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A cruzada da Bosch para que a Terra não se transforme em Vénus

Webinar realizado pela Bosch juntou especialistas para debater os caminhos da neutralidade tecnológica e da descarbonização do planeta. Para que a Terra não se torne inabitável como Vénus.

Nunca o mundo necessitou tanto de encontrar um caminho e um compromisso conjunto para a descarbonizau00e7u00e3o. Atenta u00e0s questu00f5es ambientais, desde hu00e1 muito, a Bosch realizou, no dia 2 de dezembro, um webinar subordinado ao tema u201cNeutralidade tecnolu00f3gica para uma mobilidade sustentu00e1velu201d.

O debate, para o qual o Check-up foi convidado, contou com a participau00e7u00e3o de especialistas de vu00e1rias u00e1reas, demonstrando que existem muitas vias alternativas para chegar a um ponto deseju00e1vel para todos u2013 e para o planeta.

A moderau00e7u00e3o esteve a cargo do jornalista e produtor da televisu00e3o espanhola (TVE), Carlos Garcu00eda Hirschfeld, que, logo de inu00edcio, chamou a atenu00e7u00e3o para as u201cdiferentes necessidades dos pau00edsesu201d e para os u201cmuitos conceitos de propulsu00e3ou201d existentes, num mundo que voltou a ter uma forte demanda pelo transporte individual, devido u00e0 pandemia.

Bosch: todas as frentes

Ricardo Olallam vice-presidente do departamento de Soluu00e7u00f5es de Mobilidade da Bosch para Espanha e Portugal, foi o primeiro a intervir no debate, sublinhando o facto de a empresa ser lu00edder em descarbonizau00e7u00e3o e questu00f5es de mobilidade.

u201cEstamos muito comprometidos com este assunto. Todas as nossas instalau00e7u00f5es su00e3o, hoje, neutras em termos de emissu00f5es. Temos de reduzir a zero emissu00f5es todas as tecnologias de mobilidadeu201d, afirmou. O responsu00e1vel da Bosch alertou ainda para o facto de u201cconsumirmos, como nunca, energia para nos movermosu201d, algo que, na sua perspetiva, teru00e1, u201cnecessariamente, de mudar. E, isso, teru00e1 de ser feito, dia a dia, todos os diasu201d, defendeu.

Segundo explicou, os motores a combustu00e3o interna su00e3o muito responsu00e1veis emissu00f5es de gases poluentes. Mas nu00e3o explicam tudo. Nem o estado a que chegou o planeta. Na sua opiniu00e3o, haveru00e1 ainda muito que pode ser feito neste tipo de motores para melhorar a sua eficu00e1cia ecolu00f3gica. E existem muitas outras formas de travar a mesma batalha rumo u00e0 descarbonizau00e7u00e3o. u201cOs combustu00edveis sintu00e9ticos su00e3o uma delasu201d, reforu00e7ou.

Mas Ricardo Olallam nu00e3o tem du00favidas de que, neste contexto da mobilidade do futuro, a eletrificau00e7u00e3o u00e9 a u201cestrelau201d no horizonte u2013 e no presente. u201cSomos lu00edderes em componentes para veu00edculos elu00e9tricos. Cobrimos todos os segmentos e estamos presentes em todas as soluu00e7u00f5es de mobilidade. Temos trabalhado muito nas pilhas de combustu00edvel (hidrogu00e9nio) e queremos eletrificar desde as bicicletas atu00e9 aos camiu00f5es. Poru00e9m, temos de trabalhar todas as tecnologias de mobilidade, inclusivamente as dos motores de combustu00e3o internau201d, sublinhou o responsu00e1vel.

Repsol: ciclo de produu00e7u00e3o

Javier Aru00edztegui, responsu00e1vel do Laboratu00f3rio de Energia e Tecnologia da Repsol, concordou com a ideia de que a mobilidade sustentu00e1vel deve ser encarada de u201ctodos os u00e2ngulosu201d. Na sua perspetiva, os automu00f3veis a gasolina e gasu00f3leo tu00eam grande parte da responsabilidade na poluiu00e7u00e3o da atmosfera. Mas nu00e3o su00e3o os u00fanicos.

u201cOs barcos e os aviu00f5esu201d, por exemplo, contribuem muito para a atual situau00e7u00e3o. u201cTemos de descarbonizar todos os segmentos. Estes su00e3o maiores e ainda podem reduzir muito as suas emissu00f5esu201d, recordou o responsu00e1vel da Repsol.

Na sua intervenu00e7u00e3o, Javier Aru00edztegui explicou quais os grandes pilares que a sociedade deve considerar rumo u00e0 mobilidade sustentu00e1vel e que tu00eam como pano de fundo a u201creduu00e7u00e3o a zero das emissu00f5es dos combustu00edveisu201d. Su00e3o eles a eletrificau00e7u00e3o dos veu00edculos e o hidrogu00e9nio, alu00e9m dos combustu00edveis lu00edquidos e sintu00e9ticosu201d.

Conforme realu00e7a, u201cnu00e3o se trata de reduzir, no futuro, mas sim os que estu00e3o a circular neste preciso momentou201d. Importante, para si, u00e9 considerar u201ctodo o ciclo de produu00e7u00e3ou201d de uma determinada soluu00e7u00e3o, dado que su00f3 assim se conseguem apurar os reais valores. Cadeia de produu00e7u00e3o em que, explicou, os veu00edculos ligeiros su00e3o u201cpredominantesu201d e os pesados u201cmais equilibradosu201d nas emissu00f5es.

