As exportações portuguesas de componentes para automóveis “atingiram 4.016 milhões de euros entre janeiro e abril de 2026”, de acordo com a Associação de Fabricantes para a Indústria Automóve (AFIA).
O valor representa uma “quebra de 6,4% face ao mesmo período do ano anterior, refletindo o abrandamento dos principais mercados europeus e a maior volatilidade internacional”, refere.
14,8% das exportações
“Só no mês de abril, as exportações do setor somaram 1.033 milhões de euros, o que corresponde a uma ligeira descida de 0,4% em termos homólogos. Ainda assim, a indústria mantém um peso significativo na economia portuguesa, representando 14,8% das exportações nacionais de bens transacionáveis”, revela a AFIA.
“A Europa continua a ser o principal destino dos componentes para automóveis produzidos em Portugal, concentrando 88,4% das vendas externas. No entanto, no acumulado até abril, as exportações para este mercado caíram 6,5%”, sublinha a associação.
Em contraciclo, África e Médio Oriente registaram um crescimento de 13,3%, enquanto os EUA apresentaram uma quebra de 22%. Já as exportações para a Ásia e Oceânia, recuaram 4,3% no mesmo período.
“Por países, Espanha mantém-se como o principal mercado de destino, com uma quota de 27,9%, seguida da Alemanha (22,2%) e França (9,6%). As vendas para Espanha caíram 10% e para a Alemanha 4%, enquanto França registou uma evolução positiva de 4,5%”, revela.
Reforçar competitividade
Entre os mercados com melhor desempenho destacam-se a Polónia (+17,4%), os Países Baixos (+12,7%), a Itália (+12,1%) e Marrocos (+7,2%). Em sentido inverso, as exportações para os EUA recuaram 27,9%.
Apesar do contexto de quebra, o setor continua a ser um dos pilares da indústria exportadora nacional. A AFIA sublinha que o “desempenho dos clientes internacionais influencia, diretamente, o volume de encomendas, defendendo a necessidade de reforçar a competitividade, a produtividade e a escala industrial”.
Empresas competitivas
O presidente da associação, José Couto, alerta para a importância de fatores como energia a custos competitivos, estabilidade regulatória, financiamento adequado, infraestruturas logísticas e qualificação de recursos humanos.
“Portugal tem empresas competitivas e capacidade industrial para estar melhor integrado na agenda do Made in Europe, mas precisa de transformar essa capacidade numa prioridade estratégica”, afirma.
A AFIA defende a “diversificação de mercados e o reforço da integração das empresas portuguesas em cadeias de abastecimento globais”, enfatizando a importância da modernização contínua do setor para garantir competitividade num contexto internacional exigente”.
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