A ACAP (Associação Automóvel de Portugal) defendeu uma “nova fiscalidade automóvel no Fórum ACAP AUTO’26, realizado, na passada quinta-feira, 1 de outubro, no Museu do Oriente, em Lisboa.
Perante representantes do setor, especialistas e decisores, a associação apresentou “propostas baseadas nos princípios de justiça ambiental e social, incluindo a eliminação faseada do Imposto Sobre Veículos (ISV) ao longo de 10 anos e o fim da componente cilindrada”, revela. As medidas resultam de um estudo desenvolvido pela EY.
Na abertura do fórum, o presidente da ACAP, Sérgio Ribeiro, considerou que, “quase duas décadas após a reforma de 2007, a evolução da eletrificação, da tecnologia e dos desafios económicos e ambientais exige uma revisão do modelo fiscal”. E frisou: “Precisamos de uma nova fiscalidade para um novo tempo automóvel”.
Parque envelhecido
A renovação do parque automóvel foi outro dos temas centrais. “Portugal tem um parque envelhecido e registou, em 2025, um recorde de 120 mil veículos usados importados, mais 13,6% do que no ano anterior”.
Duarte Cordeiro defendeu que a “renovação representa uma oportunidade para reduzir emissões, melhorar a segurança rodoviária, proteger os orçamentos familiares e reforçar a capacidade industrial”.

O setor destacou ainda a falta de profissionais, sobretudo nas áreas da mecânica e mecatrónica, defendendo maior valorização das profissões técnicas, formação e reconversão de trabalhadores.
A eletrificação trouxe, também, para o debate a necessidade de reforçar a rede de carregamento. Pedro Saraiva, CEO da Kinto Mobility Portugal, alertou para um “défice crescente de infraestrutura, sobretudo para quem não dispõe de garagem ou carregamento privado”.
Estabilidade dos incentivos
“A neutralidade tecnológica, a estabilidade dos incentivos e a necessidade de travar a importação de usados antigos” foram, igualmente, apontadas como prioridades pelos representantes dos construtores e do retalho.
Na sessão de encerramento, o secretário de Estado Adjunto e da Energia, Jean Barroca, considerou a “mobilidade elétrica estratégica para a soberania energética nacional, defendendo mais investimento nas redes de distribuição e na infraestrutura de carregamento”.
Segundo a ACAP, o setor automóvel representa cerca de “180 mil trabalhadores e gera 12 mil milhões de euros em receitas para o Estado, direta e indiretamente, correspondentes a 19,4% do total”, conclui.
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