10.˚ Encontro da AFIA reuniu empresários para falar de “apoios”

José Couto, presidente da AFIA, reuniu 200 empresários do setor, em Ílhavo, e pediu apoio do Governo para as empresas de uma indústria em crise.

A Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA) realizou, na quarta-feira, dia 17 de novembro, no Museu da Vista Alegre, em Ílhavo, o 10.˚ Encontro da Indústria Automóvel, reunindo mais de 200 empresários e representantes do setor.

A enfrentar tempos difíceis, este encontro serviu para se fazer uma análise das tendências da mobilidade do futuro, tendo sido, também, um momento importante para ouvir os testemunhos, conhecer os problemas e traçar possíveis estratégias que os empresários partilharam para ultrapassar dificuldades e encontrar soluções estratégicas.

José Couto, presidente da AFIA, abriu a sessão, dando nota das principais preocupações do setor e das dificuldades que as empresas estão a enfrentar. Para o presidente da AFIA, a indústria automóvel sofre com a atual conjuntura, agravada ainda pela subida dos preços dos combustíveis e dos custos logísticos que afetam (e muito) este setor. É importante conseguirmos “apoiar as nossas empresas e chamar a atenção do Governo para os problemas e dificuldades que esta indústria enfrenta”, refere.

No seu discurso de abertura, José Couto alertou ainda para o facto de termos empresas que “têm de encolher capacidade de produção, desfazer-se de recursos humanos e procurar financiamento para honrar compromissos”. Na sua visão, é urgente “apoiar as empresas, impedindo-as de perder ativos e competências que foram capazes de acumular durante anos e que nos diferenciam junto dos clientes”.

Pedro Pêga, da direção da AFIA, também fez uma breve caracterização da indústria de componentes para automóveis, que “tem revelado um desempenho acima da produção automóvel na Europa”. De acordo com os dados por si apresentados, o setor emprega, diretamente, 62 mil pessoas, distribuídas por 350 empresas”.

Mais: “Entre 2015 e 2019, esta indústria cresceu a uma taxa de 8,1% ao ano, o que compara com um crescimento médio anual de apenas 0,1% da produção automóvel na Europa”, diz.

Pedro Pêga refere ainda que 98% dos modelos de automóveis produzidos na Europa tem componentes Made in Portugal. “A performance em 2020 e 2021 continua a evidenciar a competitividade e resiliência da indústria de componentes para automóveis”, acrescenta.

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A AFIA em peso: José Couto, Jorge Castro, Pedro Carvalho, Pedro Pêga e Pedro Ramalho (da esq.ª para a dta.)

No decorrer dos trabalhos, seguiu-se Pedro Siza Vieira, Ministro da Economia, que se mostrou consciente de que este setor enfrenta desafios muito significativos e que “exige particular atenção dos decisores públicos e empresariais”.

O governante refere ainda que a mobilidade elétrica vai exigir, do ponto de vista da produção de veículos, menos mão de obra e menos componentes. Nas suas palavras, “este desafio é, provavelmente, mais significativo e mais importante do que o desafio de curto prazo que, agora, enfrentamos”, afirma.

Numa visão mais internacional, seguiu-se a intervenção de Thorsten Muschal, presidente da CLEPA (Associação Europeia de Fornecedores de Automóveis), que reúne mais de 120 fornecedores globais de peças, sistemas e módulos de automóveis, bem como 20 associações comerciais nacionais e europeias do setor.

Para Thorsten Muschal, “o setor está a mudar e esta transformação traduz-se numa reestruturação e qualificação da força de trabalho, numa aposta constante na inovação e no encontro de combustíveis alternativos”.

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Da esq.ª para a dta.: Nelson Fontainhas (Deloitte), Pedro Ramalho (AFIA) e Jorge Rosa (Mobinov)

Da AICEP, Francisca Guedes de Oliveira mostrou-se otimista, pois “apesar da pandemia, em 2021 já se sente alguma retoma positiva”. No que se refere ao setor dos componentes de automóveis, Francisca Guedes de Oliveira destaca “a competitividade das empresas portuguesas no setor”.

E frisa: “Agora vale a pena ir mais longe e diversificar os mercados de destino das exportações do setor. Em cada 100 veículos produzidos na Europa, 98 têm componentes fabricados em Portugal”.

Para a administradora-executiva da AICEP, Portugal deve continuar a apostar nas vantagens competitivas do país, destacando o fator “talento”, pois não sofreram alterações significativas, apesar da pandemia. O setor automóvel, aliado à mobilidade do futuro, está entre os setores prioritários para captar investimento”, salienta.

Transformação digital, transição energética e covid-19 são as três principais macrotendências para a indústria automóvel e foi largamente abordado neste dia. Para Nelson Fontainhas, da Deloitte, a transformação digital tem impactado não apenas a indústria automóvel, mas, também, todos os setores da sociedade.

Na realidade, a “Indústria 4.0 serve de motor à digitalização da indústria e acompanhamento das tendências tecnológicas”, diz. A transformação digital é essencial para a competitividade do setor, mas requer elevados níveis de investimento nas oportunidades certas.

Quanto à transição energética, esta exigirá alterações estratégicas das empresas e a consequente adaptação dos produtos dos fornecedores. “Em resposta às novas dinâmicas, as empresas devem rever o seu portefólio de produtos e reposicionar-se para tirar vantagem dos segmentos mais atrativos, o que implica a atração de novos talentos e capacidades nestas áreas”, refere.

Finalmente, apesar das dificuldades que a pandemia trouxe à indústria automóvel, “com uma queda abrupta da procura, esta veio acelerar algumas tendências emergentes. Por outro lado, os constrangimentos criados a nível de capital terão grande impacto nas empresas mais frágeis”, alerta Nelson Fontainhas.

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