Hyundai: virtudes do hidrogu00e9nio

Javier Arboleda, Service Manager da Hyundai, enveredou pela mesma linha de raciocu00ednio dos restantes oradores. u201cSeguimos, tambu00e9m, na via para a neutralidade e descarbonizau00e7u00e3ou201d, disse. u201cTemos vindo a eletrificar as nossas gamas. Existe uma grande variedade de soluu00e7u00f5es… e de clientesu201d, sublinhou o responsu00e1vel.

De acordo com Javier Arboleda, todas as soluu00e7u00f5es atuais u201csu00e3o compatu00edveis com os combustu00edveis sintu00e9ticosu201d. E que os veu00edculos elu00e9tricos e as pilhas de combustu00edvel su00e3o, tambu00e9m eles, u201ccompatu00edveisu201d, disse, dando o exemplo do Hyundai Nexo, pioneiro da indu00fastria a utilizar o hidrogu00e9nio como forma de locomou00e7u00e3o.

Segundo defendeu, as pilhas de combustu00edvel su00e3o u201cuma oportunidade histu00f3rica para Espanhau201d, nomeadamente no segmento dos pesados. Ainda assim, Javier Arboleda prefere nu00e3o eleger uma soluu00e7u00e3o. u201cNu00e3o hu00e1 uma, mas muitasu201d, garantiu o responsu00e1vel da Hyundai, marca que, em 2025, contaru00e1 com 44 modelos eletrificados entre as suas gamas.

BeePlanet: segunda vida das baterias

Ju00e1 para John Asin, CEO da BeePlanet Factory, a soluu00e7u00e3o passa, tambu00e9m, por dar uma u201csegunda vida u00e0s bateriasu201d. Esse u00e9 o papel da empresa que dirige. E para justificar o seu ponto de vista, socorreu-se de vu00e1rios nu00fameros sobre o impacto das baterias produzidas na UE: u201c1,7 milhu00f5es em 2020, cerca de 2,6 milhu00f5es em 2030u201d, com forte tendu00eancia para aumentar na proporu00e7u00e3o direta do investimento dos fabricantes em veu00edculos elu00e9tricos.

O problema, para John Asin, u00e9 que a maior procura de baterias agravaru00e1 um problema ju00e1 bem real. u201cA Europa nu00e3o teru00e1 matu00e9rias-primas para as produziru201d, alertou o responsu00e1vel. E concretizou: u201c66% do cobre, por exemplo, vem da Repu00fablica do Congou201d.

Ora, a atividade da BeePlanet Factory centra-se, precisamente, em criar uma reciclagem u201ccircularu201d das baterias. Mas nu00e3o su00f3. u201cFabricamos sistemas de armazenamento de energia e reutilizamos as baterias dos veu00edculos elu00e9tricos. Alu00e9m disso, desenvolvemos tecnologia especu00edfica (homologada) para controlo de baterias em segunda vidau201d, acrescentou.

u201cA UE gera, todos os anos, 91 milhu00f5es de toneladas de resu00edduos e componentes, reciclando apenas 30% dos mesmos. A recuperau00e7u00e3o das matu00e9rias-primas destes resu00edduos u00e9 apenas de 1%, por falta de tecnologia especu00edfica nos processos industriaisu201d, revelou.

Entre a Terra e Vu00e9nus

A u00faltima intervenu00e7u00e3o foi do investigador cientu00edfico, Javier Santaolalla, que comeu00e7ou por perguntar a todos os participantes hu00e1 quanto tempo u201cnu00e3o olham para as estrelas e para o cu00e9uu201d. Porquu00ea? u201cExiste um planeta que se pode ver de noite, muito luminoso: Vu00e9nus, o lugar mais inu00f3spito para a vida humana, ju00e1 que as temperaturas, por lu00e1, rodam os 500u00b0C. u201cAo longe, parece o parau00edso. u00c9 o planeta mais pru00f3ximo e parecido com a Terrau201d, disse.

Contudo, a atmosfera de Vu00e9nus nu00e3o tem a espu00e9cie de u201ccapau201d protetora que o nosso planeta tem e que lhe permite funcionar como umu00a0filtrou00a0para a radiau00e7u00e3o solar, que deixa passar certos comprimentos de onda e reflete ou retu00e9m outros.

Nem sempre foi assim. Hu00e1 cinco mil milhu00f5es de anos, as diferenu00e7as nu00e3o eram as mesmas. E o ser humano poderu00e1 ter estragado uma lotaria quu00edmica. u201cA Terra conseguiu manter as condiu00e7u00f5es e seguiu o efeito contru00e1rio de Vu00e9nus. O ciclo quu00edmico da Terra formou outros sistemas su00f3lidos, como as pedras, as rochas u2013 e os nossos corpos u2013 captou o carbono e limpou a atmosfera, mantendo as temperaturas apropriadas para a existu00eancia de seres vivosu201d.

Acontece que, segundo Javier Santaolalla, o ser humano tem estado apostado em destruir todas estas condiu00e7u00f5es privilegiadas. E nada u00e9 seguro. u201cA temperatura aumentou muito e a um ritmo muito perigoso. Desperdiu00e7u00e1mos a sau00fade do planeta e estamos a devolver a Terra ao seu passado remotou201d, adiantou o investigador, que enalteceu as muitas soluu00e7u00f5es de mobilidade abordadas no debate. u201cNu00e3o somos a primeira gerau00e7u00e3o a maltratar o planeta, mas somos a primeira consciente de estar a fazu00ea-lou201d.

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