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“Ao meu carro de sonho dedicaria a música Like a Rolling Stone”, de Bob Dylan”, diz Carlos Leitão

Vencedor do International Portuguese Music Awards, em 2020, Carlos Leitão é uma das vozes fortes do fado. Começou como jornalista especializado em automóveis. Mas, de visita à Oficina Vip, garante estar curado do “bichinho”.
Carlos Leitão performing

Uma nota prévia, à laia de declaração de interesses. Carlos Leitão, autor de trabalhos como “Sala de estar”, “Um Quarto Para As Duas” e “Casa Vazia” – com letra de Júlio Machado Vaz, entre muitos outros, não é “apenas” uma das vozes fortes (e grossas) do fado contemporâneo. Nem é, tão-pouco, “somente” o grande vencedor do International Portuguese Awards, em 2020.

O nosso convidado da Oficina Vip é tudo isso, sim, mas, também, um velho companheiro de estrada da equipa do Check-up. Ou não tivesse começado a sua carreira profissional como jornalista especializado em automóveis. Histórias de outros tempos, em que a indústria ainda não “eletrificara” e em que as octanas ainda reinavam livremente no mercado automóvel.

Quisemos saber se este passado é currículo ou cadastro, claro. “Currículo, sempre. Aprendi muito e, sobretudo, conheci gente maravilhosa”, revela Carlos Leitão, que guarda memórias felizes desta sua outra existência. “As amizades, algumas delas para a vida, conforme o tempo prova. Aos 20, 21 anos, era um mundo completamente novo para um puto da Margem Sul que tinha ‘apenas’ o sonho de ser relator desportivo”, acrescenta o fadista.

Sobre os carros, assegura que o “bichinho” já não mora em si. “Estou curado, até porque, na verdade, nunca tive a vertente contemplativa mais ou menos deslumbrada, típica dos meios especializados. O meio automóvel apareceu como alternativa profissional. Primeiro estranhei, depois entranhei”, afirma.

Carlos Leitão álbum
Cuidar do que é seu…

O “bichinho” do automóvel pode não existir, mas quem não tem um carro de sonho? No caso de Carlos Leitão, este teria a forma de um “Alfa Romeo Spider vermelho”. E já que é para pedir, não pouca detalhes “Com volante em madeira e grelha cromada atrás”, conta. Já agora, diga-se que, se tivesse de dedicar uma música a este quimérico bólide, o fadista optaria por “Like a Rolling Stone”, de Bob Dylan”, acrescenta.

Carlos Leitão tem muitos quilómetros de estrada. E muitas histórias na bagagem. Uma delas viveu-a ao volante de um Porsche 911 Turbo, no Campo Grande. “Uma dupla de polícias mandou-me parar (eu não vinha devagar), mas, afinal, enquanto os joelhos me tremiam, eles queriam apenas perceber que carro era e tirar uma ou duas fotos. Há muitas mais histórias, mas, se calhar, adaptávamos o slogan de Las Vegas”, brinca.

A atenção que dedica ao automóvel é extensível a tudo e algo enraizado na sua natureza. “Tenho os cuidados referentes às revisões a tempo. Como fui habituado a prezar aquilo que tenho, porque nunca foi fácil, passou a ser uma questão quase cultural. Faço-as numa oficina que representa a marca”, explica o fadista, que admite não ter grandes dotes de mecânico. “Nada. No caso do meu carro, nem sequer tem pneu suplente”.

Pessimista nato

Com a pandemia de covid-19 e o consequente afastamento dos palcos, Carlos Leitão aproveitou o tempo “para escrever e compor, tanto para mim como para outros, e tenho preparado, ao longo destes meses, aquilo que virá a ser um novo disco”. Mas não só. “Do ponto de vista mais lúdico, tenho aproveitado para ler e para aperfeiçoar os dotes culinários, que já não eram maus”, avança o fadista ao Check-up.

Carlos Leitão smile

E será que, à semelhança de muitos, decidiu aprender a fazer pão ou a falar uma nova língua no confinamento? “Lamentavelmente, não. O pão está praticamente abolido dos hábitos diários, por questões de saúde, e quanto à língua, está no mesmo pacote do ioga, da meditação, do abraço às árvores e do uso do #gratidao por tudo e por nada, ou seja, não vou lá”, reconhece.

Sobre o futuro pós-pandemia, Carlos Leitão esclarece que é um “pessimista nato”. Porém, “dadas as circunstâncias, acredito que a coisa não possa piorar muito”. E concretiza o seu raciocínio: “Para a cultura, foi um ano terrível, mas não o foi menos do que para outras tantas atividades”.

A terminar, o fadista expressa um desejo, ancorado numa revelação: “Estou a preparar um disco novo e na esperança de que o desconfinamento seja real e que as pessoas o cumpram. Acredito que possamos vir à tona um bocadinho”.

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