ACAP quer “abater” 40 mil carros para renovar parque

Com 1,6 milhões de automóveis em circulação com mais de 20 anos, associação defende novo incentivo ao abate em 2026 para acelerar transição energética.
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A Associação Automóvel de Portugal (ACAP) defende a reintrodução de um programa de abate de veículos semelhante ao que vigorou em 2009, com o objetivo de “acelerar a renovação do parque automóvel nacional”.

Atualmente, “1,6 milhões de automóveis em circulação têm mais de 20 anos, um cenário que a associação considera preocupante face às metas ambientais e à necessidade de reduzir emissões”, avança.

Vários apoios

A proposta da ACAP passa pelo “abate de até 40 mil veículos já em 2026, com um incentivo médio de €4.000 por viatura, valor que poderá ascender a €5.000 no caso de aquisição de um veículo 100% elétrico (BEV)”.

O programa abrangeria ligeiros de passageiros e de mercadorias, incluindo modelos elétricos, eletrificados e veículos de combustão com baixas emissões, desde que com primeira matrícula portuguesa.

Segundo a ACAP, esta medida “permitiria uma poupança energética anual estimada em 3,2 milhões de litros de combustível (o equivalente a 33.200 barris de petróleo) e evitaria a emissão de cerca de 10.800 toneladas de CO₂ por ano”.

Check-up Media Hélder Pedro
Reforma estrutural

A ACAP sublinha ainda a necessidade de uma “reforma estrutural da fiscalidade automóvel, defendendo um modelo mais alinhado com a transição energética e com a competitividade fiscal de países como Espanha e Alemanha”, defende. A associação propõe uma “tributação mais centrada na propriedade e utilização, reduzindo o peso fiscal na aquisição e promovendo maior equidade”.

No plano comercial, 2025 ficou marcado por um “crescimento de 7,3% nas matrículas de ligeiros de passageiros novos, que totalizaram 225.039 unidades, superando, pela primeira vez, os números pré-pandemia de 2019”.

Mais: “No segmento elétrico, registou-se um novo recorde, com 52.256 matrículas, representando 23,2% do total anual. Dezembro foi o melhor mês de sempre para elétricos, com 5.590 unidades matriculadas”.

Peso económico

O setor automóvel reforçou, também, o seu peso económico. “O número de trabalhadores aumentou de 167 mil para 176 mil, o volume de negócios cresceu de 42,6 para 45,8 mil milhões de euros e o número de empresas subiu para 37 mil. Globalmente, o setor representa 11,7% das exportações nacionais de bens e gera 11,8 mil milhões de euros em receitas fiscais”, sublinha.

Na produção, as cinco unidades instaladas em Portugal “fabricaram 341.361 veículos em 2025, uma subida de 2,7%, com 88% da produção destinada à exportação, maioritariamente para a Europa”, conclui a associação.

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