A qualidade do combustível tem um impacto direto (e muitas vezes silencioso) na forma como os sensores do motor “leem” a realidade. Mesmo sem provocar avarias registadas, um combustível fora de especificação pode alterar valores de referência e forçar o sistema a trabalhar constantemente em compensação.
Resultados da combustão
Sensores como o de oxigénio, massa de ar, pressão no coletor ou temperatura dos gases de escape, interpretam os resultados da combustão. Quando o combustível apresenta variações no índice de octano, contaminação por água, excesso de etanol ou aditivos instáveis, a combustão muda e os sensores refletem esse desvio. O problema é que os valores continuam, muitas vezes, dentro das janelas aceitáveis da gestão eletrónica.
Nestes casos, a ECU ajusta mistura, avanço e tempos de injeção para manter o motor funcional, mas fá-lo com correções elevadas e persistentes. Como não existe falha elétrica nem sinal fora de gama, não surgem códigos de avaria, apesar de o motor estar a trabalhar longe da eficiência ideal.
Outro efeito comum é a degradação progressiva dos sensores. Depósitos resultantes de combustão incompleta ou de aditivos de má qualidade podem “lentificar” a resposta dos sensores, tornando-os menos precisos. O sistema continua a funcionar, mas reage com atraso, sobretudo em transições de carga e temperatura.
Consumos elevados
A longo prazo, este cenário traduz-se em consumos mais elevados, resposta irregular ao acelerador, regenerações mais frequentes em motores com filtro de partículas e uma sensação de motor “preso”, sem que o diagnóstico tradicional aponte uma causa clara.
Por isso, sempre que surgem queixas vagas de consumo, perda de suavidade ou comportamento inconsistente sem erros registados, a qualidade do combustível deve ser considerada como variável técnica real. Nem todos os problemas estão no sensor. Por vezes, estão no que passa por ele.