finalmente, estas questões já não fazem qualquer sentido?

“É indiferente ser homem ou mulher. É uma questão de carácter e de valores”, diz Silke Buss

Direta e pragmática, na profissão, como na vida, Silke Buss, responsável da agência de comunicação com o seu nome (Buss) e que tem entre os seus clientes marcas como a FUCHS e a MEWA, não está com meias palavras. “É indiferente ser mulher ou homem”, afirma.

“Sublinho que estou a responder a nível pessoal e reconheço que pode haver diferenças. Durante toda a minha experiência profissional, tanto como jornalista como há 20 anos com a minha agência de comunicação, nunca senti vantagens ou desvantagens por ser mulher. Trabalho muito bem, bem ou menos bem tanto com homens como com mulheres. É uma questão de carácter e de valores, não de género”, garante Silke Buss.

“Quanto ao charme e à simpatia, claro que podem funcionar como lubrificante ou catalisador entre mulheres e homens. Penso que uma parte das desvantagens sentidas por algumas mulheres resulta da postura que assumem. E esta atitude influencia o comportamento e a comunicação. É uma questão do ponto de partida e da interpretação. Ou seja, quando não me vem à cabeça que possa ter desvantagens, provavelmente não as vou ter”, explica

Silke Buss
Silke Buss

E remata: “Costumo ter uma postura neutra e positiva. E esta devo aos meus pais, que me educaram de maneira livre, sem estereótipos de género. Este mindset é, em geral, uma grande vantagem”.

“Procurei sempre reconhecimento pelo meu trabalho e maneira de ser”, diz Sadhna Monteiro Bleicher

Formada em psicologia, Sadhna Monteiro Bleicher, sales & marketing director da LIQUI MOLY Iberia, fez uma pequena reflexão sobre a evolução da condição feminina, ao longos dos tempos, no pós-venda nacional. Antes disso, começa por garantir que, apesar de “compreender a pergunta”, da sua parte, não vê “prós e contras que mereçam destaque”. Ou melhor: “Haverá algumas características que possam ser úteis, de vez em quando, mas nada que um homem não possa também ter como prós e contras”, explica.

“Nunca senti, neste mercado específico, que houvesse algum tipo de constrangimento para com as mulheres. Não sei o que se passa dentro das outras empresas e talvez algumas sejam conservadoras e não fomentem a igualdade de oportunidades. No mercado em si, nunca senti que houvesse algo muito prenunciado. E para se perceber melhor isso, talvez seja necessário entender as características deste mercado”, afirma.

Sadhna Monteiro Bleicher
Sadhna Monteiro Bleicher

“Se repararem, as empresas em Portugal que são líderes na grande distribuição de aftermarket são empresas familiares. Vamos agora na segunda ou terceira geração, o que significa que temos os filhos ou os netos dos fundadores a gerir as empresas”, recorda Sadhna Monteiro Bleicher.

“O negócio passou, na maioria, de pai para filho ou de tio para sobrinho. As mulheres também lá estão ou estiveram, em departamentos como a contabilidade, a faturação ou, por vezes, até no atendimento. Ou seja, a mulher sempre esteve no setor, mas não tinha destaque. Esta falta de destaque estava associada a estigmas que fizeram parte da sociedade até há relativamente pouco tempo. A mulher estudava um pouco e casava-se. Com sorte, poderia trabalhar no negócio do marido, caso contrário ficaria em casa com os filhos”, acrescenta ao Check-up.

Para Sadhna Monteiro Bleicher, existe ainda um “reflexo” dessa cultura, o que faz com que, num meio já masculino, como o dos automóveis (temos de admitir que a maioria das mulheres prefere outras áreas de interesse), a proliferação de homens fosse natural e orgânica. E importa dizer que, até certo ponto, era assim no aftermarket, como em muitos outros meios”.

De um ponto de vista pessoal? “Quando cheguei ao aftermarket tive como desafio tornar-me conhecida pelo meu trabalho e pela minha forma de ser, mas não por ser mulher. Vinha de outros mundos. E, como tal, as pessoas não me conheciam. Isso sim, foi o desafio, criar um caminho e coerência para merecer o respeito e a confiança de um mercado muito familiar e cheio de tradição”, conta.

