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“Economia de guerra”

Há quatro meses, dizia que vivíamos um período de incerteza como nunca tínhamos vivido desde há quase 50 anos. A verdade é que, hoje, diria que a incerteza não é tão grande.
Check-up Media Ricardo Caldas DAYCO

Em primeiro lugar, porque, passado o inverno, teremos uns meses mais ou menos tranquilos do ponto de vista da pandemia. Mas, depois, porque, infelizmente, algumas das piores expectativas estão aí. E a juntar a tudo aquilo que era um cenário pessimista, somos confrontados com uma guerra no leste da Europa.

O que está a acontecer na Ucrânia é de tal forma grave do ponto de vista humano, que tenho uma enorme dificuldade em adjetivar. Tudo aquilo que temos visto e assistido é inimaginável na Europa, no século XXI, mas que, do meu ponto de vista, também constitui uma evidência de um falhanço brutal da nossa sociedade ocidental.

Os sinais estavam lá. Estavam lá há bastante tempo, aliás. E, afinal, o fatídico dia 24 de fevereiro de 2022 foi, para os líderes europeus, apenas mais uma peça num puzzle desconhecido, mas já quase finalizado.

E por mais incrível que pareça, a história diz-nos que o puzzle já foi feito e desfeito várias vezes. A experiência da montagem do puzzle já foi vivida, mas a realidade é que a nossa sociedade não tem boa memória e se comporta como que se o desafio fosse inédito.

Pois, mas realmente, não é inédito e, definitivamente, não “vamos lá” com o espírito do “europeu porreirismo”, fazendo crescer estados sociais altamente endividados, de igualdade para todos e onde sempre “tudo vai ficar bem”, entretanto muito evidente numa larga maioria de países da Europa, inclusivamente Portugal.

Num mercado como o nosso, periférico, menos dependente da energia russa, mais pequeno do que as grandes economias europeias, uma diminuição da venda de veículos novos permite que o consumo de peças aftermarket se mantenha numa trajetória ascendente

Ricardo Caldas, Sales Manager da DAYCO Portugal

Afinal, não é bem assim. E não pode ser bem assim. A Europa, hoje, e os seus líderes, aparentam surpresa com uma mais do que evidente impreparação, com decisões sucessivas quase infantis, influenciadas, naturalmente, pela dependência brutal de outros continentes, não só do ponto de vista das matérias-primas, mas, essencialmente, do ponto de vista energético e de incapacidade produtiva para as suas próprias necessidades.

Por outro lado, “depois de casa roubada, trancas à porta”. E só agora os líderes europeus perceberam que também é com armas que se combatem as guerras! Mas sempre foi assim. E assim será!

Enfim, estamos confrontados com uma economia de guerra! Numa economia de guerra, o que podemos esperar, entre outras coisas, é uma carência geral de produtos, muitas vezes com a necessidade de racionamento, um esforço adicional das economias para a indústria bélica, taxas de inflação galopantes e subida das taxas de juro.

Será esta a realidade que teremos, pelo menos, até ao verão. Mas resta-nos a esperança de que, com maior ou menor dificuldade, continuaremos a ser abastecidos pelos principais fabricantes de peças europeus e americanos.

E que, num mercado como o nosso, periférico, menos dependente da energia russa, mais pequeno do que as grandes economias europeias, uma diminuição da venda de veículos novos permite que o consumo de peças aftermarket se mantenha numa trajetória ascendente.

Não será fácil, até porque a tendência de subida de preços não significará mais rentabilidade para qualquer um dos níveis da cadeia de abastecimento. Pelo contrário. Mas, com a dinâmica, a flexibilidade e o capital próprio que caracterizam a grande maioria das empresas de aftermarket e da reparação automóvel independente em Portugal, poderão, mais uma vez, aproveitar a ameaça, moldá-la para uma oportunidade e continuar a fazer do setor um oásis e uma referência para a economia portuguesa.

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