O fenómeno das escovas que “saltam” ou vibram ao varrer o para-brisas é frequentemente atribuído, de forma quase automática, a borrachas gastas ou de fraca qualidade. Embora isso seja, muitas vezes, verdade, a realidade é mais complexa e, em muitos casos, o problema está no próprio para-brisas ou na interação entre ambos.
Microdesgaste indesejável
Com o tempo, o vidro sofre microdesgastes provocados por poeiras, areia, uso de escovas secas e produtos inadequados. Estes desgastes criam zonas com coeficientes de atrito diferentes, invisíveis a olho nu, mas suficientes para impedir um deslizamento uniforme da borracha. Quando a escova atravessa essas áreas, alterna entre aderência excessiva e libertação súbita, originando o efeito de “salto”.
A contaminação do vidro é outro fator crítico. Resíduos de ceras, silicones, detergentes domésticos ou até vapores de combustível formam uma película hidrofóbica irregular.
Nestas condições, mesmo uma escova nova pode comportar-se mal, sobretudo em chuva ligeira, quando a lâmina não consegue manter uma película de água estável.
Pressão desigual
Também a curvatura e o estado do braço da escova entram na equação. Uma pressão desigual ao longo da lâmina faz com que apenas parte da borracha trabalhe corretamente, agravando qualquer imperfeição do vidro.
Em alguns casos, o problema surge após a substituição do para-brisas, quando o vidro novo tem características superficiais diferentes ou quando o ângulo do braço não foi corretamente reajustado.
Antes de substituir escovas repetidamente, vale a pena avaliar o estado do para-brisas, limpar a superfície de forma adequada e verificar a pressão e alinhamento do sistema. Escovas que “saltam” são, muitas vezes, um sintoma de um conjunto desequilibrado e não apenas de uma borracha defeituosa.