“Claro que uma mulher se destaca num meio mais masculino, como um homem se destaca num meio mais feminino. O facto de um estar em minoria acrescenta sempre algo novo. É uma lufada de ar fresco, porque há, obviamente, diferenças entre sexos e estas são mais extrapoladas quando um deles está em minoria”, adianta.

“Sempre me senti bem, sempre gostei de trabalhar com os homens deste mercado, de ouvir as suas histórias e experiências. Nunca senti nenhum constrangimento e nenhuma vantagem especial. Bom, talvez haja uma pequenina vantagem: é mais difícil não receber uma mulher mesmo que a visita não esteja 100% agendada. Há algum pudor em recusar a entrada a uma mulher. Isso, por vezes, dá muito jeito”, brinca Sadhna Monteiro Bleicher. Para concluir, de seguida: “Podemos dizer que temos um mercado muito profissional, experiente e que aproveita ao máximo as valências pessoais em vez de se gerir só por constrangimentos sociais”.

“Não há contras em ser mulher e até rejeito esse tipo de pensamento”, diz Raquel Marinho

Para a responsável da rede Bosch Car Service Portugal, a pergunta sobre quais os contras de ser mulher no pós-venda está ferida de sentido. “Objetivamente, não considero haver qualquer contra em ser mulher, nem neste meio, nem em meio algum, e até rejeito, à partida, esse tipo de pensamento. De certa forma, porque não o aceito por princípios e valores pessoais”, afirma Raquel Marinho.

“Adoro ser mulher e nunca senti que isso fosse uma limitação ou uma vantagem. Se calhar, também tenho tido sorte com as pessoas com as quais me cruzo e relaciono. Há imensas mulheres no setor automóvel e há imensas mulheres competentes, assim como há, também, homens”, adianta.

“O facto de ser homem ou mulher não é o critério que me faz diferenciar uma pessoa, por si… A minha vida profissional foi, até aqui, praticamente sempre na mesma empresa, a Bosch, e ali nunca senti discriminação alguma. As pessoas não são avaliadas em função do género, mas sim em função das suas competências e resultados”, diz.

“Mas também devo acrescentar que eu não sou responsável pela área técnica, estou na área da gestão. Não estou a reparar automóveis, nem a supervisionar essa área de competência”, revela.

Raquel Marinho
Raquel Marinho

A minha formação é em gestão, comunicação e marketing. A área técnica tem pessoas responsáveis com as devidas habilitações com as quais trabalho em equipa”, acrescenta Raquel Marinho.

E termina: “Admito que percebo muito mais da gestão de uma oficina, em todas as suas vertentes, do que percebo, ainda, de técnica automóvel. Cada macaco no seu galho. Mas é claro que, ao fim de tantos anos, aprende-se muita coisa. Aliás, para mim, é essencial conhecer muito bem a oferta de serviços e produtos. E, aqui, cruza-se a necessidade de dominar alguns aspetos mais técnicos específicos dos automóveis também. Isso nunca foi um problema. Sinto-me em ‘casa’ neste setor”.

“Cada vez temos mais mulheres em cargos de responsabilidade”, diz Grisélia Afonso

“Não considero que haja contras de ser mulher neste setor”, afirma Grisélia Afonso, como ponto de partida. “Existe, sim, ainda algum preconceito, nomeadamente em faixas etárias mais elevadas, que apenas tem a ver com mentalidade”, admite a sales & marketing unit manager Automotive – Vehicle Service Market – da SKF Portugal.

Grisélia Afonso
Grisélia Afonso

Contudo, sublinha, “tem havido uma enorme evolução neste sentido. Cada vez mais temos mulheres em cargos de responsabilidade, em funções de apoio ao cliente, mecânicas, entre outras funções, resultado de desempenharmos com profissionalismo o nosso trabalho e de estarmos disponíveis para aceitar e acompanhar os desafios constantes deste segmento de negócio”, afirma.

“No meu caso em particular (talvez por já cá andar há uns anos a desenvolver o negócio SKF com total abertura, frontalidade e transparência), tenho o enorme

privilégio de ter o máximo respeito e consideração por parte de todos os nossos parceiros de negócio, nas diferentes cadeias de valor”, garante Grisélia Afonso.

E não deixa de apontar um ponto positivo: “Falando dos prós, existe um enorme cavalheirismo no tratamento, atitude, reconhecimento e, nalguns casos, uma excelência de relacionamento, de que me orgulho muito, fruto de um saber estar à altura das diferentes situações com que nos deparamos no dia a dia”, assegura ao Check-up.


RPL artigo dia da mulher

“Identifico alguma diferenciação de géneros, mas é transversal a outras áreas”, diz Vanessa Barros

A gestora quer das redes de oficinas, quer de marketing do NORS Group, acredita que “são as pessoas que fazem a diferença, independentemente de estarmos a falar de um homem ou de uma mulher”.

Ainda assim, Vanessa Barros consegue “identificar dificuldades, neste meio, quando falamos em diferenciação de géneros, que não considero que sejam únicas do mesmo, mas sim transversais a outras áreas de atividade”.

No que diz respeito ao mercado automóvel, especificamente, “este ainda é maioritariamente masculino por questões históricas, estando a falar de pequenas e médias empresas que precisam de continuar a profissionalizar-se e a adotar novas ferramentas de digitalização”, acrescenta Vanessa Barros.

“Felizmente, tem-se verificado mudanças de práticas e hábitos. Há cada vez mais mulheres envolvidas em áreas que seriam por tradição definidas como ‘masculinas’, o que potencia a diminuição das desigualdades entre géneros, mesmo havendo ainda um caminho a percorrer”, assegura.

Vanessa Barros
Vanessa Barros

E conclui: Um dos aspetos que mais me atrai neste negócio é a sua capacidade de transformação e adaptação à evolução do mercado. Logo, espero que tenha o mesmo comportamento neste aspeto, caso existam mais mulheres a ter interesse na área”.

“Acredito no valor individual e na força do trabalho e profissionalismo”, diz Anabela Machado

Duas décadas. Anabela Machado, diretora comercial da revista Pós-Venda tem uma experiência ímpar no setor. E garante ao Check-up que nunca sentiu na pele qualquer tipo de discriminação.

Anabela Machado
Anabela Machado

“Há 20 anos que estou no setor do aftermarket, mais concretamente em publicações B2B, ou seja, a denominada informação business to business. E, sendo totalmente honesta, não sinto ou senti alguma vez que, pelo facto de ser mulher, poderia ter alguns prós ou contras neste setor”, revela Anabela Machado.

“Como mulher, acredito no valor individual de cada um e na força do trabalho, profissionalismo e dedicação. Não tenho, nem nunca tive, a opinião de que, por ser mulher, poderia ser prejudicada ou favorecida, quer neste setor do aftermarket, em particular, quer na minha vida, em geral”, confidencia ao Check-up a diretora comercial da revista Pós-Venda, no tom afável e calmo que a caracteriza. Para, a seguir, em género de conclusão, fazer uma revelação neste dia especial para todas as mulheres.

“O meu caminho foi feito a pulso e é exatamente essa força que coloco todos os dias como diretora comercial da Pós-Venda no meu trabalho, onde nos pautamos como uma verdadeira equipa, maioritariamente de mulheres (apenas coincidência), exatamente por esses princípios: foco, trabalho, dedicação e profissionalismo”, afirma.

“O tempo das meninas a enfeitar os carros nos salões não terminou, mas o mundo está a mudar”, diz Sónia Rodrigues

Responsável da Kikai eventos, empresa que organiza a expoMECÂNICA, Sónia Rodrigues reconhece “a existência de alguma desigualdade de género no setor automóvel, pois a grande maioria das suas empresas são lideradas por homens”, adianta.

“Curiosamente, também eu sou uma pessoa na liderança de uma empresa, mas de eventos. E, sendo mulher, acredito que tenho conseguido disso tirar benefícios. Por um lado, a presença de uma mulher torna o setor mais fresco, mais dócil, digamos mais atraente. Por outro lado, o fator novidade, acaba por gerar curiosidade. O profissionalismo e o respeito mútuo, fundamentais para o sucesso nos negócios, acabam por fazer o resto, com excelentes resultados para as empresas, para a expoMECÂNICA e para mim”, sublinha.

Sónia Rodrigues acredita que, no “setor da reparação automóvel, e em particular, nas mulheres mecânicas, poderá haver algum tipo de desconfiança, por ser um universo maioritariamente e tradicionalmente masculino, com algum sentimento de posse. Tirando eventualmente esse exemplo, acredito que a questão se estará a esbater”, diz.

Sónia Rodrigues
Sónia Rodrigues

“Hoje, cruzo-me com imensas profissionais que lideram as finanças, o marketing, as redes internacionais de reparação automóvel, que dão o seu contributo diário para a evolução e desenvolvimento do setor. O tempo das meninas que enfeitavam os carros expostos nos salões de automóveis não terminou, mas o mundo está a mudar e com cada vez mais lideranças femininas, pese embora a desigualdade de oportunidades”, frisa Sónia Rodrigues.

“Em seis anos, senti na pele os prós e os contras de ser mulher”, diz Esther García del Río

Falta pouco mais de um mês para Esther García del Río completar seis anos como jornalista da publicação espanhola Autopos. Aconteceu por acaso, era ainda muito jovem. Aos 24 anos, o meu primeiro desafio foi a Motortec, o grande acontecimento que me abriu as portas para um mundo novo e totalmente desconhecido, em que reinava o género masculino.

Impôs-me respeito. E, além disso, sabia que teria de merecê-lo. Uma mulher jovem e inexperiente, num setor tão técnico, tradicional e masculino. Foi um grande desafio. Um desafio que aceitei com muito entusiasmo e confiança”, começa por contar.

Esther G. del Río
Esther García del Río

“Senti-me apoiada pelo meio em que tenho a sorte de trabalhar: MVPress (Autopos, La Comunidad del Taller, Truckind)”, confidencia com orgulho.

E vai mais longe nas revelações que faz, deixando o coração falar neste dia especial. “Ninguém disse que ia ser fácil, mas tive bons professores. O conhecimento do setor, os seus players e a relação entre eles, crucial neste mercado, foram fundamentais. Tinha muito a provar, mas muito a ganhar”, conta Esther García del Río ao Check-up.

“Em seis anos como jornalista da área do pós-venda, senti na pele o bem e o mal deste setor: os prós e os contras de ser mulher, de ser jovem e, além disso, de estar do lado dos media, uma profissão que, muitas vezes, dada a sua razão de ser, deve ser desconfortável. Era uma mistura explosiva”, admite.

“Mas acho que tenho conseguido tirar proveito desses fatores, procurando diferenciar-me, fazendo com que o meu género e a minha idade nunca sejam um empecilho para o desempenho da minha profissão. Pelo contrário, utilizo-o para me diferenciar de outros colegas e para me fazer ouvir. Ser mulher, neste setor, tem coisas boas. Não somos a maioria, longe disso, embora essa tendência esteja a mudar. Estamos a pisar um novo terreno e somos ouvidas e respeitadas. Nós merecemos”, assegura.

Esther García del Río considera-se ainda uma “novata” neste mercado. “Mas existem grandes profissionais que, há muitos anos, vêm trilhando um caminho que, agora, percorro com menor dificuldade graças a eles. Mas não foi por isso que não me deparei com aquela ‘pedra estranha’ na estrada. Comentários infelizes que consegui responder sem meias palavras, atitudes que deveriam cair no esquecimento (e que cada vez encontro menos), com a profissionalização do setor em todas as formas”, recorda.

“Felizmente”, acrescenta, “este é um mercado que valoriza os seus profissionais. Tive de mostrar muito, mas como todo o mundo. Mais do que pela minha feminilidade, por causa da juventude com que apareci neste mercado. Teria acontecido comigo em qualquer outro setor. Porque, antes de tudo, o que importa são as pessoas e o seu know-how, o seu envolvimento e compromisso com o trabalho e com o setor para o qual trabalham, Sentir orgulho de pertencer”.

Ao longo do seu percurso, Esther García del Río tem demonstrado o seu valor profissional. “Consegui o respeito dos meus colegas e através do trabalho. Encontrando algumas pedras, sim, mas, quando somos jovens, devemos sempre mostrar que merecemos ser ouvidos, independentemente do sexo ou da idade. O que realmente importa é como fazemos o trabalho. Se és uma pessoa válida, profissional e comprometida, vais triunfar no pós-venda, se tiveres essa grande oportunidade”, conclui.


RPL rodape dia da mulher

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